Tuas histórias

Este separador do blogue tem espaço para as tuas histórias (ou os teus poemas) para crianças.

Este blogue foi criado a pensar prioritariamente nas crianças, embora aberto a todos aqueles que sendo adultos, se enquadram no espírito destas “Infantilidades” e a todos os educadores, a começar nos pais.

É preciso referir que, tratando-se de um blogue com este público-alvo, é importante haver cuidados redobrados com a correcção da linguagem.

Se o espaço para um único comentário não for suficiente divide a tua história em capítulos. Se preferires podes enviar textos e ou ilustrações  para o endereço de correio electrónico apresentado na barra da direita.

Boas escritas!

Super-História

Era uma vez um jovem super-herói chamado Super-Homem, que era filho da Capuchinho-Vermelho.

Um dia a Capuchinho-Vermelho disse-lhe:

– Vai entregar este cesto cheio de comida à Avó que vive no outro lado do mundo, no Bosque dos Cem Acres.

http://coucounette.no.sapo.pt/cem_acres.htm

Ele era malcriado, pelo que retorquiu:

– Não quero, mãe! É uma super-seca com S maiúsculo!

A mãe ralhou:

– Ou vais ou eu dou-te um super-castigo!

– Às vezes dá vontade de atirar a minha mãe para o Sol – resmungou ele, já a caminho.

Estava a meio do voo, quando sentiu uma necessidade inadiável, por isso aterrou de emergência no sítio onde se encontrava.

Quando olhou à volta, avistou um gigantesco palácio, e, como também tinha fome, entrou.

Estava tudo muito silencioso. Subiu as primeiras escadas que encontrou e quando acabou de as subir, coisa que demorou muito tempo, viu um quarto onde estava deitada na cama uma rapariga a dormir. Já sem paciência, berrou:

– Está aí alguém?!

– Quem és tu? – perguntou-lhe a rapariga que tinha acordado.

– Sou o Super-homem! E tu quem és?

– Sou a Bela-Acordada.

Ouviram-se barulhos na escada e entrou no quarto um estranho que se apresentou:

– Sou o Príncipe da história e vim acordar a Bela-Adormecida do seu sono.

– É tarde de mais, por isso vai chatear outro! – disse o Super Homem que deu um murro na cara do Príncipe chato que o deixou a ver estrelinhas.

Quando se preparava para partir, a Bela Acordada pediu-lhe para a levar consigo. O Super-homem recusou, mas como ela insistiu, ele não teve outra opção senão aceitar.

Algumas horas depois, chegaram ao destino: o Bosque dos Cem Acres. Antes do Bosque havia uma praia onde se podiam ver caranguejos a passear no chão ou gaivotas à procura de almoço. Bem perto, o Nemo e a Pequena Sereia brincavam nas ondas.

De repente apareceu-lhes pela frente um estranho urso amarelo com camisola vermelha que lhes perguntou:

– Viram os meus amigos?

– Não, por isso desaparece daqui! Nem sequer sabemos quem tu és! – respondeu o Super-Homem .

– Eu sou o Winnie the Pooh.

– Quero lá saber!

Começaram a andar em direcção à casa da Avó do Super-Homem sempre seguidos pelo Pooh, que não os largava.

– Tu não te vais embora? – perguntou a Bela Acordada .

– Vocês podem ser os meus novos amigos. – disse o Pooh .

Como ele não ia, eles decidiram simplesmente ignorá-lo.

A certa altura, ouviram um barulho nos arbustos e deles saiu um lobo. Para grande espanto deles, começou a falar:

– Olá eu sou o Lobo Mau e …

– Não tenho mais paciência ou tempo para bichos irritantes como tu, por isso vai‑te catar!

Dito isso, pegou no Lobo, deu-lhe três voltas e atirou-o para longe.

