No dia Mundial da Criança

No dia Mundial da Criança resolvi voltar à matriz inicial deste blogue e colocar um texto escrito há muitos anos, enquanto a minha filha mais nova brincava num parque infantil, numa zona muito movimentada da cidade. Ainda bem que não tinha uma máquina fotográfica e tive que tirar a “fotografia” num poema.

Instante feliz

Nos teus olhos, minha filha
Nos teus olhos, brilha
Uma felicidade genuína
Que só se tem quando se é
Assim, como tu, pequenina.

Outros meninos e meninas,
Crianças também pequeninas,
Alheios a tudo, brincam.
Dos adultos que passam
Muitos nem sequer olham.

Estando ali atento, vigilante,
Reparei a certo instante
Em algo belo, enternecedor:
Um casal jovem que passava
Parou, a olhar-vos com amor.

Naquele olhar tão puro,
Quantos projetos de futuro.
Pensei eu, que assisti.
Tanta felicidade cativa
E, simplesmente, sorri.

A foto não é aquilo que procurava, até porque as crianças na situação presenciada eram bastante mais pequenas, mas é a possível… e é interessante.

criancas num parque infantil

Imagem colhida em http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2013/01/dicas-de-atividades-para-fazer-em-casa-com-as-criancas

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Lugares e Palavras de Natal

A mais bela prenda

De forma inesperada, recebi um convite para enviar um texto para uma coletânea de Natal, organizada pela Lugar da Palavra Editora. Apesar de um pouco renitente, acabei por enviar um texto escrito em 2009 e que já conheces pois faz parte destas infantilidades desde 2014, embora numa versão mais curta (mesmo a versão agora publicada teve que levar alguns cortes para caber nos critérios definidos pela editora).

A primeira reação dos editores foi muito simpática e venceu as minhas resistências. Acabou selecionado e publicado. Neste sábado, no Porto, decorreu a apresentação do livro. Gostei da experiência e, “se a tanto me ajudar o engenho e a arte”, como diria o poeta, no próximo ano voltarei a participar.

Para ler o meu texto podes adquirir a coletânea à editora, ou ler aqui.

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Uma surpresa agradável em mp3

Um dos textos que tem tido melhor aceitação junto dos leitores do blogue “Infantilidades” é “Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto”. Já foi publicado por diversos sites interessantes, foi levado ao palco, em projetos com diferente qualidade, foi lido em escolas e associações culturais, …

Encontrei-o agora na Internet sob formato audio mp3, com linda pronúncia brasileira, num projeto muito meritório: «O projeto Purpurinar visa difundir o conhecimento a deficientes visuais através de arquivos de áudios gravados por voluntários ou “ledores virtuais”.»

Neste caso, a  voluntária Kamila Vieira da Silva adicionou-o à lista de literatura infantil do Projeto Purpuinar.

Gostei de ouvir a história na voz da Kamila e sensibilizado por a fazerem chegar a pessoas que de outra forma não poderiam conhecê-la.

Obrigado por darem brilho à minha história com as vossas “purpurinas”.

Quem puder ler, pode encontrar o texto no meu blogue em: Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto

Se preferirem fazer o dowload do mp3, encontram-no em inúmeros sites especializados, como aquiaqui ou aqui

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Uma história de Natal

A mais bela prenda que o menino recebeu

– Uma história de Natal

Aquela era uma noite muito fria. A pequena aranha estava encolhida numa trave que suportava o telhado esburacado do velho barracão que servia de estábulo a uma vaca.

Nessa noite havia mais três ocupantes – um casal e o burro que transportara a mulher.

Pouco depois a mulher deu à luz. Dar à luz era mesmo a expressão mais adequada pois, no exato momento em que o menino nascia, no céu surgia uma luz nova: uma estrela mais brilhante do que as outras que cintilavam na noite.

Havia também uma música – parecia o som de muitas flautas – que a aranha nunca tinha ouvido. Seria o vento a assobiar entre os ramos das árvores e os buracos do telhado?

Os pastores das redondezas vieram ver o que havia naquele estábulo e merecia estes sinais do céu. Enternecidos com o que viam, deixaram algumas prendas: mantas feitas com a lã das suas ovelhas, que eles próprios usavam para se protegerem do frio da noite. A aranha teve pena de nada ter para oferecer.

