Prioridades

 

pressão

Deixe-me que lhe diga, professor

O trabalho de casa que marcou

Não fiz… que ontem o tempo não chegou

Mas não me marque falta por favor

 

Sabe… da escola vou para o explicador

(que o noventa e cinco não chegou)

Depois tenho piano e ainda vou

À aula de inglês para ser melhor

 

Ponho à frente o livro e o caderno

Começo a fazê-lo e adormeço

Se a minha mãe sabe é o inferno…

 

Diz-me ela que dá mais do que eu mereço

Veja bem: eu só queria um beijo terno…

Acha demasiado o que eu lhe peço?

Hoje, Dia Mundial da Criança, deixo-vos com uma reflexão sobre a pressão excessiva que alguns alunos sofrem por parte dos seus pais.

Um professor percebe quase sempre que esse exagero existe, mas nem sempre consegue saber como atuar, que os alunos não reagem à pressão sempre da mesma forma. Para alguns alunos, a única coisa que passa a interessar é um número alto para mostrar aos pais, e muitas vezes acabam por ser inconvenientes, passe o eufemismo. A verdadeira aprendizagem pouco importa. Já para não falar dos casos em que a pressão vem diretamente dos pais aos professores, num total desrespeito.

Não é fácil, para qualquer adulto, dosear a pressão sobre as crianças sobre as quais tem responsabilidades. Uns demitem-se completamente e outros exageram claramente.

Imagem retirada de https://www.noticiasmagazine.pt/2017/carregar-a-educacao-as-costas

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No dia Mundial da Criança

No dia Mundial da Criança resolvi voltar à matriz inicial deste blogue e colocar um texto escrito há muitos anos, enquanto a minha filha mais nova brincava num parque infantil, numa zona muito movimentada da cidade. Ainda bem que não tinha uma máquina fotográfica e tive que tirar a “fotografia” num poema.

Instante feliz

Nos teus olhos, minha filha
Nos teus olhos, brilha
Uma felicidade genuína
Que só se tem quando se é
Assim, como tu, pequenina.

Outros meninos e meninas,
Crianças também pequeninas,
Alheios a tudo, brincam.
Dos adultos que passam
Muitos nem sequer olham.

Estando ali atento, vigilante,
Reparei a certo instante
Em algo belo, enternecedor:
Um casal jovem que passava
Parou, a olhar-vos com amor.

Naquele olhar tão puro,
Quantos projetos de futuro.
Pensei eu, que assisti.
Tanta felicidade cativa
E, simplesmente, sorri.

A foto não é aquilo que procurava, até porque as crianças na situação presenciada eram bastante mais pequenas, mas é a possível… e é interessante.

criancas num parque infantil

Imagem colhida em http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2013/01/dicas-de-atividades-para-fazer-em-casa-com-as-criancas

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As crianças

brincar-na-natureza

As crianças

 

Olhavam para tudo extasiadas.

Puras, em cada rosa, em cada pedra,

viam beleza eterna e absoluta.

Seus olhos primitivos resumiam

a intacta poesia da Manhã.

Sebastião da Gama

in Cabo da Boa Esperança, 1947.

Um poema de Sebastião da Gama, neste Dia Mundial da Criança.

Imagem colhida em http://espacosercrianca.com.br/a-crianca/porque-nao-precisamos-estimular-criancas/

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Poema para o Dia Mundial da Criança

Imagem

AS CRIANÇAS

Sabem mais do que é infindo
E não se perde na noite do sono

Saltam vivas como nuvens que correm
No céu dos sonhos que crescem
Alegres e livres enfim

Nos dias que não trazem medos

E agarram os sóis a duas mãos
Que guardam como segredos

 Hélder Ramos

Este poema, do meu amigo Hélder Ramos, já está publicado neste blogue desde há muito, mas lembrei-me dele, agora que estamos na véspera de mais um Dia Mundial da Criança.

imagem colhida em http://www.loeildelaphotographie.com/fr/2014/03/04/festivals/24364/mumbai-la-fete-de-la-photo
 
 
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Dia Mundial da Criança – Poema contra o trabalho infantil

Infância perdida

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

Vês a alegre correria

Meninos na brincadeira

Mas tu passas todo o dia

Sentado nessa cadeira

Sem tempo para o que gostas

Nem momentos de lazer

Não endireitas as costas

Tens trabalho para fazer

O patrão é exigente

Quer os sapatos bem feitos

Para ele tu não és gente

E não tens quaisquer direitos

Não sabes o que são férias

E o pouco que paga à peça

Só agrava as misérias

Por estranho que pareça

Deixa marcas para a vida

Esse ciclo vicioso

A tua infância perdida

É um tempo precioso

 

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

trabalho infantil

Escrevi este texto há anos, uma simples reflexão contra o trabalho infantil.

Hoje, Dia Mundial da Criança, queria publicar algo e fui à procura do que haveria na “gaveta”. Deparei com ele…

Talvez seja bom lembrar, agora que estamos a passar por um período difícil, que não podemos perder as conquistas do passado.

Mas se em Portugal ainda existem casos esporádicos de exploração do trabalho infantil, há países em que a situação é terrível. Vale a pena pensarmos nisso quando estivermos para comprar sapatilhas ou roupas de certas marcas.

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