Pouco depois, chegaram à casa da Avó do Super-Homem. Então entraram e viram deitado em cima da cama o Lobo Mau, vestido de Avó. O Super-Homem perguntou-lhe:

– Achas que sou idiota? – e deu ao Lobo um chuto no rabiosque que o mandou directo para a Atlântida.

Ouviram-se uns barulhos no armário. Quando foram verificar, viram que dentro do armário estava a Avó, os amigos do Pooh, o Godzilla e o Noddy.

Depois, o Super-Homem e a Bela Acordada casaram e viveram felizes para sempre. Tiveram três filhos: o Pinóquio, a Branca de Neve e o Ruca.

 

David Roque

 

Uma aventura no mar

Era uma vez uma pescada, uma tartaruga, um caranguejo e uma estrela-do-mar, que viviam entre algas e rochedos.Numa manhã de maré-baixa, um peixe que nadava calmamente nas águas profundas do mar acordou a pescada.

– Bom dia, pescada. – disse a tartaruga, à amiga que tinha acabado de acordar.

– Olá, como estás? – inquiriu a pescada.

– Eu estou bem, estive a arrumar a minha casa.

A pescada foi procurar a sua amiga estrela-do-mar. Decidiu então ir a sua casa. Quando lá chegou, bateu à porta e a amiga abriu.

– O que estás a fazer? – perguntou a pescada.

– Estou a enfeitar-me para ficar bonita. – disse ela.

– Oh, estrela-do-mar, tu estás sempre com a mania de querer brilhar.

Entretanto, chegou o caranguejo, excitado.

http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/44283-caranguejo-da-praia.htm

– Vocês nem acreditam no que me aconteceu: eu estava na praia de areia fina banhada pelo mar, quando um rapaz me apanhou e me meteu num balde. Ele queria levar-me, mas eu belisquei-o e saí do balde.

O caranguejo foi para casa, descansar de tantas aventuras que naquela manhã tinha vivido.

A pescada estava a brincar com a estrela-do-mar, quando ouviram alguém a chorar.

Foram ver o que se passava e viram então uma carpa de escamas vermelhas e brilhantes, que chorava tristemente.

Perguntaram à carpa por que razão estava a carpir assim, e ela respondeu:

– Eu choro porque a minha amiga foi pescada por um barco muito grande.

Como a estrela-do-mar e a pescada não tinham mais nada para fazer, quiseram ajudar.

Nadaram até um cais, subiram à superfície, e procuraram o tal barco, até que o avistaram. Era muito grande e branco. Tinha presa uma rede enorme, onde estava a amiga da carpa. Ela estava aflita e tentava libertar-se.

Foram as três tentar romper a rede, até que a pescada teve a ideia de ir chamar o caranguejo.

Nadou até casa do amigo e pediu-lhe ajuda. Ela aceitou e lá foram os dois.

Quando lá chegaram, o caranguejo cortou as redes com as suas tenazes e a carpa conseguiu sair.

As carpas agradeceram-lhes e o caranguejo voltou para casa. A pescada e a estrela-do-mar ficaram cheias de curiosidade e foram a nadar, cada vez até mais longe. Enquanto nadavam distraídas, quase eram pescadas pela rede do tal barco grande, se um peixe que estava a passar não as tivesse avisado.

– Ai, quase ias sendo pescada! – disse a estrela-do-mar.

– Mas, estrela-do-mar, eu já sou pescada. – disse ela confusa.

Assustadas, nadaram rapidamente até ao lugar onde moravam, entraram em casa e foram dormir.

No dia seguinte, o caranguejo acordou bem cedo e foi para a praia. Esta estava deserta e ele deixou-se ficar deitado a aproveitar o sol e o calor. Ficou por lá durante um bocado até que acabou por adormecer.

Entretanto, não muito longe dali, a estrela-do-mar que já tinha acordado estava a nadar no mar, já depois de se ter enfeitado. Nadava a grande velocidade e contornava rapidamente as rochas e rochitas que por lá havia.

