Encontros – coletânea de escrita criativa

Deixem-me hoje falar-vos de um novo livro, com o título “Encontros”, resultado dos trabalhos de um grupo de amigos – A tertúlia Et Quoi. Tem cerca de 270 páginas, com trinta por minha conta.

Em breve, teremos novidades sobre os nossos “Encontros”. A coletânea que andamos a cozinhar há muito está quase no ponto. Em breve será servida aos apreciadores.

Para já deixo-vos com a capa, elaborada pelo Pedro Fontoura sobre uma foto da Olinda Morgado, dois talentosos e multifacetados elementos da nossa tertúlia.

encontros

Quando chegar da gráfica, logos vos enviarei um convite para o lançamento.

No artigo anterior referi a ida ao lançamento da coletânea Lugares e Palavras de Natal. Um fim de tarde agradável. Mas o dia foi todo ele dedicado às palavras e algo mais.

O sábado já tinha começado bem, no que diz respeito ao “coração, cabeça e estômago”. A começar uma agradável moqueca de peixe, confecionada pelo amigo Carlos Corga. Depois das deliciosas sobremesas, passámos aos contos, igualmente deliciosos. Eu contribuí com Três peixes gordos. O desafio era escrever um conto começando pelo início de um conto alheio. A minha escolha recaiu no início do conto Um peixe gordo de Branquinho da Fonseca, do seu livro Bandeira Preta.

Quando acabou a tertúlia literária (e gastronómica) rumei à estação e apanhei o comboio para o Porto, numa decisão de última hora, mas gostei de ter ido participar no lançamento de Lugares e Palavras de Natal.

Gostei ainda da económica e calma viagem de comboio, acompanhado da leitura: na ida de Bandeira Preta e, no regresso, dos contos de Natal da coletânea de que dei conta aqui.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

lugares-e-palavras-de-natal-2 haik Olho 3.png Prisma Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas O riocorria calmo

ou ir para o início.

Lugares e Palavras de Natal

A mais bela prenda

De forma inesperada, recebi um convite para enviar um texto para uma coletânea de Natal, organizada pela Lugar da Palavra Editora. Apesar de um pouco renitente, acabei por enviar um texto escrito em 2009 e que já conheces pois faz parte destas infantilidades desde 2014, embora numa versão mais curta (mesmo a versão agora publicada teve que levar alguns cortes para caber nos critérios definidos pela editora).

A primeira reação dos editores foi muito simpática e venceu as minhas resistências. Acabou selecionado e publicado. Neste sábado, no Porto, decorreu a apresentação do livro. Gostei da experiência e, “se a tanto me ajudar o engenho e a arte”, como diria o poeta, no próximo ano voltarei a participar.

Para ler o meu texto podes adquirir a coletânea à editora, ou ler aqui.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Prisma   Receitada pelo médico Prémio Literário Hernâni Cidade Condeixa 2

ou ir para o início.

Ondas da Memória

O soneto Ondas da Memória, associado a uma melodia também criada por mim e posteriormente complementada com o talento musical dos amigos Aníbal Seco, Rogério Fernandes e Inês Margaça, foi selecionado para o Festival da Canção Vida, organizado pela associação de Jovens A Tulha. Neste sábado, perante a Casa da Cultura de Ílhavo cheia de apreciadores, a canção foi apresentada ao público na bela voz da Beatriz Dores. O grupo incluía ainda o André Marçal, o João Pedro Caçoilo, o Pedro Rocha e o David Roque.

Ondas da memória

Ouço as ondas do mar, ouço-as bem
E elas dão-me o tom para a canção…
Dão-me também o ritmo em seu vaivém
E trazem-me a paz ao coração.

Se estou só, com saudades, sei porém
Que querias partilhar a ocasião
E que a espera é curta, creio bem,
Até eu ter na minha a tua mão.

Deixo a voz espraiar-se, neste canto,
Neste extenso areal, praia vazia…
Voa com as gaivotas que espanto.

Pois se o mar me traz melancolia,
Na alma sobrevive um doce encanto…
E na memória há risos de alegria.

Parabéns para a associação de jovens A Tulha pelas dezasseis edições do festival e pelo profissionalismo colocado em cada uma das edições. Pela minha parte, estou disponível para continuar a colaborar com mais poemas, para juntar aos cinco que já foram dados a conhecer na voz dos jovens que têm aceitado emprestá-la aos meus textos.

Nesta edição apresentei também a canção Esta casa, cujo texto pode ser lido aqui.

As fotos são do Filipe Bola.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Esta casa Dias mais risonhos Um pouco mais Diz sim à vida moliceiro 2 Olho 3.png

ou ir para o início.

O cravo de abril

Cravo

 

Era um cravo vermelho de abril

Coloquei na lapela só a flor

E a haste, com esperança infantil,

Pus no solo e reguei-a com amor

Concretizou-se o sonho pueril

Suportou a secura e o calor

E vi-a renascer primaveril

Quem sabe, ainda este ano, dará flor

Porque abril foi um sonho, esperança

Que ainda só em parte se cumpriu

Mas renasce quando há qualquer mudança…

Passou a tempestade e resistiu

Vou agora, chegada esta bonança,

Lá fora ver se o cravo já floriu.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

  A Primavera  O riocorria calmoPlanta de Junco    Nós somos do mundo   

ou ir para o início.

Hino à Gafanha da Nazaré

SONY DSC

A quem buscava um futuro
Nunca negaste o sustento
Foste um porto seguro
Terra de acolhimento
Foste o cais da partida
Para grandes aventuras
Em epopeia vivida
Sempre em condições tão duras

Nesta língua de areia
Entre a laguna e o mar
Nasceste, pequena aldeia
Que aprendemos a amar
Depois vila, tão formosa,
Embalada pela maré,
Hoje és cidade orgulhosa…
Gafanha da Nazaré

És lugar acolhedor,
Em que escolhemos viver,
Que um povo batalhador
Com trabalho faz crescer
Queremos cantar-te um Hino
Para expressar esta fé:
Mandarás no teu destino…
Gafanha da Nazaré.

João Alberto Roque

 

Escrevi este texto em 2012, quando a ADIG lançou o concurso para um Hino à Gafanha da Nazaré. Estando ligado à organização do concurso, obviamente não podia concorrer, mas podia escrever… e saiu-me assim.

Hoje, numa viagem pelos meus textos, encontrei-o e achei que era uma boa data – feriado municipal – para o dar a conhecer.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

O riocorria calmo  A Primavera  MV
Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas  Apelo aos amigos  

ou ir para o início.

 

Carta de Amor

Alda 1981

Aldinha, meu amor,

Tenho quatro retratos teus
Nas paredes do meu quarto
Que me iludem a saudade
Até ao momento em que parto.

Na brancura da parede
Andava o meu olhar perdido
Teus retratos são o verde
Neste Alentejo ressequido.

Cheguei a pensar até
Que gostava de os ver
Mas mudei de opinião
Ao começar a escrever.

Os retratos são bonitos,
Fica a parede composta,
Mas nada substitui
A pessoa que se ama.

(não rima mas é verdade
E é isso que interessa)
Ainda não sei quando irei
Mas quero ver-te depressa.

Um beijo…

(Cuba, 8 de Outubro de 1985)

Escrevi esta carta de amor tinha 23 anos. Neste dia dos namorados resolvi recuperá-la.
Perdi todos poemas que escrevi na juventude, mas este teve a sorte de ser guardado por alguém mais organizado que eu…

Escrita num tempo em que não havia correio eletrónico ou SMS, a carta lá seguiu, pelo correio, desde a Cuba até Vouzela… onde estávamos a começar o ano letivo, o primeiro depois do estágio. Para estarmos juntos, fazíamos quase mil quilómetros em cada fim-de-semana. Só a minha parte eram 860 km e 14 horas de viagem.

Trinta anos depois, sabe bem relê-la e recordar tudo isso.

Diz o poeta:

“Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas. “

o que vale é que eu estou numa idade em que isso já não me preocupa e concluo como o poeta:

“Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas. “

(extractos de Todas as cartas de amor são ridículas  – Álvaro de Campos – Heterónimo de Fernando Pessoa)

Aos leitores do meu blogue, um feliz dia dos namorados.

 

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Nós somos do mundo    Em busca de identidade

Receitada pelo médico    Prémio Literário Hernâni Cidade  

ou ir para o início.

Miguel Torga – Vida e Obra – A Voz do Chão

Encontrei um sítio interessante para quem quiser conhecer melhor a vida e obra de Miguel Torga. Permite ler muitos poemas “em papel”, sem as malfadadas gralhas que teimam em aparecer em tantos sítios. Qualidade garantida pelo Serviço de Gestão de Conteúdos Digitais da Biblioteca Nacional de Portugal.

Site Torgahttp://purl.pt/13860/1/antologia.htm

Conheçam um nomes mais importantes da literatura portuguesa do século XX e… desfrutem.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Receitada pelo médico Planta de Junco   Biografia Torga Brinquedo - Miguel Torga

ou ir para o início.