Bote (ou dóri)

A propósito de muitas dúvidas que têm andado nas redes sociais sobre o que é um “dóri” (os gafanhões sempre usaram mais a palavra “bote”), aqui vão duas fotos do bote 7 do “Novos Mares” que está na praça St. Jonh’s, na Gafanha da Nazaré e um poema que lhe dediquei e que consta do livro que hoje, pelas 16 horas, vou apresentar na Biblioteca Municipal de Ílhavo, e para a qual o convite segue, explícito.

Bote 1

Bote

Trocaste o azul pelo verde de um relvado
Em homenagem oca às velhas glórias
– Epopeias de gentes piscatórias –
Ao barco por inércia afundado

Se o navio acabou desmantelado
Os bocados, os botes, as histórias
São fragmentos de vida e de memórias
Do “Novos Mares” – orgulho do passado

O tempo para ti trouxe mudanças
Em vez de bacalhau já só carregas
O sabor agridoce das lembranças

Venceste tempestades e escolhos
Agora fixo ao chão, já só navegas
No azul esverdeado dos meus olhos.

Na fotografia ainda disfarça, mas o estado do bote está muito longe do desejável, a precisar urgentemente de restauro, que a não ocorrer vai obrigar a uma “requalificação”.

Bote 2

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Olho 3.png olhar O poema Aventura2  Hélder Ramos

ou ir para o início.

Anúncios

Lançamento de “Um Olhar…”

SELRES_d6c8db5d-20bf-48e3-b20a-d44ffd4c3d44SELRES_6a300e2f-d46b-40d5-8885-6c61ec7adfa1SELRES_d5e81a2a-9278-4637-9fac-f8ca53c73debSELRES_f9e7377a-5cde-4ed3-ba36-5a26fa95ae47SELRES_420e5631-1d28-4de1-8991-e762f641c53aSELRES_1dcf406c-ee71-45e9-ac19-6831dbdc4101SELRES_1dcf406c-ee71-45e9-ac19-6831dbdc4101SELRES_420e5631-1d28-4de1-8991-e762f641c53aSELRES_f9e7377a-5cde-4ed3-ba36-5a26fa95ae47SELRES_d5e81a2a-9278-4637-9fac-f8ca53c73debSELRES_6a300e2f-d46b-40d5-8885-6c61ec7adfa1SELRES_d6c8db5d-20bf-48e3-b20a-d44ffd4c3d44

Clica na primeira imagem, para ver a sequência da reportagem fotográfica.

Um sentido obrigado a todos os que colaboraram para que tudo corresse tão bem na sessão de lançamento do meu livro: Desde a D. Graça Martinho, cujos dotes culinários sempre adoçam os eventos que organizamos na Biblioteca, à D. Lurdes Ramos, à colega Piedade Gomes (ambas passaram o dia de aniversário dedicadas a este evento), aos alunos que tocaram – Sara Pombo e Diogo Bastos – ou leram poemas – Selene Salavessa e Samanta Bizarro, aos que trataram do som – Rafael Pombares e João Nunes – às colegas a quem pedi para lerem um poema – Ercília Amador, Amélia Pinheiro, Paula Cebola e Eunice Almeida – e a quem agradeço por sempre me incentivarem a prosseguir neste caminho da poesia, à Diretora Eugénia Pinheiro, que sem hesitar aceitou o pedido de que a biblioteca, onde passo tantas horas, servisse de palco a este lançamento, fazendo que me sentisse em casa. À minha filha Cecília que deu a cara pelo livro e esteve a receber os participantes e na venda dos livros, com a colega de turma Mariana Castanheiro. Aos elementos do Coro de que faço parte e ao colega Aníbal Seco que não hesitaram e responderam presente quando os convidei para animar o evento. Por fim, ao amigo Hélder Ramos, que nunca regateia esforços quando lhe peço a colaboração e, neste caso, pedi quer para o prefácio quer para a apresentação.

A reportagem fotográfica é da colega Fátima Viana e a escolha e tratamento das imagens foi feita por mim.

A professora bibliotecária da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, a minha amiga Piedade Gomes, escreveu este texto para o blogue da biblioteca e eu, com a devida vénia, transcrevo-o aqui no meu blogue:

Na noite do dia 28 de setembro, em agradável convívio de amigos, a Biblioteca da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré acolheu o lançamento do livro “Um olhar…”, de João Alberto Roque. Homem da terra, de formação na área das ciências, o seu gosto e dedicação à escrita já vem de alguns anos. Participou em diversos concursos literários que lhe valeram a obtenção de prémios a nível nacional e além-fronteiras. Tem textos em diversas publicações, quer coletivas, quer individuais. Escreve em resposta a desafios, mas também sobre si e sobre a sua visão do mundo. Começou a escrever por deleite, depois submeteu-se à métrica e às regras do soneto e transformou-as em desafios, disciplinando a sua criatividade.

Este evento constituiu uma celebração à escrita e uma oportunidade para que a comunidade da Gafanha da Nazaré possa refletir sobre a importância da escrita na nossa vida.

