Miguel Torga – Vida e Obra – A Voz do Chão

Encontrei um sítio interessante para quem quiser conhecer melhor a vida e obra de Miguel Torga. Permite ler muitos poemas “em papel”, sem as malfadadas gralhas que teimam em aparecer em tantos sítios. Qualidade garantida pelo Serviço de Gestão de Conteúdos Digitais da Biblioteca Nacional de Portugal.

Site Torgahttp://purl.pt/13860/1/antologia.htm

Conheçam um nomes mais importantes da literatura portuguesa do século XX e… desfrutem.

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“Junco” e “Regresso” de Miguel Torga

Na biblioteca da minha escola, Miguel Torga é o autor do mês. Lembrei-me, por isso de um poema que escrevi em tempos, inspirado nele.
“Torga é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo” (in wikipedia) e que Adolfo Correia da Rocha usou no seu pseudónimo.

Aqui pelas minhas bandas os desafios às plantas são outros e o junco é uma planta extraordinária: suporta grandes variações de salinidade, estar periodicamente submersa pela água salgada, criar raízes num substrato pouco estável…

Dois poemas com sessenta anos entre eles.

Deixo-vos com o meu…

Junco Planta

Junco

Queria as tuas raízes

Tão fortes, que me firmassem

Em convicções de granito

Pois, torga, eu acredito

Que é dessa cepa que nascem

Grandes homens e países.

 

Mas eu nasci junto ao mar

Tenho as raízes na areia

Nas variações da maré.

Adaptei-me, é o que é:

Sopra o vento, o mar volteia…

Aprendi a balançar.

João Alberto Roque

E, de Miguel Torga, o…

Regresso

 

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, na distância!

 

Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.

 

Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso.

Miguel Torga

 São Martinho de Anta, Natal de 1951

Torga planta

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Biografia – Miguel Torga

 Sonho, mas não parece.

Nem quero que pareça.

É por dentro que eu gosto que aconteça

A minha vida.

Íntima, funda, como um sentimento

De que se tem pudor.

Vulcão de exterior

Tão apagado,

Que um pastor

Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,

Frutos do sonho e dessa mesma vida,

É quase à queima-roupa que os atiro

Contra a serenidade de quem passa.

Então, já não sou eu que testemunho

A graça

Da poesia:

É ela, prisioneira,

Que, vendo a porta da prisão aberta,

Como chispa que salta da fogueira,

Numa agressiva fúria se liberta.

Miguel Torga

 

Deixo-vos com este poema do Miguel Torga. Porquê? Porque sim. É dos meus poemas preferidos e não só entre os do poeta.

Imagem encontrada em http://andersonalsan.blogspot.pt/2013/07/vinte-minutos.html

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Brinquedo – Miguel Torga

Brinquedo

Estrela de papel

Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de papel,

um cordel

e um menino de bibe.

.

O menino tinha lançado a estrela

com ar de quem semeia uma ilusão;

E a estrela ia subindo, azul e amarela,

presa pelo cordel à sua mão.

.

Mas tão alto subiu

que deixou de ser estrela de papel.

E o menino, ao vê-la assim, sorriu

e cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga

 
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Receitada pelo médico

Prefiro escrever
Quando estou feliz.
E assim a alegria,
O carinho, o amor,
A esperança, a paz, …
Transbordam da vida
Enchem o poema.

E nos dias tristes?
Podes perguntar.


Nos dias tristes aceito
A sugestão de um amigo
Quando, já adivinhando,
Me dedicou um poema
(a mim… e a ti também)

E ele era médico
(Nas horas que a poesia
Lhe deixava vagas)
Sabia o que dizia.

Receitou-me poesia
Para tomar sempre
Que não estiver bem.

Então, se estou mal
No meu coração,
Se estou irritado, …,
Como um xarope,
Leio um poema
Alegre, feliz,
Depois outro e outro

E esqueço as dores.
Ilumina as sombras
Que trago na alma,

E regressa a calma
E regressa a paz.

Será um placebo?
Não sei se faz bem
(Parece que sim)
Mal é que não faz!

Este texto já foi publicado no blogue de uma amiga que defende o puder curativo das palavras. Até parecia mal não estar disponível no meu próprio blogue.

A inspiração veio-me de “Um poema” de Miguel Torga, que tive o gosto de apresentar à Neusa. Para quem não saiba (haverá alguém?) Miguel Torga é o pseudónimo literário de Adolfo Correia da Rocha, médico otorrinolaringologista, que foi uma dos maiores vultos da literatura nacional do século XX.

 

Um poema

Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…

Miguel Torga

Ligações ao blogue da Neusa “as coisas falam se as soubermos ouvir” e aos artigos referidos sobre a terapia poética:

http://arianasoares.wordpress.com

http://arianasoares.wordpress.com/2012/08/29/terapia-poetica-parte-i/

http://arianasoares.wordpress.com/2012/09/01/terapia-poetica-parte-ii/

A imagem que ilustra este post foi retirada de:

http://compartimentosecretopara.blogspot.pt/2011/09/invitation-au-voyage.html

 

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