O mar dos meus olhos – Sophia

Neste dia deixo-vos com um belo poema, especialmente dedicado às mulheres.

Mar

O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
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A música do ser

Povoa este deserto

Com sua guitarra

Ou com harpas de areia

 

Palavras silabadas

Vêm uma a uma

Na voz da guitarra

 

A música do ser

Interior ao silêncio

Cria seu próprio tempo

Que me dá morada

 

Palavras silabadas

Unidas uma a uma

Às paredes da casa

 

Por companheira tenho

A voz da guitarra

 

E no silêncio ouvinte

O canto me reúne

De muito longe venho

Pelo canto chamada

 

E agora de mim

Não me separa nada

Quando oiço cantar

A música do ser

Nostalgia ordenada

Num silêncio de areia

Que não foi pisada

 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia, 1967,

Este poema de Sophia saiu hoje no exame de Português do 12º Ano. Aqui fica ele para ser saboreado… sem mais complicações.

Escusado será dizer que me inspirou a escrever… mas isso fica para quando calhar.

Imagem – http://www.royalclassics.com/files/actividades_557.jpg

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