Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Um dos meus textos de que gosto particularmente é

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas Podem lê-la em:

http://www.liberarti.com/schede.cfm?id=1075&Uma_historia%85_a_feijoes_ou_um_fundo_de_verdade_num_inverosimil_conto_de_fadas

Os leitores mais habituados à minha escrita já não devem estranhar a extensão dos meus títulos.

Foi selecionada para publicação (em Português e também em Italiano) num concurso de um site italiano, com uma secção dedicada a Portugal e Brasil. O contrato é para e-book, mas havendo a hipótese de ser também em papel.

Por enquanto, ainda está disponível para leitura no site indicado acima. É um bónus aos fiéis visitantes.

 

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

   MV   Cecília e Sissi

ou ir para o início.

Anúncios

Dia Mundial da Criança – Poema contra o trabalho infantil

Infância perdida

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

Vês a alegre correria

Meninos na brincadeira

Mas tu passas todo o dia

Sentado nessa cadeira

Sem tempo para o que gostas

Nem momentos de lazer

Não endireitas as costas

Tens trabalho para fazer

O patrão é exigente

Quer os sapatos bem feitos

Para ele tu não és gente

E não tens quaisquer direitos

Não sabes o que são férias

E o pouco que paga à peça

Só agrava as misérias

Por estranho que pareça

Deixa marcas para a vida

Esse ciclo vicioso

A tua infância perdida

É um tempo precioso

 

É tempo de ir à escola

Há tanto para aprender

Deram-te a linha e a cola

Mas não tempo para crescer.

trabalho infantil

Escrevi este texto há anos, uma simples reflexão contra o trabalho infantil.

Hoje, Dia Mundial da Criança, queria publicar algo e fui à procura do que haveria na “gaveta”. Deparei com ele…

Talvez seja bom lembrar, agora que estamos a passar por um período difícil, que não podemos perder as conquistas do passado.

Mas se em Portugal ainda existem casos esporádicos de exploração do trabalho infantil, há países em que a situação é terrível. Vale a pena pensarmos nisso quando estivermos para comprar sapatilhas ou roupas de certas marcas.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

A Primavera Receitada pelo médico Prémio Literário Hernâni Cidade

ou ir para o início.

Just Playing – Anita Wadley (só a brincar / apenas brincando)

Quando eu estiver a construir, no cantinho dos blocos,

por favor não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo sobre equilíbrio e forma…

Quem sabe, um dia poderei ser arquiteto.

.

Quando estiver a vestir-me, a pôr a mesa, a tratar dos bebés,

não fiques com a ideia de que estou só a brincar,

porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser mãe ou pai.

.

Quando me vires debruçado na pintura ou frente ao cavalete,

ou moldando e dando forma ao barro,

não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo a expressar-me e a ser criativo.

Um dia poderei ser artista ou inventor.

.

Quando me vires a “ler” para uma audiência imaginária,

Não rias nem penses que estou só a brincar.

Porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser professor.

.

Quando me vires a catar os arbustos, à procura de insetos,

ou a encher os bolsos de coisas que encontro,

não consideres que estou só a brincar.

porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser cientista.

.

Quando me vires absorvido por um puzzle ou outro jogo na escola,

não sintas que estou a perder tempo a brincar.

porque, enquanto brinco, aprendo a resolver problemas e a estar concentrado.

Um dia poderei ser um empreendedor.

.

Quando me vires a cozinhar ou provar comidas,

não penses que, como eu gosto, é só brincar.

porque, enquanto brinco, aprendo a seguir instruções e a perceber diferenças

Um dia poderei ser cozinheiro.

.

Quando me vires a aprender a saltar, pular, correr, a mexer-me…

não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo como funciona o meu corpo

Um dia poderei ser médico, enfermeiro ou atleta.

.

Quando me perguntares o que fiz hoje na escola e eu responder: “Brinquei”,

por favor, não me interpretes mal.

É que eu aprendo enquanto brinco.

Aprendo a apreciar e a ter sucesso no trabalho.

Estou a preparar-me para o amanhã.
.

Hoje, sou criança e o meu trabalho é brincar.

 

Brincar

Este belo texto, escrito por Anita Wadley em 1974, e que continua atual (eu diria mesmo… cada vez mais atual) já estava no “infantilidades” há cerca de quatro anos e é um dos mais procurados. Senti a necessidade de fazer uma tradução a partir do original, menos literal e em melhor Português. Esta é a minha tradução. Caro leitor, se detetares algum erro, agradeço a correção.

