Poemas

Nesta página vou incluindo os poemas (apenas da minha autoria) que não foram escritos para crianças, com a ordem que me parecer mais lógica, independentemente de quando os coloquei no blogue.

Um pequeno e despretensioso livro de poesia que irá crescendo aos poucos.

Para não introduzir ruído desnecessário, não incluo os textos que acompanham os poemas nem a origem das imagens. Clicando no título poderás ver o post original com esses dados.

Boas Leituras… e comenta!

João Alberto Roque
 

Testamento Poético em linguagem prosaica

Estando em estado de lucidez e de perfeito juízo
Ainda na posse de todas as minhas faculdades
E porque a ninguém pretendo causar prejuízo
Neste documento declaro as minhas vontades

A poesia será partilhada como um todo indiviso
Será sempre uma garantia e espaço de liberdades
Se alguém a quiser vender, o preço é um sorriso
Aceitem-na, para combater tiranias e falsidades

Porque na poesia o amor é cada vez mais preciso
Perderá a sua parte quem a usar para maldades
E será excluído deste testamento tão conciso
Quem usar esta herança para criar desigualdades


Apelo aos amigos

Se me vires por aí, em qualquer lado
Sem mostrar aparente atividade,
De olhos focados noutra realidade,
Corpo presente, mas de ar alheado,

É possível que esteja exilado
E por respeito à nossa amizade
Não me digas qualquer banalidade
Que me faça cair estatelado.

Desculpa se não gosto quando invades
Momentos de silêncio e de paz.
Resiste, faz-me essa cortesia….

Sim, guarda para ti as novidades
Que o prosaico já não me satisfaz,
Só o mundo encantado da poesia.

Cartonera

Com e sem rede

Os oceanos ou as cordilheiras
Estão hoje mais fáceis de transpor
E o mundo ali todo ao dispor
Num tempo em que se esbatem as fronteiras

Conversa-se, alheios a bandeiras,
O mundo todo ali mesmo ao redor…
Porém, e não será um pormenor,
Todos os dias surgem mais barreiras

Levantam-se fronteiras de indiferença,
Picos gelados mesmo à nossa porta,
Mares com tempestade em nosso prédio…

Sim, cresce a solidão, essa doença,
Quando falta o carinho que suporta,
O gesto que seria o remédio.


Mandela

Origens

Nascemos predispostos para amar
O coração aberto a alma pura
E, juntos, começámos a aventura…
Porque é que isso havia de mudar?

Porque é que aprendemos a odiar
Se o ódio é em nós contranatura?
Porque é que se instalou esta cultura
Em que já é normal desconfiar?

Voltemos às origens, à pureza
Lembremos onde temos as raízes
Que o amor está na nossa natureza

É chama que se oculta, não se extingue
Temos que reavivar… vencer as crises
Aprender… que é o amor que nos distingue.

andre-marcal

Ondas da memória

Ouço as ondas do mar, ouço-as bem
E elas dão-me o tom para a canção…
Dão-me também o ritmo em seu vaivém
E trazem-me a paz ao coração.

Se estou só, com saudades, sei porém
Que querias partilhar a ocasião
E que a espera é curta, creio bem,
Até eu ter na minha a tua mão.

Deixo a voz espraiar-se, neste canto,
Neste extenso areal, praia vazia…
Voa com as gaivotas que espanto.

Pois se o mar me traz melancolia,
Na alma sobrevive um doce encanto…
E na memória há risos de alegria.

Barco de papel

Deste-me um barco de papel
Mas muito mal aparelhado
Não tem bússola nem tem leme
Tem só um mapa desenhado

Que me diz que siga o rumo
Que nasce no meu coração
Tenho medo de me perder
(Eu sei pouco de navegação)

E estamos no mesmo barco
– Senão porque sorriria? –
Ainda bem seguro no cais
Com amarras de poesia

Fizeste de mim capitão
Deste sonho desta esquadra
Mas é tempo de partida
Desta linha, nesta quadra

Não vês como és cruel?
Vês-me prestes a naufragar
E dás-me um barco de papel
A mim… que não sei nadar.

Declaração de amor… à vida

És única! Na verdade
sempre o soube,
desde o começo.
Por tua bondade
quanto me coube…
e eu… agradeço.

Como Homem
poderia, insatisfeito,
esperar por mais,
mas trataste-me bem,
tudo quase perfeito…
foram tantos os sinais!

Coração em sobressalto,
é de joelhos no chão,
mas de cabeça erguida
que grito bem alto
esta declaração
de amor… à vida.

Decantação1

Decantação

Deixei repousar
As palavras
Agitadas
Misturadas

Soprei a espuma dos dias
Verti com cuidado

No fundo ficou só
Puro
O amor.

