O cravo de abril

Cravo

 

Era um cravo vermelho de abril

Coloquei na lapela só a flor

E a haste, com esperança infantil,

Pus no solo e reguei-a com amor

Concretizou-se o sonho pueril

Suportou a secura e o calor

E vi-a renascer primaveril

Quem sabe, ainda este ano, dará flor

Porque abril foi um sonho, esperança

Que ainda só em parte se cumpriu

Mas renasce quando há qualquer mudança…

Passou a tempestade e resistiu

Vou agora, chegada esta bonança,

Lá fora ver se o cravo já floriu.

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II Festival de Haicai de Petrópolis

A organização do II Festival de Haicai de Petrópolis foi muito eficiente e simpática e enviou-me hoje os resultados. Atribuíram-me o segundo lugar na categoria Adultos de outras cidades (que inclui de outros países), sendo que o vencedor enviou o seu texto do Japão.

Haiku

Estes são os três textos que enviei. O segundo foi o escolhido.

 

Vão caindo as folhas

Secas, que eu recolho e guardo…

E escrevo poemas.

 

Finalmente livre

Uma folha vai no vento.

É assim a vida.

 

Voo de andorinha…

Abro as asas do sonho

Deixo-me ir no vento.

 

Teria que haver, como acontece tradicionalmente nesta forma poética de origem japonesa, uma referência às estações do ano. Provavelmente as referências às estações do ano são bem diferentes do que acontece no Brasil. Por exemplo, em Portugal associamos andorinhas e primavera; queda das folhas ao outono… não sei se essas associações existem no Brasil ou… no Japão.

A primeira vez que contatei com os Haikai, Haicai ou Haiku foi na apresentação do livro do meu amigo Orlando Figueiredo. Percebi o espírito (a explicação foi muito didática). Já tinha também lido muitos… mas faltava colocar em prática. Este desafio ajudou no resto. Escrevi vários e enviei os três acima.

Provavelmente repararam na diferença de grafia entre o que eu enviei e o que consta da imagem retirada do documento com os premiados. A mim soa-me melhor na forma que enviei. Já no Brasil (ou pelo menos em Petrópolis) soará melhor como transcreveram. Não há problema… entendemo-nos na mesma.

Aqui estão todos os textos premiados e para quem não conheça, um pouco de informação relativa a esta forma poética, sob a forma de apresentação em PowerPoint:

BUNKA-SAI 2014 em slides

 

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Chove

Chove…

.

Mas isso que importa!,

se estou aqui abrigado nesta porta

a ouvir a chuva que cai do céu

uma melodia de silêncio

que ninguém mais ouve

senão eu?

.

Chove…

.

Mas é do destino

de quem ama

ouvir um violino

até na lama.

.

José Gomes Ferreira, Poesia II

Hoje, Dia Mundial da Poesia, deixo-vos com um poema apropriado ao estado do tempo.

Imagem colhida em http://magia em versos.blogspot.pt/2011/07/chuva-cair.html

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As primeiras andorinhas

Chegaram hoje as primeiras andorinhas.

Apesar do ar ainda frio, vêm lembrar

(com o espalhafato típico de vizinhas)

Que a primavera não tarda a chegar.

.

Trouxeram nelas a chave que devolve,

Às mais doces memórias, liberdade.

O calor que nos estimula, nos envolve,

Um tempo que é sempre de novidade.

.

Brotaram do solo, os bolbos adormecidos.

Encheu-se o ar de perfumes e as cores

E os chilreios despertaram-me os sentidos.

Vi-me mesmo a colher um braçado de flores.

.

Hoje as árvores encheram-se de verdura

E entre as folhas e flores pude notar:

A promessa de fruta doce e madura;

O labor das abelhas recolhendo o néctar.

.

Voltaram as correrias e os risos de crianças,

Lagartixas, borboletas coloridas, libelinhas…

Tudo quanto guardava na arca das lembranças,

Tudo me trouxeram, hoje, de novo, as andorinhas.

.

Este texto, escrito no dia 9 de Fevereiro de 2006, veio-me à memória a propósito de um desafio, num grupo do facebook, de escrever um texto com 100 palavras sobre a Primavera.

 
imagem colhida em http:// estupefacto.blogs.sapo.pt/2010/03/ 
 
 
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A Primavera

Flor1

Um trabalho de casa que a professora mandou à minha pequenita deu nisto… Pediu-me ajuda. Aliás, disse-me que os pais tinham de ajudar. Seria mesmo?

Deixo-vos então com um poema escrito a quatro mãos e duas cabeças (que pensam melhor do que uma)… Ou seis mãos e três cabeças (melhor ainda) já que a professora também deu importante colaboração ao sugerir quatro temas – água, árvore, poesia e Primavera. E foi em torno dessas quatro palavras – com direito a entrada directa – que fizemos o poema. A Cecília escolheu como título:

…….

A Primavera

Na Primavera inventei

Uma flor de poesia

Da árvore que reguei

Com água da fantasia

.

Árvore que floresceu

Depois de longa espera

Quando o sol apareceu

Num sonho de Primavera.

.

Cecília Roque e João Alberto Roque

Imagem retirada de imagensdeposito. com/papel%20de%20parede/36182/sorriso+de+flor.html

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