Usamo-la como forma de comunicação para nos entendermos. O João usou-a como forma de catarse e reflexão sobre a vida, como ele próprio afirma. Para nós, ele criou com arte, exprimiu ideias e sentimentos com beleza. Deixou-nos metade de uma obra que nos compete completar, seguindo a linha de pensamento do escritor britânico Joseph Conrad “O autor só escreve metade do livro. Da outra metade deve ocupar-se o leitor”. Mas a escrita é acima de tudo um valor civilizacional, uma arma poderosa que permite ao homem compreender melhor o mundo e de transformá-lo, de escolher em consciência e em liberdade, resistindo às pressões e às diversas formas de subjugação e de escravatura do seu tempo.

Piedade Gomes

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

olhar Apelo aos amigos Nós somos do mundo Olho 3.png  Prioridades 2

ou ir para o início.

Marcha da Gafanha da Nazaré 2018 – Sardinha

 

 

I       

 

Com a sardinha a chamar…  

Lá na onda altaneira,

O pescador fez-se ao mar,

A bordo de uma traineira.

Toda a noite a trabalhar,

Mesmo com frio e morrinha,

A lançar redes ao mar

Para recolher a sardinha.

 

A noite vai animada

Vamos lá saborear

Mais uma sardinha assada

Neste arraial popular

 

Com a banda a tocar

Com ritmo, Dó, Lá, Mi, Ré

Toda a gente a cantar

Gafanha da Nazaré. (bis)

II

No pregão duma varina,

Que ecoa pelo ar…

Vai tão fresca a sardinha

Na canastra a saltar.

De ancas a menear

E colorido avental

Retoma a volta, a marchar.

Fica a sardinha no sal…

III

Há lá coisa mais gostosa,

Em noite de S. João,

Que uma sardinha com broa

E um copo na outra mão?

É tempo de festejar

Sempre em boa companhia.

Sobre a brasa a assar

Ai, a sardinha já ia…

IV

Se puxo a brasa à sardinha

É para mostrar como é

Não há terra como a minha

Gafanha da Nazaré.

Hoje foi o dia da primeira apresentação das Marchas Populares, com início pelas 22 horas. Decorreu no estacionamento por trás da Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré. Nas próximas sexta (Costa Nova) e sábado (Ílhavo) haverá novas apresentações.

Desta vez a escolha recaiu sobre um texto que já tinha escrito há anos, mas ficara na gaveta. Puxando a brasa à minha sardinha, este é um daqueles temas que fica muito bem numa marcha da Gafanha da Nazaré. Já achara o mesmo da de 2013.

Pode assistir aqui ao vídeo da primeira apresentação.

Clicando nas imagens abaixo, poderás conhecer as dos anos anteriores, também com textos meus.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

SONY DSC Marcha 2016 Marcha 2015 Serenata moliceiro 2 

ou ir para o início.

O Fim

Estamos a preparar mais uma participação nas “Escolíadas” e deu-me para recordar… “O Fim”, tema da nossa escola no ano anterior ao “Fim do Mundo”. Lembram-se?

Já reparaste no que andas a perder
Enquanto olhas o que foi ou o que vai ser?
Então aceita este dia como se fosse um presente…
E porque não? E porque não? E porque não?

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará…

Já reparaste quantas vezes adiaste
Quantas vezes tu deixaste para depois…
Os anseios mais profundos que trazes no coração?
O que é que esperas? O que é que esperas? O que é que esperas?

O fim está…
O fim está aí!
O fim está aí mesmo!
Porque é que tu não queres ver?

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará!

Tu sabes tudo, tudo… Eu só sigo o coração.
O fim está perto, o fim é certo, mas vives na ilusão.
O tempo é pouco, sim, o que tens p’ra viver.
Segue os teus sonhos, sente o coração bater,

Não fujas mais de ti, dos teus ideais
Porque amanhã pode ser já tarde demais.
Então pára! Pára aí! Pensa um pouco:
Onde vais, sem um rumo, como louco?
Assim não chegas lá… assim não chegas lá…

Vive cada dia… decifra os sinais!
Vive este dia… tu não tens mais,
Que o teu mundo acabará…
Sim, algum dia o fim chegará!

Gostei muito desta canção (pudera… a letra foi da minha autoria, criada para a melodia de Hurricane – 30 seconds to Mars) na voz da Maggie Leal e da Prof. Anabela Rocha, duas vozes lindas.
Nesse ano o João Almeida foi agraciado com o prémio de melhor bailarino das Escolíadas – percebe-se bem porquê. A Catarina Silva e a Beatriz Caçoilo também estiveram muito bem.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

 Nós somos do mundo  Planta de Junco   moliceiro 2 Receitada pelo médico

ou ir para o início.

Marcha da Gafanha da Nazaré – 2017 – Ovos Moles

Ovos Moles

Nasceram lá no mosteiro
de um saber paciente.
Os ovos moles são de Aveiro,
Da Ria e sua envolvente.