A certa altura viu as suas duas amigas carpas que vinham avisá-las, a ela e à pescada, que o seu cardume tinha decidido ir embora.

A estrela-do-mar foi chamar a dorminhoca da pescada que ressonava levemente, deitada na cama.

Ela acordou e disse-lhe o que se passava. A pescada ficou muito triste.

A pescada quis ir despedir-se da Carpa, preparou-se e nadou até lá.

Quando a pescada lá chegou perguntou-lhe por que é que ela ia embora e a carpa disse que no sítio onde viviam havia muitos pescadores e elas não queriam ser pescadas.

A tartaruga estava a chegar de um passeio na praia e contou as novidades:

– Fui à praia para por ovos mas estava lá muita gente.

– E qual é problema? – perguntou a estrela-do-mar.

– Não quero que os meus ovos acabem numa omelete.

– E o que é que vais fazer? Não me digas que também te vais embora. – disse a pescada, preocupada

– Tenho que encontrar uma praia deserta.

– Falaram-me de uma aqui perto. Foi o caranguejo que depois de uma aventura arriscada resolver procurar um sítio mais calmo. – afirmou a estrela-do-mar.

– Por falar no caranguejo, aí está ele. – informou a tartaruga.

– Ouvi a vossa conversa… há uma praia pequenina entre arribas onde se pode dormir descansado sem ninguém vir incomodar. Eu depois digo-te onde é.

E assim os quatro amigos – a pescada, a tartaruga, o caranguejo e a estrela-do-mar – continuaram juntos e felizes entre algas e rochedos.

Cecília Roque

 

Super sardinha

Era uma noite tenebrosa, de tempestade, e algures no Pacífico, uma jovem sardinha, a Miquelina, brincava na crista das ondas.Ribombava a trovoada na atmosfera, um espectáculo de clarões e luzes que ela admirava. Gostava de aventura e de se divertir, embora os seus pais a avisassem para ter cuidado com os vários perigos do mar, como predadores, poluição e pescadores, mas a sardinha não prestava muita atenção, porque achava que era demasiado nova para se preocupar muito com isso

A sardinha conseguia vislumbrar a ténue luz da Lua, meio coberta pelas nuvens, e no meio da obscuridade, ela viu uma sombra volumosa no horizonte, que se agigantava na sua direcção.

Não coube em si de curiosidade e nadando agilmente, aproximou-se dela. Ficou muito admirada com o que viu. Parecia-se mais ou menos com uma baleia, mas tinha algo diferente de todas as que vira até então. Para começar, tinha um comportamento estranho: nadava à superfície e praticamente não se mexia, mas para o tamanho que tinha, rasgava as ondas com uma facilidade notável. Pensou no que havia de fazer. Queria muito saber o que era aquilo, por isso, com algum receio, decidiu tocar-lhe. Sentiu uma superfície dura, lisa, desgastada e com alguns arranhões. Afastou-se alguns metros com receio de ter sido notada, mas a criatura parecia ignorá-la. Continuava a pensar no que havia de fazer, quando ouviu alguém a chamá-la:

– Miquelina! Miquelina

Voltou-se e reconheceu Jonas, um velho peixe-palhaço do seu recife.

– Que é? – perguntou ela, aborrecida.

– Afasta-te dessa coisa!

Ela virou-se de novo para aquela coisa gigantesca, e perguntou, cheia de esperanças:

– Sabes o que …

– Andei à tua procura durante muito tempo! – interrompeu ele. – Não devias andar aqui a estas horas! Os teus pais estão preocupados. Vem para casa, que se faz muito tarde e aqueles palermas dos irmãos Atum andam por aí a verificar se está toda a gente em casa. Se eles reparam que faltas, fazem mal à tua família!

– Está bem! Está bem! Mas ao menos diz o que é!