Deixa a luz entrar

Sai dessa concha escura
Em que te fechas sozinha
Ultrapassa e pisa a linha
Solta-te, parte à aventura

Abre cortinas e estores
Deixa a luz entrar na tua vida
Veste uma roupa colorida
O sorriso mais lindo que tiveres

Respira fundo e sai para a rua
Tens tantas capacidades
Esquece as adversidades
Sonha e ousa querer até a lua

Poesia

.

Nascida
E criada
No país dos sonhos

Enamorei-me de ti
Antes de existires

Dei-te o corpo
Num poema

Dei-te a mão
E cruzámos
Juntos
A fronteira

Dei-te a alma
Dei-te tudo
Segui ao teu lado
A estrada da vida.

Mar

Foi um reencontro inspirador.

Na tua energia transbordante,
mas serena,
na delicadeza com que me envolves,

de repente,
tudo me parece possível.

Contagias-me com a tua força.
Fazes-me olhar mais longe…
muito para lá do que se vê.

Tudo fica mais belo,
mais alegre.

Mostras-me um sorriso aberto.
Nos teus olhos de um azul profundo
sou um peixe pequenino

e nesse azul imenso
eu deixo-me ir…
feliz.

 

Receitada pelo médico

Prefiro escrever
Quando estou feliz.
E assim a alegria,
O carinho, o amor,
A esperança, a paz, …
Transbordam da vida
Enchem o poema.

E nos dias tristes?
Podes perguntar.

Nos dias tristes aceito
A sugestão de um amigo
Quando, já adivinhando,
Me dedicou um poema
(a mim… e a ti também)

E ele era médico
(Nas horas que a poesia
Lhe deixava vagas)
Sabia o que dizia.

Receitou-me poesia
Para tomar sempre
Que não estiver bem.

Então, se estou mal
No meu coração,
Se estou irritado, …,

Como um xarope,
Leio um poema
Alegre, feliz,

Depois outro e outro
E esqueço as dores.

Ilumina as sombras
Que trago na alma,
E regressa a calma
E regressa a paz.

Será um placebo?
Não sei se faz bem
(Parece que sim)
Mal é que não faz!

 

Folhaembranco2

Folha em branco

Há muito preferi-te aos brinquedos
Só eu via os encantos que tu tinhas
Sim só tu me conheces me adivinhas
Na nossa intimidade e nos segredos

Partilhámos os gostos e os medos
Lembro hoje saudoso quando vinhas
Carente entregar-me tuas linhas
Abrir-te branca e pura em meus dedos

Sempre pronta a aceitar a minha mão
Para lá dos encontros fugidios
E eu guardava-te junto ao coração.

Sonhando na textura de cetim
Confiante aceitava os desafios
Na urgência de dar-te algo de mim.

Cores

Só tu…


A vida dá voltas e voltas…
Se parece que a alegria foi e não volta…
revolta-te!
Mas não deixes que se note:
Veste o teu melhor sorriso…
Às vezes é preciso disfarçar:
arrumar a dor num canto do poema
E soltar um canto
rebuscado no fundo da alma.

Muda de atitude…
Muda de óculos…
essas lentes não te deixam ver bem.
Com lentes feitas de optimismo e confiança
verás a vida menos desfocada
Cores radiantes, luminosas,
as coisas boas que acontecem
na tua vida, à tua volta.
Terás a alegria de volta.

Olho

A tua luz

Se de longe te olho emites luz
Contrariando as leis da natureza
Aproximo-me e tenho a certeza
Há algo nos teus olhos que reluz

Um brilho que extravasa e que seduz
Lâmpada cintilante sempre acesa
E eu sou a borboleta indefesa
Ignorando o perigo a que me expus

Aceito que essa é a minha sina
Sabendo que essa luz desassossega
Confio que ela apenas me ilumina

Se luz em demasia também cega
Fecho os olhos preenches-me a retina
E abro-me ao amor que não se nega.

 

Junco Planta

Junco

Queria as tuas raízes
Tão fortes, que me firmassem
Em convicções de granito
Pois, torga, eu acredito
Que é dessa cepa que nascem
Grandes homens e países.

Mas eu nasci junto ao mar
Tenho as raízes na areia
Nas variações da maré.
Adaptei-me, é o que é:
Sopra o vento, o mar volteia…
Aprendi a balançar.

ESCREVER

Venho brincar aqui no Português

Venho brincar aqui no Português,
a língua dos meus pais e minha, agora,
herança a que acedi e assim me fez
irmanado a milhões, pelo mundo fora.

Espaço de orgulho e altivez,
onde se ouve uma voz livre e sonora.
Lugar de diversão, sem timidez,
não vive já dos feitos de outrora.

