Evocando Sebastião da Gama

Agora que as aulas acabaram e o ritmo baixa um pouco, volto ao blogue, para dar destaque a um evento, sobre a poesia de Sebastião da Gama, que vai decorrer na Biblioteca Municipal de Aveiro, dia 18 de junho, pelas 21:30, para o qual fui convidado pela amiga Cacilda Marado, uma das promotoras.
Deixo-vos com um poema do autor, a que se segue o convite / cartaz do evento:

Somos de barro

Somos de barro. Iguais aos mais.
Ó alegria de sabê-lo!
(Correi, felizes lágrimas,
por sobre o seu cabelo!)

Depois de mais aquela confissão,

impuros nos achámos;
nos descobrimos
frutos do mesmo chão.

Pecado, Amor? Pecado fora apenas

não fazer do pecado
a força que nos ligue e nos obrigue
a lutar lado a lado.

O meu orgulho assim é que nos quer.

Há de ser sempre nosso o pão, ser nossa a água.
Mas vencidas os ganhem, vencedoras,
nossa vergonha e nossa mágoa.

O nosso Amor, que história sem beleza,

se não fora ascensão e queda e teimosia,
conquista… (E novamente queda e novamente
luta, ascensão… ) Ó meu amor, tão fria,

se nascêramos puros, nossa história!


Chora sobre o meu ombro. Confessámos.

E mais certos de nós, mais um do outro,
mais impuros, mais puros, nós ficámos.

in Pelo sonho é que vamos, de Sebastião da Gama

Sebastião da Gama

Ainda recentemente, na feira do Livro de Aveiro, e também a convite da Cacilda, estive num evento semelhante em torno da poesia de Miguel Torga e gostei de declamar e de ouvir a poesia daquele que é o meu autor de eleição.

Outro poema de Sebastião da Gama pode ser encontrado no meu blogue, clicando na primeira das imagens seguintes.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

brincar 2 parque-infantil MV O riocorria calmo Pássaro da cabeça

ou ir para o início.

Anúncios

Dois poemas no Dia Mundial da Poesia

Ainda na sequência do Dia Mundial da Poesia deixo-vos com dois dos poemas do livro “Um Olhar…” declamados na “Comunidade de Leitores da BMI” no Dia Mundial da Poesia. Gravação feita por Fernando Borges da Rádio TerraNova e recortados do podcast em www.terranova.pt.

O texto dos poemas podem ser encontrados aqui no blogue em: A tua luz e Metapoema, ou clicando nas duas primeiras imagens (miniaturas abaixo).

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Olho 3.png olhar O poema Ondas da memória 2 Com e sem rede Prioridades 2

ou ir para o início.

 

 

Aquele traço de escrita,de Adelina Barradas

Na sequência do artigo anterior, deixo-te, caro leitor, com outro poema de Adelina Barradas. Um entre vários de que gostei. A imagem é também a que a autora escolheu para acompanhar o seu poema. Não conheço a autora, mas os seus poemas têm uma sensibilidade que me toca. Clicando no título do poema podes aceder ao poema no seu blogue.

 

Aquele traço de escrita

 

Vieira da Silva .jpg

 

Os poetas têm no gesto
aquele traço lento da escrita
Como se dançassem nas letras
Ou pendurassem os pensamentos no olhar das palavras

 

Não sabem o que vão escrever
Mas escrevem
As mãos pegam nas palavras e escrevem

 

Os olhos ficam em espera
Como se o pensamento nem ditasse a forma

 

Os poetas têm aquele gesto lento
De quem guarda um segredo que não sabe

 

O gesto lento de quem espera
Mesmo que a espera seja já ali
ou só na eternidade.
ACCB

 

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Olho 3.png O poema Biografia Torga trabalho infantil 2  Decantação 2

ou ir para o início.

Sophia de Mello Breyner Andresen, por Adelina Barradas

Mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma.

