Palavras do Mundo – Fronteira

Mais um poema selecionado para publicação no Brasil.

Com e sem rede

Os oceanos ou as cordilheiras
Estão hoje mais fáceis de transpor
E o mundo ali todo ao dispor
Num tempo em que se esbatem as fronteiras

Conversa-se, alheios a bandeiras,
O mundo todo ali mesmo ao redor…
Porém, e não será um pormenor,
Todos os dias surgem mais barreiras

Levantam-se fronteiras de indiferença,
Picos gelados mesmo à nossa porta,
Mares com tempestade em nosso prédio…

Sim, cresce a solidão, essa doença,
Quando falta o carinho que suporta,
O gesto que seria o remédio.

João Alberto Roque

 

Cartonera

Concorri com este soneto ao concurso “UNILA Cartonera 2013” da Universidade Federal da Integração Latino-Americana.
Achei interessante a ideia deste concurso e o tema do poema foi inspirado na realidade da região – de fronteira – onde se situa aquela universidade tão especial, mas leva-nos a outras fronteiras mais difíceis de transpor.

A UNILA é uma universidade sedeada em Foz do Iguaçu, cidade brasileira na zona de fronteira, que integra uma área urbana com mais de 700 mil habitantes, constituída também por Ciudad del Este, no Paraguai e Puerto Iguazú, na Argentina, países com os quais a cidade faz fronteira, e dos quais está separada (ou unida) pelo Rio Iguaçu, onde se situam as Cataratas do Iguaçu, uma das vencedoras do concurso que escolheu as 7 Maravilhas da Natureza.
Os textos selecionados (em português e espanhol) foram publicados num livro produzido numa “oficina cartonera” que, ao que percebi, constitui um dinâmico movimento cultural na região, com a publicação de livros de forma artesanal.
A versão em pdf do livro (infelizmente sem a capa de cartão artesanal, que parece que vou eu tentar fazer) está disponível em
http://www.unila.edu.br/sites/default/files/files/TEXTO%20FINAL(1).pdf

 

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