E os poetas que brincam com os sons,
alegres companheiros no recreio,
partilham todos deste devaneio:

de tornar, cada qual com os seus dons,
nossa língua um local acolhedor;
nossa pátria mais rica… e maior.

 

Mia Couto

Sim, amigo, obrigado pelas lições.
Matámos a galinha por um ovo…
é preciso avivar, erguer de novo,
brincar, criar, fazer brincriações.

Ajudaste a sonhar colorações
no planeta dormente onde me movo,
recriaste a língua com o povo,
recreaste a língua em diversões.

Recuperaste até antigos brilhos
(e os ovos de ouro brilham mais
se reflectem o brilho dos demais),

trouxeste alegria a nossos filhos,
cor aos planetas já entorpecidos …
Seja a língua carícia em teus ouvidos!

Unidiversidade

Nascemos em países tão distantes
mas nossas falas, na diversidade,
brincam juntas em tal intimidade
nesse encontro, são línguas de amantes.

Belo festim de sons com cambiantes,
poetas burilando a claridade.
Tantas faces não quebram a unidade,
mas reflectem a luz, são diamantes.

Perceber-te não é grande façanha:
posso achar a pronúncia estranha,
pode o vocabulário divergir…

– Adorei, foi gostoso o cafuné
– Se pensas que eu não sei o que isso é…
Percebi, não precisas traduzir.

https://i2.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e7/Praia_da_Barra.jpg/420px-Praia_da_Barra.jpg

Redondamente grato

Vim, feito às no volante, da Gafanha
Dessas terras do mar, terras da ria
Impregnadas do cheiro a poesia
Trazer algo da minha arte e manha

E acho que cometi uma façanha:
Dum oceano que é lusofonia
Eu trago um ritmo doce a maresia
(É o balanço do mar que a gente ganha)

Às terras aprazíveis do Redondo.
Às gentes que me calam cá no fundo
Manifesto-me grato, sobretudo…

Com o meu couro pouco cabeludo
Brilhando ao calor dos holofotes…
Grato por revelardes os meus dotes.

 

Émeápê

Perdemos um grande amigo,
O poeta, o inventão,
Se é que se pode perder
Alguém de tal dimensão.

Era maior do que a morte,
Era um anante, um gigão.
Ficou-nos longe da vista,
Mas dentro do coração.

Ainda não é o fim
Nem o princípio do mundo
Apenas um pouco tarde
Para algo tão profundo..

No cavalinho de pau,
(O do menino Jesus)
Vai agora a cavalgar
Mais célere do que a luz

Mas fica sempre connosco,
Não temos razão de queixa,
Pois continua a viver
Entre os livros que nos deixa.


calçada

Poesia na cidade

Falo-vos da cidade em que resido
Cidade em que há palavras como ruas
E cada qual que busca um sentido
As recolhe e as usa como suas

Alamedas são ritmos no ouvido
As rotundas, os prédios… frases cruas
Uma estrofe é um bairro construído
Trabalhando, o poeta usa gruas

Em cada largo ou esquina muda o tema
Muda vírgula, ponto ou reticências
Na busca de beleza e de alegria

Quem cá vive dá corpo ao poema
Quem chega entra logo nas cadências
No ritmo da cidade, da poesia.

Se eu fosse um livro…

 

E se eu fosse um livro, por magia,
Para me poderes ler sobre esta mesa?
Se pudesse escolher, tenho a certeza,
Seria coletânea de poesia.

E em cada poema uma surpresa
A cada nova página que abria.
Sim, que esta capa gasta, quem diria,
Guarda dentro de si muita beleza

No ritmo e na rima dos poemas
Justa combinação, a dos fonemas,
Feita para que gostes de me ler.

Tudo depende só da tua escolha…
Perder-te-ias toda em cada folha.
Levar-te-ia aos cumes do prazer.

cerejas

Cerejas são palavras

Cerejas são palavras… encantadas.
Puxa-se uma e vem outra de seguida.
Doces, acres, amargas ou iradas,
E não é só caroço… é a vida.

Cerejas saborosas, mas bichadas,
Cerejas sumarentas, coloridas…
Falas do povo, rudes, mas honradas,
Em trocas de cerejas mal medidas.

Mas se o rumo não é o que deseja,
Uma cereja puxa outra cereja
E acaba instalada a confusão.

Na verdade, nem sempre, infelizmente,
É a comer cerejas que a gente
Se entende! Se a cereja é agressão.

Um mar em nós

Um mar em nós

A vida começou, simples, no mar
E, por passos pequenos e banais,
Dele acabou por se libertar
Partindo a conquistar outros locais
Mas cada novo ser pôde guardar
Memória desses tempos ancestrais

.

Hoje, que a nossa aula é sobre o mar,
É preciso, é forçoso que saibais
Dois terços de nós são o próprio mar.
Sim, é a mesma água, os mesmos sais.
Temos em cada célula o mar,
cada lágrima é mar que, assim, chorais.

