Marcha da Gafanha da Nazaré – 2017 – Ovos Moles

Ovos Moles

Nasceram lá no mosteiro
de um saber paciente.
Os ovos moles são de Aveiro,
Da Ria e sua envolvente.

E o povo, hospitaleiro,
Oferta-os a toda a gente,
Encantando o forasteiro,
Até o mais exigente.

Ovos-moles, ovos-moles,
O sabor da tradição.
São a doce tentação
Desta nossa região:
Ovos-moles, ovos-moles.

Gafanha da Nazaré
em cada arco e balão
Vem lembrar pelo S. João
O doce da região…
E Aveiro aqui ao pé.

Um doce conventual
Que é feito de gemas de ovos
Iguaria especial
de que gostam tantos povos.

É um doce divinal
Que agrada a velhos e novos
E nem nos vai fazer mal…
Venham daí mais uns ovos!

Ovos-moles, ovos-moles…

Há uma história marcada
Pelo mar, seus animais
Pela Ria inspirada
Não precisa inventar mais…

Com sua hóstia moldada
em formas tradicionais
deixa a alma consolada
se a gula não pede mais.

Mais uma vez colaborei com a associação “Grupo de Dança Pestinhas” nesta iniciativa meritória que dá corpo à Marcha da Gafanha da Nazaré. A Lela (Helena Semião) escolheu o tema e eu escrevi a letra.
A primeira apresentação, na Gafanha da Nazaré, correu (ou marchou) muito bem. Parabéns a todos os envolvidos. Tudo esteve excelente, dos arcos à coreografia, dos trajes à música. E até cantaram de modo bem audível…
Nas imagens abaixo podes conhecer as letras das marchas populares que escrevi nos cinco anos anteriores.

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No dia Mundial da Criança

No dia Mundial da Criança resolvi voltar à matriz inicial deste blogue e colocar um texto escrito há muitos anos, enquanto a minha filha mais nova brincava num parque infantil, numa zona muito movimentada da cidade. Ainda bem que não tinha uma máquina fotográfica e tive que tirar a “fotografia” num poema.

Instante feliz

Nos teus olhos, minha filha
Nos teus olhos, brilha
Uma felicidade genuína
Que só se tem quando se é
Assim, como tu, pequenina.

Outros meninos e meninas,
Crianças também pequeninas,
Alheios a tudo, brincam.
Dos adultos que passam
Muitos nem sequer olham.

Estando ali atento, vigilante,
Reparei a certo instante
Em algo belo, enternecedor:
Um casal jovem que passava
Parou, a olhar-vos com amor.

Naquele olhar tão puro,
Quantos projetos de futuro.
Pensei eu, que assisti.
Tanta felicidade cativa
E, simplesmente, sorri.

A foto não é aquilo que procurava, até porque as crianças na situação presenciada eram bastante mais pequenas, mas é a possível… e é interessante.

criancas num parque infantil

Imagem colhida em http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2013/01/dicas-de-atividades-para-fazer-em-casa-com-as-criancas

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A censura

Auto-censura

Aos dezassete anos

Já era “poeta”

Mas o que escrevia

Nunca ninguém lia

É que nesses tempos

De boa memória *

A censura atuava

E tudo cortava

Mas isso que importa

Se ficava feliz,

Como alguém que ama,

Ao ler o poema

Mas passados dias

Ou horas apenas

O censor chegava

E nada escapava

Eu era o escritor

E o crítico feroz.

Que grande guerra

Havia entre nós.

O pavor do ridículo

Vencia por fim.

Podia lá ser…

Expor-me assim?

João Alberto Roque
(10 de Novembro de 1999)

* Nota… para não haver lugar a confusões: esses tempos de boa memória são os da juventude, em que a (auto)censura atuava.

Depois de no artigo anterior ter apresentado o primeiro texto da fase de redescoberta da poesia, aqui fica o segundo poema e a nota que escrevi na altura a acompanhá-lo.

Na imagem que criei a partir de um manuscrito obtido na rede, recrio um carimbo da censura dos tempos da ditadura, que acabou tinha eu doze anos.

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À minha procura

À minha procura

Um dia lembrei-me
de escrever poesia…
Que tonto que eu era,
só que não sabia.

Pois pensava eu
que bastava querer…
Mas não é assim,
nisto de escrever.

E não sou capaz,
por muito que tente.
É que a poesia
ou nasce com a gente…

Rasguei os poemas
Quis outra aventura.
Ainda continuo
à minha procura.

(10 de Novembro de 1999)

Mão a escrever

Hoje, Dia Mundial da Poesia, lembrei-me de colocar um poema no blogue.

