Ao meu jornal diário

Hoje deparei-me com este poema escrito em 2002 e lembrei-me de que terá sido um dos primeiros que publiquei (num jornal escolar) desde que recomecei, já adulto, a escrever poesia. É engraçado como na altura fiz rimar “páginas” com “chacinas” e “dia” com “tragédia”. Hoje sei que é um disparate, embora não seja uma “tragédia”. Na altura passou-me… julgo que já saberia que aquelas palavras não rimam. Quanto à mensagem… permanece atual.

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Ao meu jornal diário

 

Caro jornal matutino,

sou forçado a protestar

que o mundo perdeu o tino

e me está a arrastar.

 

Como hei de ter um bom dia

se ao folhear tuas páginas

na primeira há tragédia

no meio roubos, chacinas.

 

Na última fome e guerra…

Deixa que te pergunte isto:

nada há de bom na Terra

que mereça um registo?

 

Não me relates horrores,

fala-me antes de paz,

de descobertas, de amores,

fala do bem que se faz.

 

Espero isso para breve

e não é pedir demais!

Se não mudares faço greve:

não torno a ler jornais.

João Alberto Roque

Muito do que sei de jornalismo, aprendi com alguém que escreve “Pela Positiva” – o meu amigo professor Fernando Martins – e fui, certamente, influenciado pela sua postura perante a vida.

Imagem colhida em: http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=338

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Marcha da Gafanha da Nazaré 2018 – Sardinha

 

 

I       

 

Com a sardinha a chamar…  

Lá na onda altaneira,

O pescador fez-se ao mar,

A bordo de uma traineira.

Toda a noite a trabalhar,

Mesmo com frio e morrinha,

A lançar redes ao mar

Para recolher a sardinha.

 

A noite vai animada

Vamos lá saborear

Mais uma sardinha assada

Neste arraial popular

 

Com a banda a tocar

Com ritmo, Dó, Lá, Mi, Ré

Toda a gente a cantar

Gafanha da Nazaré. (bis)

II

No pregão duma varina,

Que ecoa pelo ar…

Vai tão fresca a sardinha

Na canastra a saltar.

De ancas a menear

E colorido avental

Retoma a volta, a marchar.

Fica a sardinha no sal…

III

Há lá coisa mais gostosa,

Em noite de S. João,

Que uma sardinha com broa

E um copo na outra mão?

É tempo de festejar

Sempre em boa companhia.

Sobre a brasa a assar

Ai, a sardinha já ia…

IV

Se puxo a brasa à sardinha

É para mostrar como é

Não há terra como a minha

Gafanha da Nazaré.

Hoje foi o dia da primeira apresentação das Marchas Populares, com início pelas 22 horas. Decorreu no estacionamento por trás da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Nas próximas sexta (Costa Nova) e sábado (Ílhavo) haverá novas apresentações.

Desta vez a escolha recaiu sobre um texto que já tinha escrito há anos, mas ficara na gaveta. Puxando a brasa à minha sardinha, este é um daqueles temas que fica muito bem numa marcha da Gafanha da Nazaré. Já achara o mesmo da de 2013.

Pode assistir aqui ao vídeo da primeira apresentação.

Clicando nas imagens abaixo, poderás conhecer as dos anos anteriores, também com textos meus.

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É na escola meu lugar

 

Trabalho infantil

É na escola meu lugar

Criança deve brincar
E a brincar aprender
Por enquanto, sou criança
É na escola meu lugar
O lugar para crescer.

Preciso de alimentar
Esta fome de saber
Por enquanto, sou criança
É na escola meu lugar
E meu trabalho aprender

Hei de um dia trabalhar
E meu trabalho render
Por enquanto, sou criança
É na escola meu lugar
Que preciso de crescer.

Estar com fome e estudar?
Cansado e aprender?
Não foste também criança?
Põe-te então no meu lugar!
É preciso responder?

Não me impeçam de sonhar
Quero estudar, criar, ler
Por enquanto, sou criança
É na escola meu lugar
O lugar para crescer.

João Alberto Roque

Trabalho infantil 2

Depois do texto – o mais visitado do blogue – sobre o trabalho infantil que escrevi há muitos anos (sobre a realidade portuguesa na indústria do calçado, que felizmente pertence maioritariamente à história), volto ao tema, de uma forma mais suave, com este poema. Infelizmente em muitos países do mundo ainda continua a ser um tema bastante pertinente, lembrado especialmente neste “Dia Mundial contra o trabalho infantil”.