.

Um apelo impossível de ignorar,
Além do horizonte há sempre mais,
Mais mar e novas terras por achar,
Mas nunca, nunca mais vos iludais.
Só em vós podereis vir a encontrar
A ilha do tesouro que buscais.

Névoa 2

Que bela…

Contemplo a paisagem da janela
A névoa da manhã, ar de mistério,
Torna a serra fantástica e pincela
Os cumes de branco com critério.

Beber esta paisagem, tão singela
Assim pela manhã, é refrigério.
Lava-me até a alma e apela
Ao que há de mais nobre e de mais sério…

Se as pessoas nas ruas da cidade,
Que passam na calçada, cabisbaixas,
Pudessem beber esta claridade

Banhar-se nesta paz, que não se olvida
Não seriam tão tristes nem tão baixas…
Diriam como eu: que bela é a vida!

david-roque

Esta casa

Começo-a pelo telhado
O que não é bem normal
Mas não me levem a mal
Que é um risco calculado!

Vidros duplos na janela
– ou serão duplos sentidos?
Apenas para entendidos
Que olhem de fora por ela…

Sei que parece estranha
por estar assim dividida
Uma parte é pessoal
e foi feita à medida

Noutra cabem os amigos
cada qual com os seus fados
Esta casa é a vida
e sois todos convidados

Construo-a com a leveza
Das palavras que me abrigam…
Paredes que desafiam
Tantas leis da natureza!

Podeis entrar que não cai
Porque está bem construída
Pois também vós sois as vigas
Desta casa que é a vida…

 

Haiku

Haicai

I

Vão caindo as folhas
Secas, que eu recolho e guardo…
E escrevo poemas.

II

Finalmente livre
Uma folha vai no vento.
É assim a vida.

III

Voo de andorinha…
Abro as asas do sonho
Deixo-me ir no vento.

 

O Carnaval acabou


O Carnaval acabou.

Queria tirar a máscara

E voltar a dar a cara…

Voltar a ser quem sou.

.

Entre o verdadeiro eu

E aquele que pareço

(entre o genuíno e o adereço)

A distinção esvaneceu.

.

Entre as ficções que criei

E a que é minha história

Não há fronteira notória.

Por vezes já nem eu sei.

.

Nesta linha indefinida

Entre máscara amovível

Ou plástica irreversível,

Anda, assim, a minha vida.

labirinto

.

Poesia interrompida

As palavras que escrevo

Traduzem mal o que sinto

Enredam-se nelas próprias

Um eterno labirinto…

.

És tu que lês o que escrevo

Que dás sentido ao caminho

És meu par nesse trajeto

Que eu não descubro sozinho

.

Mas fica-me a sensação

Ao começar a viagem

De que me queres dizer mais

E te falta a coragem…

.

E também eu tenho medo…

De não saber por onde ir

De me perder nas palavras

Ou mesmo de desistir

.

Vem completar o poema

Nunca deixes que a vida

Fique só pela metade,

Poesia interrompida…

 

As primeiras andorinhas

.

Chegaram hoje as primeiras andorinhas.

Apesar do ar ainda frio, vêm lembrar

(com o espalhafato típico de vizinhas)

Que a primavera não tarda a chegar.

.

Trouxeram nelas a chave que devolve,

Às mais doces memórias, liberdade.

O calor que nos estimula, nos envolve,

Um tempo que é sempre de novidade.

.

Brotaram do solo, os bolbos adormecidos.

Encheu-se o ar de perfumes e as cores

E os chilreios despertaram-me os sentidos.

Vi-me mesmo a colher um braçado de flores.

.

Hoje as árvores encheram-se de verdura

E entre as folhas e flores pude notar:

A promessa de fruta doce e madura;

O labor das abelhas recolhendo o néctar.

.

Voltaram as correrias e os risos de crianças,

Lagartixas, borboletas coloridas, libelinhas…

Tudo quanto guardava na arca das lembranças,

Tudo me trouxeram, hoje, de novo, as andorinhas.

.

trabalho infantil

Infância perdida

.

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

.

Vês a alegre correria

Meninos na brincadeira

Mas tu passas todo o dia

Sentado nessa cadeira

.

Sem tempo para o que gostas

Nem momentos de lazer

Não endireitas as costas

Tens trabalho para fazer

.

O patrão é exigente

Quer os sapatos bem feitos

Para ele tu não és gente

E não tens quaisquer direitos

.

Não sabes o que são férias

E o pouco que paga à peça

Só agrava as misérias

Por estranho que pareça

.

Deixa marcas para a vida

Esse ciclo vicioso

A tua infância perdida

É um tempo precioso

.

