Uma aventura no mar

Era uma vez uma pescada, uma tartaruga, um caranguejo e uma estrela-do-mar, que viviam entre algas e rochedos.

Numa manhã de maré-baixa, um peixe que nadava calmamente nas águas profundas do mar acordou a pescada.
– Bom dia, pescada. – disse a tartaruga, à amiga que tinha acabado de acordar.
– Olá, como estás? – inquiriu a pescada.
– Eu estou bem, estive a arrumar a minha casa.
A pescada foi procurar a sua amiga estrela-do-mar. Decidiu então ir a sua casa. Quando lá chegou, bateu à porta e a amiga abriu.
– O que estás a fazer? – perguntou a pescada.
– Estou a enfeitar-me para ficar bonita. – disse ela.
– Oh, estrela-do-mar, tu estás sempre com a mania de querer brilhar.
Entretanto, chegou o caranguejo, excitado.

http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/44283-caranguejo-da-praia.htm

– Vocês nem acreditam no que me aconteceu: eu estava na praia de areia fina banhada pelo mar, quando um rapaz me apanhou e me meteu num balde. Ele queria levar-me, mas eu belisquei-o e saí do balde.

O caranguejo foi para casa, descansar de tantas aventuras que naquela manhã tinha vivido.

A pescada estava a brincar com a estrela-do-mar, quando ouviram alguém a chorar.

Foram ver o que se passava e viram então uma carpa de escamas vermelhas e brilhantes, que chorava tristemente.

Perguntaram à carpa por que razão estava a carpir assim, e ela respondeu:

– Eu choro porque a minha amiga foi pescada por um barco muito grande.

Como a estrela-do-mar e a pescada não tinham mais nada para fazer, quiseram ajudar.

Nadaram até um cais, subiram à superfície, e procuraram o tal barco, até que o avistaram. Era muito grande e branco. Tinha presa uma rede enorme, onde estava a amiga da carpa. Ela estava aflita e tentava libertar-se.

Foram as três tentar romper a rede, até que a pescada teve a ideia de ir chamar o caranguejo.

Nadou até casa do amigo e pediu-lhe ajuda. Ela aceitou e lá foram os dois.

Quando lá chegaram, o caranguejo cortou as redes com as suas tenazes e a carpa conseguiu sair.

As carpas agradeceram-lhes e o caranguejo voltou para casa. A pescada e a estrela-do-mar ficaram cheias de curiosidade e foram a nadar, cada vez até mais longe. Enquanto nadavam distraídas, quase eram pescadas pela rede do tal barco grande, se um peixe que estava a passar não as tivesse avisado.

– Ai, quase ias sendo pescada! – disse a estrela-do-mar.

– Mas, estrela-do-mar, eu já sou pescada. – disse ela confusa.

Assustadas, nadaram rapidamente até ao lugar onde moravam, entraram em casa e foram dormir.

No dia seguinte, o caranguejo acordou bem cedo e foi para a praia. Esta estava deserta e ele deixou-se ficar deitado a aproveitar o sol e o calor. Ficou por lá durante um bocado até que acabou por adormecer.

Entretanto, não muito longe dali, a estrela-do-mar que já tinha acordado estava a nadar no mar, já depois de se ter enfeitado. Nadava a grande velocidade e contornava rapidamente as rochas e rochitas que por lá havia.

A certa altura viu as suas duas amigas carpas que vinham avisá-las, a ela e à pescada, que o seu cardume tinha decidido ir embora.

A estrela-do-mar foi chamar a dorminhoca da pescada que ressonava levemente, deitada na cama.

Ela acordou e disse-lhe o que se passava. A pescada ficou muito triste.

A pescada quis ir despedir-se da Carpa, preparou-se e nadou até lá.

Quando a pescada lá chegou perguntou-lhe por que é que ela ia embora e a carpa disse que no sítio onde viviam havia muitos pescadores e elas não queriam ser pescadas.

A tartaruga estava a chegar de um passeio na praia e contou as novidades:

– Fui à praia para por ovos mas estava lá muita gente.

– E qual é problema? – perguntou a estrela-do-mar.

– Não quero que os meus ovos acabem numa omelete.

– E o que é que vais fazer? Não me digas que também te vais embora. – disse a pescada, preocupada

– Tenho que encontrar uma praia deserta.

– Falaram-me de uma aqui perto. Foi o caranguejo que depois de uma aventura arriscada resolver procurar um sítio mais calmo. – afirmou a estrela-do-mar.

– Por falar no caranguejo, aí está ele. – informou a tartaruga.

– Ouvi a vossa conversa… há uma praia pequenina entre arribas onde se pode dormir descansado sem ninguém vir incomodar. Eu depois digo-te onde é.

E assim os quatro amigos – a pescada, a tartaruga, o caranguejo e a estrela-do-mar – continuaram juntos e felizes entre algas e rochedos.

Cecília Roque

Como o pai anda com pouco tempo para escrever e alguma falta de inspiração, escreveram os filhos… e ambos ganharam (nos respectivos escalões – a Cecília no 1º Ciclo e o David no 3º ) o X Concurso Literário Jovem, organizado pela Câmara Municipal de Ílhavo.

Este texto é o da Cecília. A minha filha passou de personagem das minhas histórias… a autora das suas. 

Ganhou o primeiro prémio e espero que tome o gosto da escrita. Da leitura já tem… Eu que acompanho o seu percurso, sei que houve aqui influência dos “Contos da Mata dos Medos” do Álvaro de Magalhães, um livro que ela tinha lido há pouco. 

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Teatro  Cecília e Sissi

ou ir para o início.

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