Hoje nas escolas portuguesas, quando um aluno vem cansado e sonolento, geralmente a causa não é o trabalho infantil, mas as noites mal dormidas devido à utilização indevida e exagerada das novas tecnologias. Há, no entanto, ainda casos pontuais de exploração do trabalho infantil que importa erradicar. Também não sou adepto do extremo oposto, em que as crianças não colaboram em qualquer tarefa em casa.

Colaborar nas tarefas domésticas, de forma leve, adaptada à idade, e que lhes deixe tempo para o estudo e para o lazer, é também parte da sua aprendizagem para a vida.

Imagens colhidas em:

http://piauihoje.com/noticias/brasil-tem-aumento-do-trabalho-infantil-entre-criancas-de-5-a-9-anos/
https://comdeuseaverdade.blogspot.com/2015/04/ministros-assinam-portaria-que.html

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Soneto de Camões

 

Em quanto quis Fortuna que tivesse
esperanças de algum contentamento,
o gosto de um suave pensamento
me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
minha escritura a algum juízo isento,
escureceu-me o engenho, com o tormento,
para que seus enganos não dissesse

Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos
a diversas vontades, quando lerdes
num breve livro casos tão diversos!

Verdades puras são, e não defeitos;
e sabei que, segundo o amor tiverdes,
tereis o entendimento de meus versos.

Luís Vaz de Camões

 

Camões

Caricatura feita por Pablo Morales de los Ríos “colhida” em http://speglich.blogspot.com/2016/09/luiz-vaz-de-camoes.html

 

Ontem foi dia de Camões, mas não consegui encontrar tempo para me dedicar a esta publicação que tinha desejado fazer… vai hoje.

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Soneto de Fidelidade – Vinicius de Moraes

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Prioridades

 

pressão

Deixe-me que lhe diga, professor

O trabalho de casa que marcou

Não fiz… que ontem o tempo não chegou

Mas não me marque falta por favor

 

Sabe… da escola vou para o explicador

(que o noventa e cinco não chegou)

Depois tenho piano e ainda vou

À aula de inglês para ser melhor

 

Ponho à frente o livro e o caderno

Começo a fazê-lo e adormeço

Se a minha mãe sabe é o inferno…

 

Diz-me ela que dá mais do que eu mereço

Veja bem: eu só queria um beijo terno…

Acha demasiado o que eu lhe peço?

Hoje, Dia Mundial da Criança, deixo-vos com uma reflexão sobre a pressão excessiva que alguns alunos sofrem por parte dos seus pais.

Um professor percebe quase sempre que esse exagero existe, mas nem sempre consegue saber como atuar, que os alunos não reagem à pressão sempre da mesma forma. Para alguns alunos, a única coisa que passa a interessar é um número alto para mostrar aos pais, e muitas vezes acabam por ser inconvenientes, passe o eufemismo. A verdadeira aprendizagem pouco importa. Já para não falar dos casos em que a pressão vem diretamente dos pais aos professores, num total desrespeito.

Não é fácil, para qualquer adulto, dosear a pressão sobre as crianças sobre as quais tem responsabilidades. Uns demitem-se completamente e outros exageram claramente.

Imagem retirada de https://www.noticiasmagazine.pt/2017/carregar-a-educacao-as-costas

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Marginal – Vieira da Silva

Vieira da Silva

Deixo-vos com um poema de António Vieira da Silva, o médico, o poeta e cantor, cujo livro “Marginal” vai servir de base à próxima sessão da “Comunidade de Leitores”.

Deixo ainda o convite a todos… será no dia 24 de maio de 2018, na Biblioteca Municipal de Ílhavo.  

Até gostariam de participar, mas não têm o livro para o ler… Essa desculpa não serve…  o autor disponibiliza-o, completo, na sua página na Internet. Basta clicar em:

http://www.vieiradasilva-ilhavo.com/marginal.pdf

De lá escolhi este poema de rara sensibilidade, ou não trabalhasse numa…

Escola

professor
não tenhas pressa

saí agora de casa
tenho a amarga sensação
de perda não sei de quê
de um regaço
de um abraço
que me ficou na memória

professor
não tenhas pressa
não sou um quadro vazio
já trago dentro de mim
os traços de outras viagens
imaginárias
reais
dos dias da minha história.

Vieira da Silva

Depois de no ano passado, em que decorreu na Gafanha da Nazaré, ter tido sempre por base obras de autores que vivem ou têm uma grande ligação ao concelho, este ano é a primeira vez que se baseia num livro de um autor local.

No dia 24 eu vou lá estar (mais uma vez)… e tu?

 
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