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

O fim

O Fim

Já reparaste no que andas a perder
Enquanto olhas o que foi ou o que vai ser?
Então aceita este dia como se fosse um presente…
E porque não? E porque não? E porque não?

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará…

Já reparaste quantas vezes adiaste
Quantas vezes tu deixaste para depois…
Os anseios mais profundos que trazes no coração?
O que é que esperas? O que é que esperas? O que é que esperas?

O fim está…
O fim está aí!
O fim está aí mesmo!
Porque é que tu não queres ver?

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará!

Tu sabes tudo, tudo… Eu só sigo o coração.
O fim está perto, o fim é certo, mas vives na ilusão.
O tempo é pouco, sim, o que tens p’ra viver.
Segue os teus sonhos, sente o coração bater,

Não fujas mais de ti, dos teus ideais
Porque amanhã pode ser já tarde demais.
Então pára! Pára aí! Pensa um pouco:
Onde vais, sem um rumo, como louco?
Assim não chegas lá… assim não chegas lá…

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará!

https://infantilidades.files.wordpress.com/2015/01/43726-10614251_814981161855327_6063663117551737544_n.jpg?w=468

Nós somos do mundo

Assim somos nós
Este povo que foi grande demais
Para ficar preso nestas fronteiras
E se aventurou pelo mar tão profundo.
Nós somos do mundo!

Assim somos nós
Ilusão e uma mala de cartão
Este povo que cruzou as fronteiras
E se aventurou por tantos países…
Deixámos raízes.

E hoje de novo
Resta-nos partir
E ir pelo mundo à conquista
Do que cá dentro nos negam.
A sorte há de sorrir…
Se formos audazes.

Fugindo às crises por outras paragens,
Com este chão e este mar na memória,
Faremos História.

E hoje de novo
Nosso fado é partir
E ir pelo mundo à conquista
Do que cá dentro nos negam.
A sorte há de sorrir…
Nós somos do mundo!

Identidade

Identidade(s)

A vida é um baile confuso
E, às vezes, pra meu desgosto,
De entre as máscaras que uso
Nem reconheço o meu rosto…

São tantas as personagens
Que tento representar
Que já troco as mensagens
Os passos que devo dar…

E são tantos os cenários
Que me surgem no trabalho
Tão opostos e contrários
Que eu, às tantas, me baralho

Nuns dias eu ando à toa,
Noutros faço um brilharete…
O que eu sou, como pessoa,
Já não cabe num bilhete.

Aqui estou de corpo inteiro
Mas de mente dividida
Mais peças no tabuleiro
Já não cabem numa vida

Todas são realidade
Que eu vivo em plenitude
Partes de uma identidade
Que busco com inquietude.

Pelo Natal

Recordo com saudade aqueles Natais
que celebravam o nascimento de um petiz.
Um momento tão marcante e tão feliz
passado numa cabana pobre de animais.

Eram pobres as prenditas que me dava
o menino Jesus, nos Natais da meninice:
um doce e algo útil. Mesmo que não pedisse
ele sabia sempre do que eu mais precisava…

E que podia eu esperar receber mais
de um menino muito mais pobre do que eu,
de um menino que eu sabia que nasceu
tão pobre numa cabana de animais?

Era um tempo muito belo mas modesto:
as roupas partilhadas com os manos,
os brinquedos, simples, duravam anos…
A imaginação e o engenho faziam o resto.

Hoje é diferente e faz-me certa confusão
que o Natal, que era outrora de um menino,
seja hoje de um velho abastado e fino
que publicita as suas prendas na televisão.

O Pai-Natal impôs-se no nosso imaginário…
Um menino pobre numa cabana de animais,
não encaixa bem nos propósitos comerciais,
como explicaria qualquer bom publicitário.

Recordo com saudade aqueles Natais…

 

Mãe

Tu não dás muito…
Dás-te toda,
De cada vez.

Vela que arde
De fio a pavio,
Até ao fim.

Nunca perdes a chama
Mas apagas-te
Para que todos brilhem.

Pai e Filho

 

Prenda para o Pai

Procurei por uma prenda
por algo belo, perfeito.
Olha, Pai, estou sem ideias…
Não achei nada de jeito!

Nada era digno de ti,
de tanto amor que me deste…
dos trabalhos que passaste…
das noites que não dormiste.

Que prenda te posso dar?
Tem de ter um tal valor
que nenhum dinheiro compra…
Aceita o meu amor!

Um abraço, um carinho
e uma pequena lembrança…
É que eu, ao pé de ti,
serei sempre uma criança!

Diz sim à vida

Diz “sim à vida”

.