Na completa escuridão, a chuva caía por um buraco e batia nas traves, molhando tudo.

A aranha podia abrigar-se noutro local. Era mesmo o que ia fazer quando reparou que quem estava lá em baixo não tinha como escapar aos salpicos. Tinha descoberto a prenda que podia dar ao menino…

Escolheu o local em que o telhado estava mais roto, por onde entravam grossos pingos de chuva e o vento frio assobiava. A cortina de fios ia crescendo e começava a cumprir o seu papel…

A aranha continuava na sombra a trabalhar, com a mestria das suas oito patas, os finos fios que prendia ora no telhado ora nas traves mais distantes. Era um trabalho paciente, demorado.

O menino pareceu perceber o esforço que a aranha fazia para lhes dar mais conforto e levantou o bracito num aceno de agradecimento.

Nesse momento, pela abertura do telhado, entrou a luz da nova estrela que surgira no céu. Uma luz fraca, mas que fez brilhar os fios que a aranha ia tecendo numa linda teia.

José e Maria, extenuados pela longa viagem e pela infrutífera procura de alojamento condigno na cidade de Belém, já dormiam. Só o menino, o burrito e a vaca puderam assistir, deslumbrados, à magnífica obra de arte feita pela inspirada aranha.

A aranha trabalhara quase dois dias sem parar, mas o sorriso do menino tinha sido recompensa suficiente para o seu esforço.

Passados uns dias, chegaram a Belém uns estranhos viajantes, guiados pelos sinais dos céus. Os visitantes eram homens sábios e ricos que viram na nova estrela a indicação de que nascera o Messias esperado, e dirigiram-se ao velho estábulo – um local inesperado para o nascimento de tão importante personagem.

Deixando as numerosas comitivas que os acompanhavam, os reis desceram dos seus enfeitados camelos e cavalos e entraram no estábulo.

Os reis magos traziam belos presentes: ouro, incenso, mirra… e exibiam-nos. A pobre aranha nem sabia o que era aquilo, mas percebia que era algo valioso. Estava contente por aquele menino receber tão ricas prendas, de homens tão poderosos e tão sábios que vieram de tão longe guiados pela estrela, mas, ao mesmo tempo, um pouco triste por não ter mais para oferecer ao menino que a sua teia feita com aqueles fios sem qualquer valor.

Também percebia que os reis ofereciam aqueles presentes para mostrar a sua própria importância… e ela era só uma pequena aranha.

O menino era também pequenino, mas muito, muito especial. Parecendo perceber o que ia no coração daqueles reis, o que queriam mostrar com aquelas prendas; entendendo o que a aranha sentia, levantou o bracito, a apontar o alto. Os olhos de todos levantaram-se ao mesmo tempo que as nuvens se abriam e a luz entrou, mais viva do que antes, pelo teto esburacado. Ouviu-se um coro de espanto ao verem a teia toda iluminada… pequenas gotas de água refletiam a luz… um espetáculo nunca visto.

– Nem a mais prendada bordadeira do meu reino era capaz de fazer um bordado tão belo. – disse um dos reis.

– Nem a melhor tecedeira faria tão fino tecido. – acrescentou outro.

– Nem o melhor dos meus ourives faria tão valiosa filigrana. – completou o terceiro.

Após uns momentos de admiração, os três sábios, em coro, concluíram:

– Este menino é verdadeiramente filho de Deus!

Os reis magos foram embora, mas nunca mais esqueceram tudo o que viram…

 

Desde esse tempo, os amigos de Jesus jamais deixaram de iluminar o Natal com imensas luzes, longos fios entrançados cheios de pequenas lâmpadas, iluminações com muitas formas e cores, mas… nenhuma iguala, em beleza e graciosidade, aquela teia de aranha.

Teia 2

Quando em 2009 pensei em colocar algo no blogue pelo Natal apercebi-me que nunca tinha escrito uma história de Natal. Foi dessa constatação que nasceu o conto que agora reduzi significativamente para ser publicado no Jornal Timoneiro. Foi apresentada, também este ano, na atividade “Chá de Letras” subordinada ao tema “Natal”, com alunos do sétimo ano e respetivos encarregados de educação. A nova dimensão do conto tornou viável ser publicado também neste blogue.

