Dois poemas de Fernando Pinto do Amaral

Fernando Pinto do Amaral na ESGN

Arte Poética

 

 

Palavras,

só palavras, nada mais

que a vã matéria, o seu sentido

eco de muitos ecos, repetido

reflexo de poderes tão irreais

 

como essas emoções graças às quais

terei de vez em quando pretendido

dizer um só segredo a um só ouvido

ciente de que nunca são iguais

 

os segredos e ouvidos que procuro

às cegas neste mar sempre obscuro

onde a voz desagua como um rio

 

sem nascente nem foz – apenas uma

incerta confidencia que se esfuma

e só foi minha enquanto me fugiu.

 

Fronteira

 

 

É doce

a tentação do labirinto

assim que o sono chega e se propaga

ao contorno das coisas. mal as sinto

quando confundo a onda sempre vaga

 

deste falso cansaço que regressa

ao som da minha estranha e dócil fala

cada vez mais submersa como essa

pequena luz da rua que resvala

 

plo interior da noite. É quase um sonho

A respirar lá fora enquanto o quarto

se dilui na fronteira que transponho

e afoga a consciência de onde parto

 

agora sem direito nem avesso

no incerto momento em que adormeço.

 

Fernando Pinto do Amaral

.

Fernando Pinto do Amaral estará hoje na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré para falar com os alunos do 12º Ano.

Uma razão tão boa como outra qualquer para vos deixar com dois dos seus belos poemas.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Com e sem rede  Folha em branco  Receitada pelo médico  Prémio Literário Hernâni Cidade   

ou ir para o início.

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