O pássaro da cabeça

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Sou o pássaro que canta

dentro da tua cabeça,

que canta na tua garganta,

 que canta onde lhe apeteça.

 

Sou o pássaro que voa

dentro do teu coração

e do de qualquer  pessoa

(mesmo as que julgas que não).

 

Sou o pássaro da imaginação

que voa até na prisão

e canta por tudo e por nada

mesmo de boca fechada.

 

E esta é a canção sem razão

que não serve para mais nada

senão para ser cantada

quando os amigos se vão

 

e ficas de novo sozinho

na solidão que começa

apenas com o passarinho

dentro da tua cabeça.

Manuel António Pina
in O pássaro da cabeça

Manuel António Pina está em destaque na Biblioteca da minha escola…

Deixo-vos com um dos seus poemas de que que gosto muito, retirado do livro a que dá título, numa edição da Quasi, de onde retirei também a imagem que acompanha. A foto possível, tirada com o telemóvel e trabalhada ligeiramente.

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Outra “super sardinha”

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Quando em Maio de 2011 publiquei um texto do David Roque intitulado Super Sardinha estava longe de me imaginar a cometer um super erro…

Fiz uma pesquisa na Net para encontrar uma boa foto de uma sardinha para ilustrar um bom texto … e acabei por escolher a que lá podem encontrar, assinalando o local onde a “colhera”.

No entanto hoje, por mero acaso (http://baleia-salgada.blogspot.pt/2012/06/sai-uma-sardinha.html) acabei por perceber quem era O autor e descobrir que afinal se trata não de uma fotografia, mas antes de uma fabulosa ilustração científica feita a aguarela pelo Biólogo e Ilustrador Pedro Salgado, que podem conhecer em http://www.pedrosalgado.eu/

Vale bem a pena uma visita aos seus trabalhos que demonstram uma técnica e uma paciência fora de série.

E, já que estou nas sugestões, porque não ler (ou voltar a ler) os textos tão criativos dos meus filhos David e Cecília (links nas imagens abaixo).

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Super Sardinha   Uma aventura no mar

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Mar

Foi um reencontro inspirador.

Na tua energia transbordante,
mas serena,
na delicadeza com que me envolves,

de repente,
tudo me parece possível.

Contagias-me com a tua força.
Fazes-me olhar mais longe…
muito para lá do que se vê.

Tudo fica mais belo,
mais alegre.

Mostras-me um sorriso aberto.
Nos teus olhos de um azul profundo
sou um peixe pequenino

e nesse azul imenso
eu deixo-me ir…
feliz.

Tentei incentivar alunos e colegas a participar no concurso, subordinado ao tema “Histórias do mar”, organizado pela Biblioteca da Escola onde trabalho. Parabéns a todos os participantes e em especial aos que viram os seus trabalhos distinguidos.

Obviamente quando se organiza um concurso deste tipo é gratificante receber muitos trabalhos concorrentes. Gostei de ajudar.

Pela minha parte, além da ilustração apresentada no post anterior,  participei com um conto, um poema.

Estes desafios, especialmente quando há um tema interessante, motivam-me a escrever, algo que me andava a fazer falta.

Foi-me atribuído o primeiro prémio nas modalidades de texto narrativo e de ilustração e uma menção honrosa na de poesia. O conto, pelo menos por agora, não o incluirei no blogue.

Deixo-vos com o poema. Não é propriamente um texto escrito para crianças, mas considero que não destoa de outros poemas já aqui apresentados. Claro que terá diferentes níveis de leitura de acordo com o tipo de leitor.

Espero que gostes…

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   Uma aventura no mar   

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O mar em cada concha

A Biblioteca da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, onde lecciono, organizou um concurso subordinado ao tema “Histórias do mar”, que incluia uma categoria de ilustração.

Participei com este desenho a lápis de cor, formato A3. O meu objectivo foi que o desenho contasse uma história: O mar em cada concha.

Alguns pormenores:

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Cecília e Sissi      MV

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A prenda do dia do pai

caderno3

Caderno de Poesia

Quando a minha filha, na altura a frequentar o Jardim-de-infância, me deu um caderno quadriculado como prenda do dia do pai, gostei imenso da capa – uma pintura feita por ela – mas fiquei sem saber o que fazer com o dito caderno. Acabou por servir de inspiração a um conjunto de poemas: o meu “Caderno de Poesia”.

Quadric2

Em papel quadriculado

Deste-me um caderno encapado
para deitar contas à vida
em papel quadriculado.

Uma prenda imerecida
para um pai de actos vulgares…

Não fiz contas, fiz de conta,
mas se tu me perguntares
tenho a resposta pronta:

com números, ímpares e pares,
faço contas de memória
ou invento outra história
à espera de acreditares

(mal abri o caderno, filha…
a capa é uma maravilha!)

A capa do caderno

A capa do caderno

Desenhaste, com amor,
na capa deste caderno
um coração, uma flor…
Puseste fim ao Inverno

num gesto doce e terno
da tua mão. Com cada cor
brotando, dum amor eterno,
por sobre a cera incolor,

pintaste com aguarela
azul, verde, amarela…
por dentro o meu coração.

Não contive a emoção:
ficou a prenda tão bela!
Que fiz eu para merecê-la?

caderno3

As contas são complicadas

Prenda, assim, que tu me desses,
para as coisas serem perfeitas,
só faltava que tivesses
trazido as contas já feitas:

de somar e subtrair
multiplicar, dividir,

que, filha, na minha idade
as contas são complicadas
e para falar verdade
acabam mal calculadas:

nas parcelas da adição
há trabalho em demasia;
faço mal a divisão
dos minutos do meu dia;

nem sempre sobra um sorriso
para te dar atenção…
ensina-me, que eu preciso,
uma multiplicação.

Ajuda-me a subtrair
as preocupações da vida
e a não deixar só os restos
à minha filha querida!

Quadric1

Quadrículas

As linhas quadriculadas
prendem-me a imaginação
nas quadrículas fechadas
como grades de prisão.

Eu prefiro folhas lisas
sem qualquer tipo de linhas
onde escrevo como brisas
soprando por entre vinhas.

Se têm linhas pautadas
só são boas para escrever
são como degraus de escadas
levam-me sempre a descer…

O caderno que me deste,
só por ser uma prenda tua,
é mais como um teste
ou um passeio na rua.

Um desafio que aceito:
em vez de contas, poesia!
Um desafio perfeito…
Qualquer caderno servia.

E eis-me a viajar
contigo de mão na mão
e sempre a saltitar
pelos quadrados do chão.

Quadric3

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