– É uma criatura diabólica. Já vi muitas delas na minha vida: aparecem com frequência por estes mares e só trazem morte e destruição! Cala-te e anda, antes que nos ma…

Uma onda violenta embateu no barco, e com a forte sacudidela, caíram vários barris de lixo tóxico transportados pelo gigante, perto dos dois.

A Sardinha esbugalhou os olhos quando viu aqueles objectos a boiar à superfície. Deles saia um líquido verde brilhante que os envolveu rapidamente

Jonas, espantado, exclamou:

– Foge!

Nadaram para o fundo o mais rápido possível. Demasiado atordoada para dizer alguma coisa, a pequena limitou-se a seguir Jonas, mas começava a sentir-se mal e acabou por desmaiar.

Quando acordou de manhã, estava em casa. Chamou pelos pais, que vieram ter com ela.

– Que é que se passou? – perguntou.

– O Jonas contou-nos. O que aconteceu é que te andas a meter em aventuras, e agora isto… Ao menos estás bem?

– Bem, acho que sim. Sinto-me muito melhor.

De repente, ouviram um grito e a sardinha foi ver quem era. Eram os dois irmãos Atum, mafiosos que estavam a trabalhar para o Silvério, o maior criminoso da área (e ao mesmo tempo o mais pequeno, porque era um camarão). Gostavam de controlar a vida dos outros peixes, e se eles não estivessem no recife na hora do recolher obrigatório, poderiam comê-los!

– Vai-te esconder! – ordenou o pai.

Ela foi-se esconder atrás de umas algas, enquanto os brutamontes falavam com os pais. A certa altura, ela viu que a coisa ia dar para o torto, e para proteger os pais, encheu‑se de coragem, e lançou-se ao Atum mais próximo. Surpreendentemente, quando se deu o embate, o Atum foi atirado para trás com uma força tremenda, contra um rochedo.

Um velho polvo que ia a passar perto, apanhou um grande susto e exclamou:

– Uuuuuuups! Borrei-me!

– Badalhoco! Sujaste-me todo com tinta! – exclamou o Atum, que desmaiou logo de seguida. O outro ficou tão espantado com a força desmedida da sardinha, que se acobardou e fugiu.

Ela ficou assombrada com o seu próprio poder. Foi falar com Jonas, que estava em casa a descansar, e contou-lhe o que tinha acontecido. No fim, perguntou-lhe:

– Também conseguiste super-poderes?

– Não, só consegui cancro!

No dia seguinte, ao almoço, voltou a ouvir-se barulho na vizinhança. A sardinha pensou se seriam os Atuns outra vez. Desta vez não tinha medo, por isso foi inspeccionar o que se passava. Quando saiu de casa, viu Silvério e o seu poderoso aliado, Joaquim, o grande tubarão branco.

– Então és tu que agrides os meus peixes? Não passas de um bicho insignificante! – troçou o pequeno mafioso.

– Olha quem fala, minorca! – retorquiu Miquelina.

O camarão, furioso, gritou:

– Ai é? Já vais ver! Joaquim, destrói esta criatura insolente!

O tubarão atacou a sardinha, tentando mordê-la, mas ela esquivou-se facilmente. A sardinha não perdeu tempo e investiu sobre o adversário com toda a força. O tubarão resistiu e tentou devorar a pequena, mas ela lançou-se mais uma vez e mandou-o contra o chão, derrotando o monstro.

Cansada, olhou para Silvério, que estava boquiaberto, e disse-lhe bem alto:

– Queres alguma coisa? Parto-te todo, palhaço!

– Que é? – perguntou Jonas, que tinha acabado de sair de casa.

– Desculpa, não estava a falar para ti!

O camarão cobarde aproveitou para fugir, enquanto ninguém estava a olhar, e nunca mais foi visto nos arredores. Fizeram uma festa em honra da heroína e toda gente ficou a saber a história de Miquelina, a Super-sardinha.

David Roque

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: