Dois poemas no Dia Mundial da Poesia

Ainda na sequência do Dia Mundial da Poesia deixo-vos com dois dos poemas do livro “Um Olhar…” declamados na “Comunidade de Leitores da BMI” no Dia Mundial da Poesia. Gravação feita por Fernando Borges da Rádio TerraNova e recortados do podcast em www.terranova.pt.

O texto dos poemas podem ser encontrados aqui no blogue em: A tua luz e Metapoema, ou clicando nas duas primeiras imagens (miniaturas abaixo).

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Sophia de Mello Breyner Andresen, por Adelina Barradas

Mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes…
e calma.

.
Adelina Barradas de Oliveira in https://cleopatramoon.blogs.sapo.pt/
.
Este poema, vim a saber quase três anos depois de o ter partilhado no meu blogue pela primeira vez, não é de Sophia. Tal facto não lhe retira qualquer mérito.
A autora é Adelina Barradas de Oliveira e a enorme divulgação deste poema teve por base um equívoco – o poema foi publicado em 2009 sob o título Sophia de Mello Breyner Andresen no blogue da autora e copiado por visitantes como se fosse de Sophia. O tornar-se viral, na minha modesta opinião, resulta obviamente do nome que lhe associaram, mas também (e sobretudo) da beleza do poema. Por alguma razão o escolhi para iniciar um dos capítulos do meu livro “Um Olhar…” 
Eu que já tive que reclamar a autoria de um poema, que começava a aparecer como sendo de um autor conhecido, entendo bem como estas coisas acontecem.
Do modo possível, desejo dar os créditos a quem de direito. Parabéns à autora pela beleza das palavras, inspiradas em Sophia.
A resolução deste equívoco teve o efeito secundário interessante de chamar a atenção sobre a escrita desta poetisa (e juíza de profissão). Não terá uma obra à dimensão de Sophia, mas tem alguns poemas de inegável valor e tem direito a sentir-se tão chocada, como eu fiquei, com o infeliz comentário de um “especialista” que afirmou (depois de saber que não era de Sophia) que, pela suposta falta de qualidade, não poderia ser dessa autora.

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Bote (ou dóri)

A propósito de muitas dúvidas que têm andado nas redes sociais sobre o que é um “dóri” (os gafanhões sempre usaram mais a palavra “bote”), aqui vão duas fotos do bote 7 do “Novos Mares” que está na praça St. Jonh’s, na Gafanha da Nazaré e um poema que lhe dediquei e que consta do livro que hoje, pelas 16 horas, vou apresentar na Biblioteca Municipal de Ílhavo, e para a qual o convite segue, explícito.

Bote 1

Bote

Trocaste o azul pelo verde de um relvado
Em homenagem oca às velhas glórias
– Epopeias de gentes piscatórias –
Ao barco por inércia afundado

Se o navio acabou desmantelado
Os bocados, os botes, as histórias
São fragmentos de vida e de memórias
Do “Novos Mares” – orgulho do passado

O tempo para ti trouxe mudanças
Em vez de bacalhau já só carregas
O sabor agridoce das lembranças

Venceste tempestades e escolhos
Agora fixo ao chão, já só navegas
No azul esverdeado dos meus olhos.

Na fotografia ainda disfarça, mas o estado do bote está muito longe do desejável, a precisar urgentemente de restauro, que a não ocorrer vai obrigar a uma “requalificação”.

Bote 2

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Lançamento de “Um Olhar…”

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Clica na primeira imagem, para ver a sequência da reportagem fotográfica.