Se quando olhas para trás
Gostas das marcas no teu trilho
Mantém-te firme, não vaciles
Empresta ao mundo o teu brilho

Diz “sim à vida”, com confiança
“Sim” decidido, um “sim” forte
Vive a tua vida em liberdade
E nunca brinques com a sorte

Não vás atrás de certas modas
Preserva a tua identidade
Diz sempre não às dependências
Defende a tua liberdade

Vê se aprendes com os erros
De preferência os alheios
Que tu já viste tanta gente
Perder-se em seus devaneios

Se te deixaste já prender
Põe tua mão na consciência
Convoca as forças que há em ti
Restaura a tua independência.

Diz “sim à vida”

Dias mais risonhos

Dias mais risonhos

Vês tudo triste e escuro? Sentes a noite persistir?
Estás com medo, inseguro? Vem ver o Sol… está a surgir.
E não te deixes abater, por mais problemas que defrontes.
Também o sol irá nascer lá por detrás daqueles montes.

A tua vida é diferente da que havia nos teus sonhos?
Não desanimes, vai em frente, que virão dias mais risonhos.
Sonhos quebrados? Não desistas! Metas difíceis? Vai à luta!
É só preciso que persistas, de forma firme e resoluta.

Há uma nuvem que te ensombra e parece perseguir-te?
Deixa a luz vencer a sombra, pois precisas descobrir-te.
Será que a nuvem existe ou está só na tua vista?
Podes crer que não resiste a um olhar mais otimista.

A tua vida é diferente da que havia nos teus sonhos?
Não desanimes, vai em frente, que virão dias mais risonhos.
Sonhos quebrados? Não desistas! Metas difíceis? Vai à luta!
É só preciso que persistas, de forma firme e resoluta.

Tira os óculos escuros com que vês a realidade,
Porque onde só vês muros… está a felicidade.
Não fujas dos afetos, da amizade oferecida,
Mas descobre que projetos dão sentido à tua vida.

Não desanimes… Virão dias mais risonhos.

Um pouco mais 1

Um pouco mais

Andas na vida à deriva
Perdeste o norte de todo
Procuras sentir-te viva
Vais-te enterrando no lodo

Já não ouves os amigos
Que te querem dar a mão
Que enfrentam os perigos
Para levantar-te do chão

Não te deixes desistir
Nunca é tarde demais
Para parares de fugir
E te dares um pouco mais

Da vida, os melhores anos
São os que estás a perder
Reconhece os enganos
E recomeça a viver

Não te deixes desistir
Nunca é tarde demais
Para parares de fugir
E quereres um pouco mais

Não te deixes desistir
Nunca é tarde demais
Para parares de fugir
E amares um pouco mais

foguete

Soneto de fim de ano

Este que agora está a acabar,
Foi um ano penoso que vivemos,
Pelos momentos difíceis que tivemos,
Foi teste ao que podemos suportar

E as cicatrizes ficam… a lembrar
As lutas que enfrentámos e vencemos,
Quantos caminhos duros percorremos,
As barreiras custosas de saltar.

E hoje que se fina em estertor
Cá o velamos com coração puro,
Com o olhar tranquilo de criança.

Certos de que virá outro melhor,
Festeja-se a confiança no futuro,
Que o novo ano traz nova esperança…

Alda 1981

 

Carta de Amor

Aldinha, meu amor,

Tenho quatro retratos teus
Nas paredes do meu quarto
Que me iludem a saudade
Até ao momento em que parto.

Na brancura da parede
Andava o meu olhar perdido
Teus retratos são o verde
Neste Alentejo ressequido.

Cheguei a pensar até
Que gostava de os ver
Mas mudei de opinião
Ao começar a escrever.

Os retratos são bonitos,
Fica a parede composta,
Mas nada substitui
A pessoa que se ama.

(não rima mas é verdade
E é isso que interessa)
Ainda não sei quando irei
Mas quero ver-te depressa.

Um beijo…

(Cuba, 8 de Outubro de 1985)

Diving

 

Sem ti

Não posso viver sem ti!

A constatação não é de agora…

Nem sei porque demorei tanto a confessá-lo num poema.

Infelizmente nem sempre te tenho por perto, como desejaria,

e quanto mais tempo passo sem ti

mais sinto a tua falta,

mais sinto a urgência de me beijares nos lábios,

pura

e me fazeres reviver.

Quando te ofereces em abundância

Dispo-me de tudo

E mergulho em ti, até ficar sem ar.

Abro os braços, como asas, e voo calma, pausadamente,

Vencendo a gravidade.

Só mesmo no teu seio poderia viver

esta inimitável sensação de leveza, de imponderabilidade.

O teu toque na minha pele é estimulante…

Por mim deixava-me ficar para sempre.

Despeço-me num arrepio e na certeza

De que não estarei longe de ti por muito tempo.

Só de pensar em ti,apeteces-me!

