A censura

Auto-censura

Aos dezassete anos

Já era “poeta”

Mas o que escrevia

Nunca ninguém lia

É que nesses tempos

De boa memória *

A censura atuava

E tudo cortava

Mas isso que importa

Se ficava feliz,

Como alguém que ama,

Ao ler o poema

Mas passados dias

Ou horas apenas

O censor chegava

E nada escapava

Eu era o escritor

E o crítico feroz.

Que grande guerra

Havia entre nós.

O pavor do ridículo

Vencia por fim.

Podia lá ser…

Expor-me assim?

João Alberto Roque
(10 de Novembro de 1999)

* Nota… para não haver lugar a confusões: esses tempos de boa memória são os da juventude, em que a (auto)censura atuava.

Depois de no artigo anterior ter apresentado o primeiro texto da fase de redescoberta da poesia, aqui fica o segundo poema e a nota que escrevi na altura a acompanhá-lo.

Na imagem que criei a partir de um manuscrito obtido na rede, recrio um carimbo da censura dos tempos da ditadura, que acabou tinha eu doze anos.

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Pelo meu aniversário…

bolo

Destes-me os parabéns e eu agradeço,
Mas que fiz de importante neste dia?
Mais um aniversário? (Em demasia…)
É algo que eu sei que não mereço.

Não sou daqueles que “faço e aconteço”
Acreditem, por mim, já desfazia
E, em vez de somar, retrocedia…
Preferia voltar para o começo.

Depois quando chegasse aos vinte e seis
Poderia parar por essa idade…
(No velório teria um ar jovem)

Destes-me os parabéns… bem o sabeis, 
Só posso agradecer vossa amizade…
Que os votos, muitos anos, se renovem.

Hoje é o meu aniversário. Escrevi este poema e publiquei-o nas redes sociais para agradecer aos muitos amigos que me deram os parabéns. Resolvi publicá-lo também aqui, onde o tempo parece passar um pouco mais devagar.

 
 
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