Todos os comentários são bem vindos.

Podes encontrar o original, em inglês, no site da própria autora http://anitawadley.com/Site/Poem.html

A imagem encontrei-a em “cote-famille .com”

…………………………………………………………………..

 Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

MV Cecília e Sissi Receitada pelo médico

ou ir para o início.

Dia das Bruxas (Halloween)

Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto

A noite estava completamente escura, mas não chovia… A temperatura até andava quente para a época, mas o gato preto aninhava-se enroscado perto do lume. Dormitava. De vez em quando abria um olho a controlar os movimentos da dona.

A fraca luz, na cozinha de paredes escurecidas pelo fumo, não deixava ver grande coisa, mas os gestos – à custa de tantas repetições – já quase podiam ser feitos de olhos fechados.

A velhinha, completamente vestida de negro, entoava a sua cantilena, enquanto mexia o conteúdo da panela enegrecida pelo fumo da lenha.

Estás a imaginar a cena, não estás? O que tu não imaginarias – nem ela, provavelmente – é que, nas redondezas, uma figura baixota, atarracada, mas com um chapéu enorme que parecia fazê-la mais alta e roupas negras que praticamente a tornavam invisível no negro da noite se encaminhava para sua casa e estava, aliás, já ali bem perto.

O chapéu em cone, de abas largas e de cor também negra; as roupas que vestia e sobretudo aquela cara, em que não faltava um nariz disforme, onde saltava à vista uma verruga – Sim! Tinha uma enorme verruga no nariz – a vassoura que trazia numa das mãos e arrastava pelo chão… não havia engano possível… quem se aproximava, a coberto da noite, era uma figura verdadeiramente sinistra.

Dentro de casa, calmamente, a velhinha lançava na panela uma pequena quantidade de algo que tirara de um dos frascos alinhados no aparador perto de si – uma medida sabiamente afinada pela experiência de muitos anos.

A sobrepor-se aos fracos sons que resultavam dos gestos tantas vezes repetidos e à sua voz ainda melodiosa, ouviram-se cinco fortes pancadas na porta.

O gato abriu os olhos, levantou-se, eriçou os pelos, arqueou a coluna e saltou na direção donde viera aquele barulho que o incomodara no seu sono. A velhinha, sobressaltada, calou-se e parou de mexer a panela negra de onde saíam abundantes vapores e, penosamente, dirigiu-se à porta.

As mãos da simpática velhinha tremiam… e não era de frio.

Como já te contei, a temperatura até estava agradável…

O quê! Pensavas que era uma bruxa? Embora pudesse parecer, não! Não era uma bruxa! Era mesmo apenas uma velhinha que, com mão trémula, abriu a porta devagar…

Olhou a bruxa nos olhos – olhos que mal se viam na carantonha horrível…

Esta sim, era uma bruxa! Aquela cara feiosa, com a enorme verruga no nariz – também ele bastante avantajado e adunco – e um ar malévolo era, sem ponta de dúvida, a de alguém que queria assustar, que queria que ninguém tivesse dúvidas de que estava na presença de uma bruxa má.

A velhinha, com uma voz onde o susto parecia genuíno, perguntou:

– Porque é que tens uma cara tão feia?

– É para te pregar um susto! Um susto tão, tão grande…

E a bruxa esticava os braços, num gesto sugestivo, a ameaçar a velhinha de horrores enormes.

– Só escapas se me deres já… aquilo que já sabias que eu hoje… cá viria procurar!

E a bruxa entrou pela casa com o ar decidido de quem sabe bem o que quer. Já dentro da casa a sinistra figura pôs a mão à cara horrenda e, determinada, puxou pelo nariz.

Com a outra mão, pegou em algo que os dedos trémulos da velhinha seguravam… e levou à boca. Depois, com a beiça lambuzada do chupa-chupa, deu um beijo doce à avó.

A vassoura, a máscara e o chapéu do disfarce do dia das bruxas lá ficaram, atirados para um canto.

Entretanto a bruxinha notou:

– Cheira bem! Estavas a cozinhar?

– Estou a fazer sopa. Está quase pronta. Queres um pratinho?

– Claro! Isso pergunta-se? A sopa da avó é a melhor do mundo. O resto do chupa fica para depois…

E a menina deu a mão à avó e, seguidas pelo pachorrento gato preto, dirigiram-se à cozinha.