Em tempos, sonhei publicar um livro, mas sem ilustrações a condizer não fazia sentido. Quem sabe um dia a versão mais longa venha a ser publicada.

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O pássaro da cabeça

Imagem

Sou o pássaro que canta

dentro da tua cabeça,

que canta na tua garganta,

 que canta onde lhe apeteça.

 

Sou o pássaro que voa

dentro do teu coração

e do de qualquer  pessoa

(mesmo as que julgas que não).

 

Sou o pássaro da imaginação

que voa até na prisão

e canta por tudo e por nada

mesmo de boca fechada.

 

E esta é a canção sem razão

que não serve para mais nada

senão para ser cantada

quando os amigos se vão

 

e ficas de novo sozinho

na solidão que começa

apenas com o passarinho

dentro da tua cabeça.

Manuel António Pina
in O pássaro da cabeça

Manuel António Pina está em destaque na Biblioteca da minha escola…

Deixo-vos com um dos seus poemas de que que gosto muito, retirado do livro a que dá título, numa edição da Quasi, de onde retirei também a imagem que acompanha. A foto possível, tirada com o telemóvel e trabalhada ligeiramente.

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Mãe

Dedicado a todas as mulheres que merecem o nome enorme de “Mãe”

Mãe

Já corre com os ponteiros

Ainda é madrugada

Em labuta diligente

É a única acordada

Naquela casa dormindo

Com tanto para fazer

Antes de ir para o emprego

O tempo tem que render

Acorda filhos… marido

Com o sono ainda tonto

Deixa os pequenos entregues

E chega antes do ponto

Dá um pulinho a casa

Quando é hora de almoçar

Come sozinha à pressa

antes do filho chegar

Deixou-lhe tudo já pronto

Preparou-lhe a refeição

E vai olhando o relógio

Não quer ouvir do patrão

Chega a casa cansada

Traz pela mão a miúda

Tem que lembrar os trabalhos

E ver se ela estuda

O recado da escola

Deixou-a preocupada

Diz que a filha precisa

De ser mais acompanhada

E o mais novo faz birra

Como a pedir atenção

Acaba fazendo uns riscos

No caderno do irmão

Tem mesmo que intervir

Para o ambiente serenar

Acaba com a discussão

E vai fazendo o jantar

Entre gestos maquinais

Vai espreitando a novela

Queria ser como a atriz

Sonha com a vida dela

Tratou do banho dos filhos

E o jantar está servido

Já está tudo mais calmo

Quando chega o marido

Finalmente conseguiu

Enfiar todos na cama

O pequeno pede a história

E que lhe vista o pijama

Senta-se um breve momento

Embevecida a olhar

Eles dormem e há paz

Vale a pena apreciar

Pensou na louça e fez

O encanto desaparecer

Está na hora de dormir

E o que ainda tem para fazer.

João Alberto Roque

Esta é uma história em verso (não propriamente um poema) que escrevi há mais de uma dúzia de anos (estava na “gaveta” desde o dia 5 de Janeiro de 2001). Hoje lembrei-me de a colocar no blogue… podia tê-lo guardado mais uns meses e publicá-lo em Maio, a propósito do “Dia da Mãe”, mas acho que concordarão comigo se afirmar que todos os dias são Dia da Mãe.

A ilustração, que encaixa tão bem no meu texto, foi encontrada aqui, no blogue Ilustrações, desenhos e outras coisas de Ana Oliveira.

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    Cecília e SissiMV    Receitada pelo médico 

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Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Um dos meus textos de que gosto particularmente é

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas Podem lê-la em:

http://www.liberarti.com/schede.cfm?id=1075&Uma_historia%85_a_feijoes_ou_um_fundo_de_verdade_num_inverosimil_conto_de_fadas

Os leitores mais habituados à minha escrita já não devem estranhar a extensão dos meus títulos.

Foi selecionada para publicação (em Português e também em Italiano) num concurso de um site italiano, com uma secção dedicada a Portugal e Brasil. O contrato é para e-book, mas havendo a hipótese de ser também em papel.

Por enquanto, ainda está disponível para leitura no site indicado acima. É um bónus aos fiéis visitantes.

 

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