Biografia – Miguel Torga

 Sonho, mas não parece.

Nem quero que pareça.

É por dentro que eu gosto que aconteça

A minha vida.

Íntima, funda, como um sentimento

De que se tem pudor.

Vulcão de exterior

Tão apagado,

Que um pastor

Possa sobre ele apascentar o gado.

Mas os versos, depois,

Frutos do sonho e dessa mesma vida,

É quase à queima-roupa que os atiro

Contra a serenidade de quem passa.

Então, já não sou eu que testemunho

A graça

Da poesia:

É ela, prisioneira,

Que, vendo a porta da prisão aberta,

Como chispa que salta da fogueira,

Numa agressiva fúria se liberta.

Miguel Torga

 

Deixo-vos com este poema do Miguel Torga. Porquê? Porque sim. É dos meus poemas preferidos e não só entre os do poeta.

Imagem encontrada em http://andersonalsan.blogspot.pt/2013/07/vinte-minutos.html

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