Um sentido obrigado a todos os que colaboraram para que tudo corresse tão bem na sessão de lançamento do meu livro: Desde a D. Graça Martinho, cujos dotes culinários sempre adoçam os eventos que organizamos na Biblioteca, à D. Lurdes Ramos, à colega Piedade Gomes (ambas passaram o dia de aniversário dedicadas a este evento), aos alunos que tocaram – Sara Pombo e Diogo Bastos – ou leram poemas – Selene Salavessa e Samanta Bizarro, aos que trataram do som – Rafael Pombares e João Nunes – às colegas a quem pedi para lerem um poema – Ercília Amador, Amélia Pinheiro, Paula Cebola e Eunice Almeida – e a quem agradeço por sempre me incentivarem a prosseguir neste caminho da poesia, à Diretora Eugénia Pinheiro, que sem hesitar aceitou o pedido de que a biblioteca, onde passo tantas horas, servisse de palco a este lançamento, fazendo que me sentisse em casa. À minha filha Cecília que deu a cara pelo livro e esteve a receber os participantes e na venda dos livros, com a colega de turma Mariana Castanheiro. Aos elementos do Coro de que faço parte e ao colega Aníbal Seco que não hesitaram e responderam presente quando os convidei para animar o evento. Por fim, ao amigo Hélder Ramos, que nunca regateia esforços quando lhe peço a colaboração e, neste caso, pedi quer para o prefácio quer para a apresentação.

A reportagem fotográfica é da colega Fátima Viana e a escolha e tratamento das imagens foi feita por mim.

A professora bibliotecária da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a minha amiga Piedade Gomes, escreveu este texto para o blogue da biblioteca e eu, com a devida vénia, transcrevo-o aqui no meu blogue:

Na noite do dia 28 de setembro, em agradável convívio de amigos, a Biblioteca da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré acolheu o lançamento do livro “Um olhar…”, de João Alberto Roque. Homem da terra, de formação na área das ciências, o seu gosto e dedicação à escrita já vem de alguns anos. Participou em diversos concursos literários que lhe valeram a obtenção de prémios a nível nacional e além-fronteiras. Tem textos em diversas publicações, quer coletivas, quer individuais. Escreve em resposta a desafios, mas também sobre si e sobre a sua visão do mundo. Começou a escrever por deleite, depois submeteu-se à métrica e às regras do soneto e transformou-as em desafios, disciplinando a sua criatividade.

Este evento constituiu uma celebração à escrita e uma oportunidade para que a comunidade da Gafanha da Nazaré possa refletir sobre a importância da escrita na nossa vida.

Usamo-la como forma de comunicação para nos entendermos. O João usou-a como forma de catarse e reflexão sobre a vida, como ele próprio afirma. Para nós, ele criou com arte, exprimiu ideias e sentimentos com beleza. Deixou-nos metade de uma obra que nos compete completar, seguindo a linha de pensamento do escritor britânico Joseph Conrad “O autor só escreve metade do livro. Da outra metade deve ocupar-se o leitor”. Mas a escrita é acima de tudo um valor civilizacional, uma arma poderosa que permite ao homem compreender melhor o mundo e de transformá-lo, de escolher em consciência e em liberdade, resistindo às pressões e às diversas formas de subjugação e de escravatura do seu tempo.

Piedade Gomes

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Sobre “Um Olhar…”

Livro Um Olhar2

Reflexão sobre “Um Olhar…”

Como fui divulgando, no dia 28 de setembro, vai ser o lançamento do meu livro “Um olhar… (Sonetos)”. É na Biblioteca da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, pelas 21 horas. É um evento público, para o qual, amigo leitor, estás desde já convidado.

Se me pedisses para escolher um poema que servisse de síntese ao livro, acho que me lembraria deste:

Metapoema

Nem sei bem onde acaba a minha mão
E começa a folha de papel
Em que afago já a tua pele
Num toque de poesia e emoção

É mágica esta espécie de fusão
A que a poesia nos compele
Em que nos envolvemos pele com pele
Até onde as palavras contarão

O ato de escrever é aliciante
Ausente no poema te revejo
Inspiras-me a palavra mais marcante

O alvo do carinho, do desejo
És tu, e quando lês, mesmo distante,
Gostava que o sentisses como um beijo.

