Vaidade – Soneto de Florbela Espanca

Florbela Espanca.jpg

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho… E não sou nada!…

Florbela Espanca

Mais uma publicação na série de sonetos que andava a publicar, de diferentes autores. Agora calhou a Florbela Espanca, uma das grandes cultoras do soneto em Portugal.

Imagem colhida em: escritas.org/autores/florbela-espanca.jpg

 

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Soneto de Camões

 

Em quanto quis Fortuna que tivesse
esperanças de algum contentamento,
o gosto de um suave pensamento
me fez que seus efeitos escrevesse.

Porém, temendo Amor que aviso desse
minha escritura a algum juízo isento,
escureceu-me o engenho, com o tormento,
para que seus enganos não dissesse

Ó vós, que Amor obriga a ser sujeitos
a diversas vontades, quando lerdes
num breve livro casos tão diversos!

Verdades puras são, e não defeitos;
e sabei que, segundo o amor tiverdes,
tereis o entendimento de meus versos.

Luís Vaz de Camões

 

Camões

Caricatura feita por Pablo Morales de los Ríos “colhida” em http://speglich.blogspot.com/2016/09/luiz-vaz-de-camoes.html

 

Ontem foi dia de Camões, mas não consegui encontrar tempo para me dedicar a esta publicação que tinha desejado fazer… vai hoje.

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A tua luz

Olho

A tua luz

Se de longe te olho emites luz
Contrariando as leis da natureza
Aproximo-me e tenho a certeza
Há algo nos teus olhos que reluz

Um brilho que extravasa e que seduz
Lâmpada cintilante sempre acesa
E eu sou a borboleta indefesa
Ignorando o perigo a que me expus

Aceito que essa é a minha sina
Sabendo que essa luz desassossega
Confio que ela apenas me ilumina

Se luz em demasia também cega
Fecho os olhos preenches-me a retina
E abro-me ao amor que não se nega.

Este soneto foi classificado em terceiro lugar no III Concurso de Poesia Serra Serata, em Petrópolis, Brasil.

O tema obrigatório era “Luz” e a forma o soneto clássico.

Depois de no ano passado me terem atribuído o segundo lugar no II Festival de Haicai de Petrópolis, agora tive nova alegria de ver a minha poesia distinguida… e de novo com a companhia nos trabalhos premiados de Edweine Loureiro, um brasileiro com raízes portuguesas e que vive no Japão.

Nota: Encontrei a foto na net, mas não consegui perceber a sua verdadeira origem.

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