E o povo, hospitaleiro,
Oferta-os a toda a gente,
Encantando o forasteiro,
Até o mais exigente.

Ovos-moles, ovos-moles,
O sabor da tradição.
São a doce tentação
Desta nossa região:
Ovos-moles, ovos-moles.

Gafanha da Nazaré
em cada arco e balão
Vem lembrar pelo S. João
O doce da região…
E Aveiro aqui ao pé.

Um doce conventual
Que é feito de gemas de ovos
Iguaria especial
de que gostam tantos povos.

É um doce divinal
Que agrada a velhos e novos
E nem nos vai fazer mal…
Venham daí mais uns ovos!

Ovos-moles, ovos-moles…

Há uma história marcada
Pelo mar, seus animais
Pela Ria inspirada
Não precisa inventar mais…

Com sua hóstia moldada
em formas tradicionais
deixa a alma consolada
se a gula não pede mais.

Mais uma vez colaborei com a associação “Grupo de Dança Pestinhas” nesta iniciativa meritória que dá corpo à Marcha da Gafanha da Nazaré. A Lela (Helena Semião) escolheu o tema e eu escrevi a letra.
A primeira apresentação, na Gafanha da Nazaré, correu (ou marchou) muito bem. Parabéns a todos os envolvidos. Tudo esteve excelente, dos arcos à coreografia, dos trajes à música. E até cantaram de modo bem audível…
Nas imagens abaixo podes conhecer as letras das marchas populares que escrevi nos cinco anos anteriores.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Marcha 2016 Marcha 2015 Serenata moliceiro 2  À minha procura
ou ir para o início.

Marcha da Gafanha da Nazaré – 2016

Marcha 2016 - Bailarico

Bailarico pelo S. João

Tocando no palco, meio improvisado,
O conjunto estava tão desanimado…
Sentado num canto, eu estava triste,
Depois tu entraste… nem sequer me viste.

E eram os Tochas, eram os Tavares
Eles bem que tocavam, mas até chegares
Não tinha vontade nem para sonhar…
Para me atrever… bastou um olhar.

Neste bailarico, pelo S. João,
Sozinho, eu não fico… Dá­-me a tua mão.
Até acabar, que já pouco resta,
Vem daí dançar, que é dia de festa.

Estou encantado por ser o teu par
Sinto-­me invejado por tanto olhar
E ninguém me ganha, não arredo pé…
Aqui na Gafanha, a da Nazaré.

Sinto-­me nas nuvens, estou enamorado
É tudo mais belo, contigo a meu lado
E sinto cá dentro no meu coração
Que olha por mim o meu S. João.

Tudo é possível num passo de dança
Que o teu sorriso dá­-me confiança
E no bailarico ou no arraial
Acredito nada pode correr mal.

Neste bailarico, pelo S. João […]

E hoje recordo, feliz, o passado,
Aqui a marchar contigo a meu lado,
Pois se hoje vamos dando a nossa mão
Tudo começou pelo S. João.

Nesse bailarico foste o meu par
E foi para a vida. Volto a cantar…
A mesma canção, décadas depois.
Dançar ou viver é melhor a dois.

Mais uma vez calhou-me escrever a letra da Marcha da Gafanha da Nazaré.

O tema foi proposto pela Helena Semião (Lela) e não posso dizer que foi fácil, mas acabei por gostar.

Este ano tive sempre ocupações coincidentes com os horários dos ensaios e a minha contribuição não foi além de escrever a letra. Desejo boa sorte ao grupo para todas as apresentações.

Vídeo de uma das apresentações, neste caso na Gafanha da Nazaré.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

Marcha 2015  Serenata  moliceiro 2    Nós somos do mundo  O riocorria calmo
ou ir para o início.

Hino à Gafanha da Nazaré

SONY DSC

A quem buscava um futuro
Nunca negaste o sustento
Foste um porto seguro
Terra de acolhimento
Foste o cais da partida
Para grandes aventuras
Em epopeia vivida
Sempre em condições tão duras

Nesta língua de areia
Entre a laguna e o mar
Nasceste, pequena aldeia
Que aprendemos a amar
Depois vila, tão formosa,
Embalada pela maré,
Hoje és cidade orgulhosa…
Gafanha da Nazaré

És lugar acolhedor,
Em que escolhemos viver,
Que um povo batalhador
Com trabalho faz crescer
Queremos cantar-te um Hino
Para expressar esta fé:
Mandarás no teu destino…
Gafanha da Nazaré.

João Alberto Roque

 

Escrevi este texto em 2012, quando a ADIG lançou o concurso para um Hino à Gafanha da Nazaré. Estando ligado à organização do concurso, obviamente não podia concorrer, mas podia escrever… e saiu-me assim.

Hoje, numa viagem pelos meus textos, encontrei-o e achei que era uma boa data – feriado municipal – para o dar a conhecer.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

O riocorria calmo  A Primavera  MV
Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas  Apelo aos amigos  

ou ir para o início.