O que vale é que não estás longe

E basta-me pedir que te tragam até mim:

– Olhe, faz favor, traz-me um copo de água?

SONY DSC

 

Hino à Gafanha da Nazaré

A quem buscava um futuro
Nunca negaste o sustento
Foste um porto seguro
Terra de acolhimento
Foste o cais da partida
Para grandes aventuras
Em epopeia vivida
Sempre em condições tão duras

Nesta língua de areia
Entre a laguna e o mar
Nasceste, pequena aldeia
Que aprendemos a amar
Depois vila, tão formosa,
Embalada pela maré,
Hoje és cidade orgulhosa…
Gafanha da Nazaré

És lugar acolhedor,
Em que escolhemos viver,
Que um povo batalhador
Com trabalho faz crescer
Queremos cantar-te um Hino
Para expressar esta fé:
Mandarás no teu destino…
Gafanha da Nazaré.

 

Padeira 2

A Padeira de Vale de Ílhavo

Nem só de pão vive o Homem
Mas também (e sobretudo)
Quem provou o de Vale de Ílhavo
Pode crer que é sortudo…

Há uma padeira famosa
Por coisas que já lá vão…
A padeira de Vale de Ílhavo
É famosa por seu pão.

Também é mulher guerreira
Que defende a tradição
É pela sua independência
Que leva ao forno o seu pão.

Das suas mãos vi nascer
Verdadeiras obras de arte
Feitas de ovos e farinha,
Que brilham em qualquer parte.

bolo

Pelo meu aniversário…

 

Destes-me os parabéns e eu agradeço,
Mas que fiz de importante neste dia?
Mais um aniversário? (Em demasia…)
É algo que eu sei que não mereço.

Não sou daqueles que “faço e aconteço”
Acreditem, por mim, já desfazia
E, em vez de somar, retrocedia…
Preferia voltar para o começo.

Depois quando chegasse aos vinte e seis
Poderia parar por essa idade…
(No velório teria um ar jovem)

Destes-me os parabéns… bem o sabeis,
Só posso agradecer vossa amizade…
Que os votos, muitos anos, se renovem.

Imagem

25 de Abril – a revolução dos cravos

Marcha da Gafanha da Nazaré – 2012 

Refrão 1:

Nasceu tão bela e tão frágil
A nossa democracia
Recordemos esse dia
O vinte e cinco de Abril.

Vieram os militares
Garbosos nas suas fardas
E o povo aos milhares
Sem medo das espingardas

E os cravos se tornaram
Símbolos da revolução
Nesse dia terminaram
Os tempos de repressão.

E o povo saiu à rua…

Refrão 2: 

E o povo sai à rua também
Pelo santo António,
Pelo São João
E pelo São Pedro…
Em alegre devoção
Celebrando os seus santos populares
Dias de alegria,
São dias de fé
Vamos a marchar…
Gafanha da Nazaré

(Refrão 1)

Findou uma noite escura…
Em revolução serena,
Acabou a ditadura
O povo é quem mais ordena.

Abril abriu as janelas
E as portas à claridade
E a vida entrou por elas,
Em paz e em liberdade.

E o povo saiu à rua…

(Refrão 2  Refrão 1) 

Na revolução de um povo
Que ansiava a liberdade,
Abril foi um tempo novo
De paz e fraternidade.

E nas vozes há cantigas
Que alegram novos e velhos
E das mãos das raparigas
Voam os cravos vermelhos.

E o povo saiu à rua…

(Refrão 2 )

 

moliceiro

O Moliceiro

Marcha da Gafanha da Nazaré – 2013

Nobre, pelas calmas águas da ria,
Com o seu porte altivo e sobranceiro,
Nas horas de trabalho ou de folia,
Desliza o nosso barco… o moliceiro.

Trabalhámos todo o dia
Na apanha do moliço
Nos fundos baixos da Ria
E é duro o serviço,

A bordo do moliceiro,
Deste barco sem igual.
Temos o rosto trigueiro,
Curtido de sol e sal.

Gracioso, o moliceiro,
É veloz a navegar,
Vence o vento e a maré.

Há que ser sempre o primeiro,
No nosso regresso ao lar…
Gafanha da Nazaré.

Co’as nossas melhores farpelas
Nós vamos em procissão
E nas mãos levamos velas
Que afastam a escuridão.

Retemperar energias,
Desfrutar bem o que resta
Que esta vida são dois dias…
Sempre prontos para a festa.

Que nos leve um bom vento
Ao S. Paio da Torreira
Pois gozamos o evento
Em amena cavaqueira

Que a festa é concorrida,
Tanto amigo e vizinho,
E nunca falte a comida
Regada com um bom vinho.

Vamos pelas águas da Ria
À Senhora da Saúde
Com muita fé e alegria
A pedir que nos ajude

E o que lhe pedem os crentes
Com cânticos e orações
É que cure os doentes
De maleitas e aflições.