Este poema para mim significa muito… quando, já adulto, recomecei a escrever poesia, este foi o primeiro desta nova fase.

Como perdi os da juventude, é o segundo poema mais antigo que guardo… mais antigo só mesmo esta carta de amor (claro, não fui eu a guardá-la…).

Este belo desenho foi “colhido” num de imensos locais da internet em que aparece e desconheço quem será o autor.

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Encontros – coletânea de escrita criativa

Deixem-me hoje falar-vos de um novo livro, com o título “Encontros”, resultado dos trabalhos de um grupo de amigos – A tertúlia Et Quoi. Tem cerca de 270 páginas, com trinta por minha conta.

Em breve, teremos novidades sobre os nossos “Encontros”. A coletânea que andamos a cozinhar há muito está quase no ponto. Em breve será servida aos apreciadores.

Para já deixo-vos com a capa, elaborada pelo Pedro Fontoura sobre uma foto da Olinda Morgado, dois talentosos e multifacetados elementos da nossa tertúlia.

encontros

Quando chegar da gráfica, logos vos enviarei um convite para o lançamento.

No artigo anterior referi a ida ao lançamento da coletânea Lugares e Palavras de Natal. Um fim de tarde agradável. Mas o dia foi todo ele dedicado às palavras e algo mais.

O sábado já tinha começado bem, no que diz respeito ao “coração, cabeça e estômago”. A começar uma agradável moqueca de peixe, confecionada pelo amigo Carlos Corga. Depois das deliciosas sobremesas, passámos aos contos, igualmente deliciosos. Eu contribuí com Três peixes gordos. O desafio era escrever um conto começando pelo início de um conto alheio. A minha escolha recaiu no início do conto Um peixe gordo de Branquinho da Fonseca, do seu livro Bandeira Preta.

Quando acabou a tertúlia literária (e gastronómica) rumei à estação e apanhei o comboio para o Porto, numa decisão de última hora, mas gostei de ter ido participar no lançamento de Lugares e Palavras de Natal.

Gostei ainda da económica e calma viagem de comboio, acompanhado da leitura: na ida de Bandeira Preta e, no regresso, dos contos de Natal da coletânea de que dei conta aqui.

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Lugares e Palavras de Natal

A mais bela prenda

De forma inesperada, recebi um convite para enviar um texto para uma coletânea de Natal, organizada pela Lugar da Palavra Editora. Apesar de um pouco renitente, acabei por enviar um texto escrito em 2009 e que já conheces pois faz parte destas infantilidades desde 2014, embora numa versão mais curta (mesmo a versão agora publicada teve que levar alguns cortes para caber nos critérios definidos pela editora).

A primeira reação dos editores foi muito simpática e venceu as minhas resistências. Acabou selecionado e publicado. Neste sábado, no Porto, decorreu a apresentação do livro. Gostei da experiência e, “se a tanto me ajudar o engenho e a arte”, como diria o poeta, no próximo ano voltarei a participar.

Para ler o meu texto podes adquirir a coletânea à editora, ou ler aqui.

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Ondas da Memória

O soneto Ondas da Memória, associado a uma melodia também criada por mim e posteriormente complementada com o talento musical dos amigos Aníbal Seco, Rogério Fernandes e Inês Margaça, foi selecionado para o Festival da Canção Vida, organizado pela associação de Jovens A Tulha. Neste sábado, perante a Casa da Cultura de Ílhavo cheia de apreciadores, a canção foi apresentada ao público na bela voz da Beatriz Dores. O grupo incluía ainda o André Marçal, o João Pedro Caçoilo, o Pedro Rocha e o David Roque.

Ondas da memória

Ouço as ondas do mar, ouço-as bem
E elas dão-me o tom para a canção…
Dão-me também o ritmo em seu vaivém
E trazem-me a paz ao coração.

Se estou só, com saudades, sei porém
Que querias partilhar a ocasião
E que a espera é curta, creio bem,
Até eu ter na minha a tua mão.

Deixo a voz espraiar-se, neste canto,
Neste extenso areal, praia vazia…
Voa com as gaivotas que espanto.

Pois se o mar me traz melancolia,
Na alma sobrevive um doce encanto…
E na memória há risos de alegria.

Parabéns para a associação de jovens A Tulha pelas dezasseis edições do festival e pelo profissionalismo colocado em cada uma das edições. Pela minha parte, estou disponível para continuar a colaborar com mais poemas, para juntar aos cinco que já foram dados a conhecer na voz dos jovens que têm aceitado emprestá-la aos meus textos.

Nesta edição apresentei também a canção Esta casa, cujo texto pode ser lido aqui.

As fotos são do Filipe Bola.

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