João Alberto Roque

“Um olhar…” tem cento e quarenta sonetos, mas já fui publicando, desde 2010, alguns desses sonetos, que podes ler (e conhecer o enquadramento da publicação no blogue) clicando nas ligações:

Venho brincar aqui no Português, Mia Couto e Unidiversidade

https://infantilidades.wordpress.com/2010/09/30/redondo/

Cerejas são palavras

https://infantilidades.wordpress.com/2013/06/17/cerejas/

Se eu fosse um livro

https://infantilidades.wordpress.com/2013/12/27/se-eu-fosse-um-livro/

Pelo meu aniversário

https://infantilidades.wordpress.com/2014/01/08/aniversario/

Com e sem rede

https://infantilidades.wordpress.com/2014/03/29/fronteira/

Que bela

https://infantilidades.wordpress.com/2014/08/27/que-bela/

Folha em branco

https://infantilidades.wordpress.com/2014/12/16/folha-em-branco/

Soneto de fim de ano

https://infantilidades.wordpress.com/2014/12/31/soneto-de-fim-de-ano/

Poesia na cidade

https://infantilidades.wordpress.com/2015/03/21/poesia-na-cidade/

A tua luz

https://infantilidades.wordpress.com/2015/09/22/a-tua-luz/

O cravo de abril

https://infantilidades.wordpress.com/2016/04/25/o-cravo-de-abril/

Origens

https://infantilidades.wordpress.com/2016/06/16/barbarie/

Ondas da memória

https://infantilidades.wordpress.com/2016/11/29/ondas-da-memoria/

Apelo aos amigos

https://infantilidades.wordpress.com/?p=1045

Doze passas

https://infantilidades.wordpress.com/2017/12/31/poema-para-o-novo-ano/

Os restantes sonetos (mais recentes) que publiquei no blogue foram escritos já depois de fechar a edição deste livro.

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Aventura

Descobri hoje que foi atribuída uma Menção Honrosa ao poema Aventura no III Prêmio Henrique José de Souza de Literatura 2018, organizado pelo Instituto Cultural Brasileiro de Ação e Cidadania. A divulgação já foi há quase um mês, mas só hoje me deu curiosidade de ir ver os resultados.

Tinha concorrido com o poema que vos deixo de seguida.  Foi a única obra distinguida com origem fora do Brasil (só de Portugal concorreram 25 pessoas).

Dia 28 deste mês de setembro, a aventura poética tem um ponto alto como poderás saber por aqui.

Aventura

Só se começa a aventura
E aí se testa a coragem
Se se acabam os mapas
Mas se prossegue a viagem

Só quem sai da autoestrada
Daquilo que conhecia
E entra em caminhos de terra
Chega a lugares de magia

Se enfrenta o desconhecido
E explora cada recanto
Tem o prémio merecido
E abre a boca de espanto

Só quem se adentra pelos medos
E avança com teimosia
No escuro dos seus segredos
É que encontra a poesia.

João Alberto Roque

À procura de uma imagem de “caminhos de terra”, vim ter a este vídeo e achei uma boa opção para ouvir, acompanhando a leitura do meu poema.
Obrigado pele visita e… deliciem-se.

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“Infância Perdida” de Mia Couto?

11 de junho

Num espaço no facebook de um banco moçambicano, encontrei o meu poema “Infância perdida” publicado como se tivesse sido escrito por Mia Couto. E assim se começa uma bola de neve que pode ser quase imparável. É mais fácil recolher “gostos”, “partilhas” se tiver um nome famoso por baixo, mas o seu a seu dono. Mia Couto não ia gostar de ver o seu nome associado a um poema que não escreveu. Coloquei um comentário, alertando para a situação. Espero que resolva.
Para ser justo, devo usar a mesma brevidade a informar que já foi feita a alteração. Fui informado de que, na pesquisa na internet, aparece com sendo de Mia Couto. Como dizia acima, bastou que alguém tenha feito a identificação errada do autor para se tornar uma bola de neve difícil de controlar.

Publicado em 2013, julgo que já é o meu texto mais visualizado no blogue, tendo ultrapassado “Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto“, publicado em 2009. Só neste mês de junho teve 1196 visualizações, o que para um só texto e num blogue deste tipo é de assinalar.

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