5º Festival de Haicai de Petrópolis

Brotando do solo

Delicadamente
Despontam do chão os brotos
Às primeiras chuvas.

Esta foi a minha participação no  5º Festival de Haicai de Petrópolis, que foi distinguida com o quarto lugar.

Entre os restantes premiados, gostei especialmente do que ficou em terceiro lugar, que partilha com o meu o tema da germinação das sementes.

Semente que brota
Traz as memórias do ocaso
E os sonhos da aurora

de Eduardo Laurent – Porto Alegre – RS

Partilho com os leitores do blogue ainda os outros dois Haicai que enviei:

Esta doce espera:
Paciência de semente
Em geminação.

Voa a andorinha…
Vê-la é inspirador
E eu voo com ela.

Como podem perceber aqui, os haicai são uma forma poética de origem japonesa. Aprecio especialmente a sua delicadeza e tento seguir a lógica dos haicai mais tradicionais.

A minha ligação a Petrópolis vai-se fortalecendo. É a sexta vez que participo em concursos organizados nessa bela cidade brasileira e em quatro deles fui distinguido: três vezes com haicai (sempre que participei) e uma vez com um soneto. Obrigado à organização, na pessoa da Catarina Maul, que, depois de ter participado pela primeira vez, tem tido a simpatia de me avisar dos concursos.

A imagem encontrei-a aqui: https://greatist.com/happiness/spring-you-should-smell-dirt-says-margaret-atwood

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Poema de José Gomes Ferreira

Deixo os leitores do meu blogue com este belo poema de José Gomes Ferreira.

Rio e estrelas

Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação…

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

José Gomes Ferreira

 

A imagem recortei-a daqui: https://www.artsfon.com

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Finalmente o sol

O facebook lembrou-me desta história escrita há três anos para um grupo de que fazia parte na altura. Havia uma condição que nem sempre era fácil de cumprir: os textos tinham que ter exatamente cem palavras (Drabbles).
Achei que ficava bem no blogue, onde já estão outras dentro da mesma lógica.

Para ler bem o texto, clica na imagem para a ampliar.

Finalmente o sol

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Marcha da Gafanha da Nazaré – 2017 – Ovos Moles

Ovos Moles

Nasceram lá no mosteiro
de um saber paciente.
Os ovos moles são de Aveiro,
Da Ria e sua envolvente.

E o povo, hospitaleiro,
Oferta-os a toda a gente,
Encantando o forasteiro,
Até o mais exigente.

Ovos-moles, ovos-moles,
O sabor da tradição.
São a doce tentação
Desta nossa região:
Ovos-moles, ovos-moles.

Gafanha da Nazaré
em cada arco e balão
Vem lembrar pelo S. João
O doce da região…
E Aveiro aqui ao pé.

Um doce conventual
Que é feito de gemas de ovos
Iguaria especial
de que gostam tantos povos.

É um doce divinal
Que agrada a velhos e novos
E nem nos vai fazer mal…
Venham daí mais uns ovos!

Ovos-moles, ovos-moles…

Há uma história marcada
Pelo mar, seus animais
Pela Ria inspirada
Não precisa inventar mais…

Com sua hóstia moldada
em formas tradicionais
deixa a alma consolada
se a gula não pede mais.

Mais uma vez colaborei com a associação “Grupo de Dança Pestinhas” nesta iniciativa meritória que dá corpo à Marcha da Gafanha da Nazaré. A Lela (Helena Semião) escolheu o tema e eu escrevi a letra.
A primeira apresentação, na Gafanha da Nazaré, correu (ou marchou) muito bem. Parabéns a todos os envolvidos. Tudo esteve excelente, dos arcos à coreografia, dos trajes à música. E até cantaram de modo bem audível…
Nas imagens abaixo podes conhecer as letras das marchas populares que escrevi nos cinco anos anteriores.

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No dia Mundial da Criança

No dia Mundial da Criança resolvi voltar à matriz inicial deste blogue e colocar um texto escrito há muitos anos, enquanto a minha filha mais nova brincava num parque infantil, numa zona muito movimentada da cidade. Ainda bem que não tinha uma máquina fotográfica e tive que tirar a “fotografia” num poema.

Instante feliz

Nos teus olhos, minha filha
Nos teus olhos, brilha
Uma felicidade genuína
Que só se tem quando se é
Assim, como tu, pequenina.

Outros meninos e meninas,
Crianças também pequeninas,
Alheios a tudo, brincam.
Dos adultos que passam
Muitos nem sequer olham.

Estando ali atento, vigilante,
Reparei a certo instante
Em algo belo, enternecedor:
Um casal jovem que passava
Parou, a olhar-vos com amor.

Naquele olhar tão puro,
Quantos projetos de futuro.
Pensei eu, que assisti.
Tanta felicidade cativa
E, simplesmente, sorri.

A foto não é aquilo que procurava, até porque as crianças na situação presenciada eram bastante mais pequenas, mas é a possível… e é interessante.

criancas num parque infantil

Imagem colhida em http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2013/01/dicas-de-atividades-para-fazer-em-casa-com-as-criancas

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A censura

Auto-censura

Aos dezassete anos

Já era “poeta”

Mas o que escrevia

Nunca ninguém lia

É que nesses tempos

De boa memória *

A censura atuava

E tudo cortava

Mas isso que importa

Se ficava feliz,

Como alguém que ama,

Ao ler o poema

Mas passados dias

Ou horas apenas

O censor chegava

E nada escapava

Eu era o escritor

E o crítico feroz.

Que grande guerra

Havia entre nós.

O pavor do ridículo

Vencia por fim.

Podia lá ser…

Expor-me assim?

João Alberto Roque
(10 de Novembro de 1999)

* Nota… para não haver lugar a confusões: esses tempos de boa memória são os da juventude, em que a (auto)censura atuava.

Depois de no artigo anterior ter apresentado o primeiro texto da fase de redescoberta da poesia, aqui fica o segundo poema e a nota que escrevi na altura a acompanhá-lo.

Na imagem que criei a partir de um manuscrito obtido na rede, recrio um carimbo da censura dos tempos da ditadura, que acabou tinha eu doze anos.

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À minha procura

À minha procura

Um dia lembrei-me
de escrever poesia…
Que tonto que eu era,
só que não sabia.

Pois pensava eu
que bastava querer…
Mas não é assim,
nisto de escrever.

E não sou capaz,
por muito que tente.
É que a poesia
ou nasce com a gente…

Rasguei os poemas
Quis outra aventura.
Ainda continuo
à minha procura.

(10 de Novembro de 1999)

Mão a escrever

Hoje, Dia Mundial da Poesia, lembrei-me de colocar um poema no blogue.

Este poema para mim significa muito… quando, já adulto, recomecei a escrever poesia, este foi o primeiro desta nova fase.

Como perdi os da juventude, é o segundo poema mais antigo que guardo… mais antigo só mesmo esta carta de amor (claro, não fui eu a guardá-la…).

Este belo desenho foi “colhido” num de imensos locais da internet em que aparece e desconheço quem será o autor.

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