……………………………………………………………………

Esta pequena história já a publiquei em 2009, mas resolvi republicá-la agora que se aproxima mais um dia das bruxas. Inspirada na bruxinha cá de casa, que gosta de se disfarçar de bruxa e (com as amigas e a mãe duma delas) correr as casas da vizinhança/família com a conhecida frase  doce ou travessura.

…………………………………………………………………..

 Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

MV      

ou ir para o início.

Fábula para maiores de dezoito anos e crianças inteligentes

.

Numa reserva natural

Algures (em Portugal)

Era tempo de eleições,

Um tempo de ilusões.

.

Qualquer bicho percebia

Que a situação não ia

Tão bem como outrora

(e já não era de agora)

.

E se tudo estava mal

Mudar era essencial…

.

Havia duas propostas

Que pareciam opostas,

Descritas em termos latos.

E eram dois os candidatos:

O coelho e o urso.

.

Muito hábil no discurso,

Quando o debate surgiu,

O coelho concluiu:

«Todos temos de ajudar

Só eu posso liderar.

.

O urso gosta é de mel…

Não cumpre bem o papel.

E eu cá só como erva

Sou o melhor para a reserva».

.

Os animais convencer

Foi fácil, fez-se eleger.

Mas se era bom a falar

Não se via melhorar

A situação da reserva.

Até pagavam a erva

Que antes havia a rodos

E sempre fora de todos.

Imagem colhida em http://www.imagensdeposito.com/tags/1/wallpaper+de+coelho.html

.

O urso, pois que perdera,

Ainda nada dissera.

(estaria a hibernar?

Saíra para apanhar ar?)

.

E os pobres animais

Esses não podiam mais,

Que o coelho exigia

Muito mais do que havia.

.

Tinha amigos com poder

E eram mais três a comer…

Engordava o gato bravo

Mais a cobra e o lobo.

E estes, os que lucravam

Com o que os outros poupavam,

Detinham-se a elogiar:

«Tudo está a melhorar…»

.

Tinham mais um aliado

Que aparecia em qualquer lado

E com todos convivia:

O que a toupeira escrevia

Tornava-se, no jornal,

A verdade oficial

E quem caía em desgraça

Era “bicho de má raça”.

E tudo o que sugeria

– «Corte-se tal regalia» –

Era logo posto em prática

Na situação já dramática

E tudo se complicava…

.

Mas se alguém se queixava

Era logo apontado,

Era logo acusado

De não estar a ajudar,

De só querer prejudicar

O esforço comunitário,

De piorar o cenário.

.

E se alguém contestava,

Logo uma fera rosnava.

Calava-se o desordeiro,

Que até parecia um cordeiro.

Reforçava o seu poder

O coelho, estão a ver?

.

E andava a bicharada

Cada dia mais calada.

Até que um pequeno rato

Constatou, um dia o facto:

«Está a reserva estragada.

Afinal não mandas nada,

Não passas de um fantoche!»

«Que infâmia, que deboche!

Nunca fui tão ultrajado»

Diz o coelho, inflamado.

.

Foi o rato para a prisão.

«Se tu me deres permissão,

Eu livro-te desse traste,

Antes que o problema alastre.

Engolia-o dum travo.»

Sugeriu o gato bravo.

E o ratito sumiu,

Nunca mais ninguém o viu.

.

Nos elogios, a esmo,

Que fazia a si mesmo,

O líder dramatizava

E, solene, afirmava

Com ar triste e infeliz:

«Ninguém louva o que fiz…

Há tanto bicho ingrato.»

.

Foi-se perdendo o recato

E o lobo nem disfarça,

Já farto daquela farsa,

Já dá ordens diretas,

Ordens nem justas nem retas,

E ai de quem desobedeça,

Ai de quem não agradeça…

.

O coelho e os parceiros,

O trio de interesseiros,

Vivem todos regalados

Cada vez mais anafados.

.

Para o resto da bicharada

Já não sobra quase nada.

E nem se podem queixar…

Pode o trio não gostar.

.

Cresce a revolta surda,

Pela situação absurda:

Governa quem eles não queriam,

Em quem nunca votariam.

.

Vai ficando evidente

Que quem manda realmente

É o trio apoiante

E o coelho bem-falante

Que elegeram, afinal,

Tem papel ornamental.

.

Reinam as indecisões:

Não há fáceis soluções,

Talvez outra liderança

Facilite a mudança.

.

Têm que ser realistas

Não há respostas simplistas,

Mas se todos trabalharem

Se todos colaborarem…

.

Talvez, querem acreditar,

Se cada qual ao votar

Pensar pela sua cabeça

Algo de bom aconteça…

.