S. Jacinto ali tão perto
E os foguetes a chamar.
A esta festa, decerto.
Ninguém podia faltar.

E assim lá vai a malta
À Senhora das Areias
Quando a noite já vai alta
Regressa à luz de candeias.

Senhora da Nazaré
Somos os anfitriões
Para a festa vamos a pé
Receber as multidões

Senhora dos Navegantes,
Com muita cor e alegria.
Espantam-se os visitantes
Com a procissão na ria.

Pelos santos populares
Nós saltamos as fogueiras.
Andam balões pelos ares
Esquecemos as canseiras.

Santo António, S. João
E o S. Pedro a fechar…
Para lá da devoção
É tempo de festejar.

Na proa do moliceiro,
Há desenhos coloridos
E frases, em tom brejeiro,
Cheias de duplos sentidos…

Deslizando pelo esteiro
Voltamos a ser petizes…
A bordo do moliceiro,
Nós já fomos tão felizes.

.

Janela Marcha

A Serenata

Marcha da Gafanha da Nazaré 2014

 

M

De onde vem esta tocata

Que escuto com agrado?

Oh, que linda serenata

Que me faz meu namorado.

H

Refrão:

Com janela e coração

Abertos de par em par

Vem ouvir esta canção

Que te quero dedicar

 

Vem pois à janela

Quero ver-te nela

Quero vê-la abrindo…

 

E vem à varanda

Trazer-me uma prenda:

Um sorriso lindo.

M

A voz sai-lhe da garganta

Tão rica de emoção

Porque o meu amor me canta

Como é da tradição.

M

É só ao som da guitarra

Que eleva a sua voz

Mais parece uma fanfarra

Aqui a tocar para nós.

M

Prá cadência da canção

Nem precisa de tambor

Basta ouvir meu coração

Bate ao ritmo do amor…

T

Pelos Santos populares
– Linda tradição já é –
Faz ouvir os teus cantares,
Gafanha da Nazaré.

H

É só ao som da guitarra
Que elevo a minha voz
Mais parece uma fanfarra
Aqui a tocar para nós.

M

Refrão:

Com janela e coração
Abertos de par em par
Vou ouvir esta canção
Que tu me vens dedicar

H

Vem pois à janela
Quero ver-te nela
Quero vê-la abrindo…

E vem à varanda
Trazer-me uma prenda:
Um sorriso lindo.

H

Prá cadência da canção
Nem preciso de tambor
Basta ouvir meu coração
Bate ao ritmo do amor…

T

Pelos Santos populares
– Linda tradição já é –
Faz ouvir os teus cantares,
Gafanha da Nazaré.

 T

Pelos Santos populares
– Linda tradição já é –
Faz ouvir os teus cantares,
Gafanha da Nazaré.

 

Marcha 2015

Bombeiros Voluntários de Ílhavo

Marcha da Gafanha da Nazaré 2015

Uma justa homenagem aos Bombeiros Voluntários
Grata pela vossa coragem, pelos gestos solidários,
Pela amizade até… não vos podia esquecer!
Gafanha da Nazaré… aqui está para agradecer.

E agora que constroem, pra servir, um quartel novo
É bem certo que merecem o apoio de todo o povo
Se não regateiam esforços na hora de ajudar
Temos de estar do seu lado quando estão a precisar

Se pelos santos populares andamos na reinação
Há, para nossa segurança, bombeiros em prontidão
São cem homens e mulheres e outros mais hão de vir
E já cento e vinte e dois os anos a nos servir.

Marcham em trajes de gala, capacetes e machados
Ou vêm prestar socorro, quando estamos precisados
Sempre prontos a ajudar e não olham à distância
Com a sirene a tocar vem veloz a ambulância.

De agulheta e mangueira enfrentam fogo e calor
São verdadeiros heróis… nem sempre lhes dão valor
Disponíveis para aprender, em constante formação,
Para melhor nos servirem… São dignos de gratidão.

Anúncios

2 Respostas

  1. Olá João:

    Após uma incursão na blogosfera, encontrei o seu blog que achei muito interessante. Pois, além das histórias para crianças, tem outros textos de diferentes tipologias que me agradaram particularmente. Não fiquei surpreendida, uma vez que já conhecia os seus dotes poéticos, pois coube-me atribuir-lhe o prémio Dr. Hernâni Cidade. Continue a escrever dessa forma simples, mas agradável. Mais uma vez, parabéns.

    Elisabete

  2. Obrigado pela simpatia das suas palavras.
    O que eu coloco no blogue é uma parte muito pequenina do que vou escrevendo.
    Concretizar o sonho de publicar mais livros é que está difícil… também não tenho feito muito por isso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: