As mentiras do vento


A Cecília gosta muito de ouvir histórias. A toda a hora está a pedir ao pai ou à mãe que lhas contem.

Não se importa de ouvir as mesmas histórias vezes sem conta mas os pais é que protestam quando têm que ler a mesma outra e outra vez.

Naquele dia havia uma feira do livro na praça. O pai viu ali uma boa oportunidade de encontrar novas histórias e não ter que contar sempre as mesmas.

No fim da tarde, quando o calor já era mais suportável, foram passear até à feira do livro. Depois de uma tarde sufocante, levantara-se um pouco de vento.

Foi uma visita demorada… havia tanta coisa interessante para ver… tantos livros cheios de imagens bonitas ou de histórias que a Cecília tinha pena de ainda não saber ler mas que imaginava interessantes.

O pai comprou alguns livros dos muitos que folheou. Na banca ao lado havia livros abertos, a estimular a curiosidade das pessoas que passavam. A menina reparou que as páginas iam virando, como se alguém invisível estivesse a ler. Noutra banca, mais livros estavam a ser folheados. Que engraçado!

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À noite, depois do pai lhe contar uma história nova, a Cecília estava com dificuldades em adormecer. O calor era tanto que o pai deixara a janela aberta. As cortinas, que dançavam uma dança alegre, convidavam-na a juntar-se a elas. Levantou‑se da cama e foi até à janela.

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Olhou a paisagem: muitas luzes distantes brilhavam no escuro. A Cecília teve dificuldade em perceber quais daquelas luzes eram estrelas e quais tinham outras origens. O vento, que entrava pela janela, brincava com o cabelo da menina. Baixinho, ao ouvido, contou‑lhe histórias de terras distantes que conhecera, de longas viagens que fizera, de ilhas tropicais por onde se demorara, de terras sequiosas a que levara nuvens com a chuva desejada, de outras gentes que visitara, de animais estranhos que afagara… Como a Cecília gostava daquelas histórias… ficou toda a noite a ouvir o que vento lhe sussurrava ao ouvido. Gostava delas mas… sabia que era tudo mentira. O vento conhecia tantas histórias porque tinha estado a folhear os livros que estavam nas bancas da feira e tinha lido todas aquelas histórias cheias de imaginação.

De manhã acordou, fresca que nem uma alface, e ficou sem conseguir distinguir aquilo que na realidade tinha acontecido do que fizera, apenas, parte dos seus sonhos.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

CP Cecília e Sissi

ou ir para o início.

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