Mas cuidado, que as toupeiras

Não fazem, interesseiras,

Críticas imparciais

E não são todos iguais

Os que querem liderar…

.

É preciso acautelar:

Bichos de falinhas mansas

Querem é encher as panças.

.

Bicho que queira mandar

Não basta saber falar.

Tem que mostrar ter jeito

E ser bicho de respeito;

Tem que ter ideias novas;

Tem que ter já dado provas

De amor ao território

E um trabalho meritório.

.

Por isso, antes de votar,

Cada qual deve pensar,

Com uma só influência:

A sua própria consciência…

 
João Alberto Roque

.

Esta foi uma fábula que escrevi há uns meses (junho ou julho) mas que me parece cada vez mais atual.

Qualquer semelhança com factos ou pessoas reais poderá não ser pura coincidência. Aliás, acontecimentos recentes parecem dar maior sustentação ao enredo… E estamos cada vez mais enredados.

Também a nível local, algo que aconteceu nesta quarta feira, na minha cidade (Gafanha da Nazaré) me deixou-me preocupado, por sentir que as pessoas, mesmo as que têm mais responsabilidades, não conseguem ser verdadeiramente independentes e livres para decidir em consciência.

.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

    39 poemas   

ou ir para o início.

Jardim da minha infância

Quantas asas tem

a borboleta pinga-amor

que dorme no meu jardim

e beija as minhas flores?

Tem oito asas:

– Dois pares que veste durante o dia,

nas brincadeiras de Amor;

– Dois pares que veste à noite

em forma de cobertor!

Quantos olhos tem

a borboleta pinga-amor

que tira a língua ao gato malhado

e foge rindo, às gargalhadas, para o telhado?

Tem quatro olhos:

– Um par que usa em dias de sol,

dotado de lentes protectoras dos raios ultra-violeta;

– Um par que usa em dias de chuva,

que retém as pingas malandras numa gaveta!

Quantos corações tem

a borboleta pinga-amor

que cumprimenta as árvores com um passou-bem

e faz tricot sentada

no parapeito de uma janela

com vista para o rio virada?

Tem um coração,

maior que um avião,

mais brilhante

que um diamante!

Um coração,

de terra, água, fogo e ar,

que canta e chora

nas noites de luar!

Um coração simples, sábio, e, por vezes

resmungão,

que logo se converte

em doce – algodão!

(Neusa) Ariana Soares (Veloso)

Com autorização da autora, coloco aqui um este belo poema “Jardim da minha infância” da Neusa Veloso ou Ariana Soares, o nome com que assina o seu blogue “As coisas falam se as tentarmos ouvir” , que aconselho a visitar.

A imagem foi retirada de http://animais.culturamix.com/blog/wp-content/gallery/fotos-de-borboletas-e-flores/foto-borboletas-e-flores-11.jpg

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

    Cecília e Sissi 

ou ir para o início.

Mar

Foi um reencontro inspirador.

Na tua energia transbordante,
mas serena,
na delicadeza com que me envolves,

de repente,
tudo me parece possível.

Contagias-me com a tua força.
Fazes-me olhar mais longe…
muito para lá do que se vê.

Tudo fica mais belo,
mais alegre.

Mostras-me um sorriso aberto.
Nos teus olhos de um azul profundo
sou um peixe pequenino

e nesse azul imenso
eu deixo-me ir…
feliz.

Tentei incentivar alunos e colegas a participar no concurso, subordinado ao tema “Histórias do mar”, organizado pela Biblioteca da Escola onde trabalho. Parabéns a todos os participantes e em especial aos que viram os seus trabalhos distinguidos.

Obviamente quando se organiza um concurso deste tipo é gratificante receber muitos trabalhos concorrentes. Gostei de ajudar.

Pela minha parte, além da ilustração apresentada no post anterior,  participei com um conto, um poema.

Estes desafios, especialmente quando há um tema interessante, motivam-me a escrever, algo que me andava a fazer falta.

Foi-me atribuído o primeiro prémio nas modalidades de texto narrativo e de ilustração e uma menção honrosa na de poesia. O conto, pelo menos por agora, não o incluirei no blogue.

Deixo-vos com o poema. Não é propriamente um texto escrito para crianças, mas considero que não destoa de outros poemas já aqui apresentados. Claro que terá diferentes níveis de leitura de acordo com o tipo de leitor.

Espero que gostes…

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

   Uma aventura no mar   

ou ir para o início.