“Infância Perdida” de Mia Couto?

11 de junho

Num espaço no facebook de um banco moçambicano, encontrei o meu poema “Infância perdida” publicado como se tivesse sido escrito por Mia Couto. E assim se começa uma bola de neve que pode ser quase imparável. É mais fácil recolher “gostos”, “partilhas” se tiver um nome famoso por baixo, mas o seu a seu dono. Mia Couto não ia gostar de ver o seu nome associado a um poema que não escreveu. Coloquei um comentário, alertando para a situação. Espero que resolva.
Para ser justo, devo usar a mesma brevidade a informar que já foi feita a alteração. Fui informado de que, na pesquisa na internet, aparece com sendo de Mia Couto. Como dizia acima, bastou que alguém tenha feito a identificação errada do autor para se tornar uma bola de neve difícil de controlar.

Publicado em 2013, julgo que já é o meu texto mais visualizado no blogue, tendo ultrapassado “Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto“, publicado em 2009. Só neste mês de junho teve 1196 visualizações, o que para um só texto e num blogue deste tipo é de assinalar.

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Soneto de Fidelidade – Vinicius de Moraes

Nas imagens abaixo há ligações a alguns dos meus sonetos, que fui publicando no blogue ao longo do tempo.
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Marginal – Vieira da Silva

Vieira da Silva

Deixo-vos com um poema de António Vieira da Silva, o médico, o poeta e cantor, cujo livro “Marginal” vai servir de base à próxima sessão da “Comunidade de Leitores”.

Deixo ainda o convite a todos… será no dia 24 de maio de 2018, na Biblioteca Municipal de Ílhavo.  

Até gostariam de participar, mas não têm o livro para o ler… Essa desculpa não serve…  o autor disponibiliza-o, completo, na sua página na Internet. Basta clicar em:

http://www.vieiradasilva-ilhavo.com/marginal.pdf

De lá escolhi este poema de rara sensibilidade, ou não trabalhasse numa…

Escola

professor
não tenhas pressa

saí agora de casa
tenho a amarga sensação
de perda não sei de quê
de um regaço
de um abraço
que me ficou na memória

professor
não tenhas pressa
não sou um quadro vazio
já trago dentro de mim
os traços de outras viagens
imaginárias
reais
dos dias da minha história.

Vieira da Silva

Depois de no ano passado, em que decorreu na Gafanha da Nazaré, ter tido sempre por base obras de autores que vivem ou têm uma grande ligação ao concelho, este ano é a primeira vez que se baseia num livro de um autor local.

No dia 24 eu vou lá estar (mais uma vez)… e tu?

 
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Liberdade

Janela aberta 2

Liberdade

 

A poesia

É uma janela aberta à liberdade

Uma falha na segurança

Que aproveito com habilidade

A minha poesia

Fala com frequência

De prisão

De evasão

Poderia dizer-vos

Que nunca estive preso

Mas mentiria

As prisões

Na minha vida são bem reais

Assim como as minhas tentativas

De evasão

Sou prisioneiro

Das minhas limitações

Das minhas faltas de coragem

Das minhas omissões

Mas cada vez que me sinto preso

Penso logo em evadir-me

E aí entra a poesia

Entram os passes de magia

Sou mestre nas ilusões

Sou um malabarista

Um prestidigitador

A poesia permite-me

Um escape à realidade

Para mim a poesia

É uma janela aberta à liberdade

Nela não há mentiras

Mas há muito pouco de verdade.

Hoje, Dia Mundial da Poesia, deixo-vos com um poema que tem a poesia como tema. Escrito em 2005, ainda não tinha saído cá de casa. Hoje abri-lhe a janela e deixei-o voar.

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Pudesse eu

Sophia Mello Breyner Andresen

Hoje, na biblioteca, li alguns poemas de Sophia. Deixo-vos com ela.

Pudesse eu não ter laços nem limites 
Ó vida de mil faces transbordantes 
Para poder responder aos teus convites 
Suspensos na surpresa dos instantes!

Sophia de Mello Breyner Andresen

A imagem colhi-a aqui:
https://lernarede.wordpress.com/2016/01/25/o-nome-das-coisas-sophia-de-mello-breyner-andresen/

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Antologia de Textos premiados no PMJML 2017

Como aqui tinha dado notícia, o meu conto com o título “Apeteces-me tanto” foi distinguido na segunda edição do Prêmio Maria José Maldonado de Literatura e agora publicado numa antologia dos textos premiados nas diferentes categorias a concurso, nas modalidades de conto e poesia.

A antologia está disponível gratuitamente em versão eletrónica na pagina da Academia Volta-redondense de Letras em https://www.avl.org.br/livros ou aqui – Antologia de Textos premiados no PMJML 2017

Prémio Maria José Maldonado 2017

Ainda não li toda a Antologia, mas encontrei já vários textos muito interessantes. A divulgação de textos, por esta via, pode atingir um número significativo de leitores, no Brasil e em Portugal.

Clicando nas imagens abaixo, poderás aceder a artigos sobre alguns dos meus textos publicados em coletâneas, todas selecionados em concursos, à exceção de “enCONTrOS”.

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A censura

Auto-censura

Aos dezassete anos

Já era “poeta”

Mas o que escrevia

Nunca ninguém lia

É que nesses tempos

De boa memória *

A censura atuava

E tudo cortava

Mas isso que importa

Se ficava feliz,

Como alguém que ama,

Ao ler o poema

Mas passados dias

Ou horas apenas

O censor chegava

E nada escapava

Eu era o escritor

E o crítico feroz.

Que grande guerra

Havia entre nós.

O pavor do ridículo

Vencia por fim.

Podia lá ser…

Expor-me assim?

João Alberto Roque
(10 de Novembro de 1999)

* Nota… para não haver lugar a confusões: esses tempos de boa memória são os da juventude, em que a (auto)censura atuava.

Depois de no artigo anterior ter apresentado o primeiro texto da fase de redescoberta da poesia, aqui fica o segundo poema e a nota que escrevi na altura a acompanhá-lo.

Na imagem que criei a partir de um manuscrito obtido na rede, recrio um carimbo da censura dos tempos da ditadura, que acabou tinha eu doze anos.

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