.
Adelina Barradas de Oliveira in https://cleopatramoon.blogs.sapo.pt/
.
Este poema, vim a saber quase três anos depois de o ter partilhado no meu blogue pela primeira vez, não é de Sophia. Tal facto não lhe retira qualquer mérito.
A autora é Adelina Barradas de Oliveira e a enorme divulgação deste poema teve por base um equívoco – o poema foi publicado em 2009 sob o título Sophia de Mello Breyner Andresen no blogue da autora e copiado por visitantes como se fosse de Sophia. O tornar-se viral, na minha modesta opinião, resulta obviamente do nome que lhe associaram, mas também (e sobretudo) da beleza do poema. Por alguma razão o escolhi para iniciar um dos capítulos do meu livro “Um Olhar…” 
Eu que já tive que reclamar a autoria de um poema, que começava a aparecer como sendo de um autor conhecido, entendo bem como estas coisas acontecem.
Do modo possível, desejo dar os créditos a quem de direito. Parabéns à autora pela beleza das palavras, inspiradas em Sophia.
A resolução deste equívoco teve o efeito secundário interessante de chamar a atenção sobre a escrita desta poetisa (e juíza de profissão). Não terá uma obra à dimensão de Sophia, mas tem alguns poemas de inegável valor e tem direito a sentir-se tão chocada, como eu fiquei, com o infeliz comentário de um “especialista” que afirmou (depois de saber que não era de Sophia) que, pela suposta falta de qualidade, não poderia ser dessa autora.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

olhar Aventura2 Planta de Junco    Apelo aos amigos 

ou ir para o início.

Bote (ou dóri)

A propósito de muitas dúvidas que têm andado nas redes sociais sobre o que é um “dóri” (os gafanhões sempre usaram mais a palavra “bote”), aqui vão duas fotos do bote 7 do “Novos Mares” que está na praça St. Jonh’s, na Gafanha da Nazaré e um poema que lhe dediquei e que consta do livro que hoje, pelas 16 horas, vou apresentar na Biblioteca Municipal de Ílhavo, e para a qual o convite segue, explícito.

Bote 1

Bote

Trocaste o azul pelo verde de um relvado
Em homenagem oca às velhas glórias
– Epopeias de gentes piscatórias –
Ao barco por inércia afundado

Se o navio acabou desmantelado
Os bocados, os botes, as histórias
São fragmentos de vida e de memórias
Do “Novos Mares” – orgulho do passado

O tempo para ti trouxe mudanças
Em vez de bacalhau já só carregas
O sabor agridoce das lembranças

Venceste tempestades e escolhos
Agora fixo ao chão, já só navegas
No azul esverdeado dos meus olhos.

Na fotografia ainda disfarça, mas o estado do bote está muito longe do desejável, a precisar urgentemente de restauro, que a não ocorrer vai obrigar a uma “requalificação”.

Bote 2

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Olho 3.png olhar O poema Aventura2  Hélder Ramos

ou ir para o início.

Reportagem sobre o lançamento de “Um Olhar…

O Professor Fernando Martins fez uma bela reportagem do lançamento do meu livro “Um Olhar…”. Vi-o a tomar notas no seu bloco e sabia que ia sair uma notícia de qualidade. Quem sabe sabe. Na ocasião pude referir o muito que com ele pude aprender sobre jornalismo, nos anos em que colaborei no jornal Timoneiro e nunca é demais repetir. Foi, para mim, um mestre muito importante.

JA3

João Alberto Roque e Hélder Ramos

Tinha pensado colocar o seu texto também no meu blogue e pedi-lhe autorização, que foi concedida, mas pensando melhor, coloco apenas a ligação ao seu blogue “Pela Positiva” para que os leitores de “infantilidades” possam ir “beber à fonte”.

A foto é do Professor Fernando Martins, num momento da intervenção do professor de português e poeta Hélder Ramos.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

  Hélder Ramos Decantação 2 Aventura2 Planta de Junco

ou ir para o início.

O Poema

Uma amiga (Ana Paula Simões), a quem agradeço a divulgação da minha poesia, publicou no facebook “O Poema” retirado do meu livro “Um Olhar…” e eu optei por colocá-lo também aqui no blogue, onde o tempo passa mais devagar e é mais fácil de encontrá-lo, nem que seja daqui a vários anos.

Na procela

O Poema

Uma frase é o ponto de partida
Palavras são a frágil caravela 
Mas eu, cheio de medo, embarco nela
Sabendo que a viagem é só de ida

O poema tem sabor a despedida
Então respiro fundo e iço a vela
Não quero calmaria, mas procela 
A rota sempre é desconhecida

Estou ferido e esse é um bom presságio
Sei bem que o que me espera é o naufrágio
Mas quando tudo acalma ainda vivo

E sei que descobri a ilha rara
A praia que descansa e que sara
E cujo horizonte é lenitivo.

A imagem foi colhida em https://refugeofthewild.tumblr.com/image/119364905174

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Ondas da memória 2 olhar Com e sem rede Olho 3.png cerejas Um olhar

ou ir para o início.