Poema para o Dia Mundial da Criança

Imagem

AS CRIANÇAS

Sabem mais do que é infindo
E não se perde na noite do sono

Saltam vivas como nuvens que correm
No céu dos sonhos que crescem
Alegres e livres enfim

Nos dias que não trazem medos

E agarram os sóis a duas mãos
Que guardam como segredos

 Hélder Ramos

Este poema, do meu amigo Hélder Ramos, já está publicado neste blogue desde há muito, mas lembrei-me dele, agora que estamos na véspera de mais um Dia Mundial da Criança.

imagem colhida em http://www.loeildelaphotographie.com/fr/2014/03/04/festivals/24364/mumbai-la-fete-de-la-photo
 
 
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Brinquedo – Miguel Torga

Brinquedo

Estrela de papel

Foi um sonho que eu tive:

Era uma grande estrela de papel,

um cordel

e um menino de bibe.

.

O menino tinha lançado a estrela

com ar de quem semeia uma ilusão;

E a estrela ia subindo, azul e amarela,

presa pelo cordel à sua mão.

.

Mas tão alto subiu

que deixou de ser estrela de papel.

E o menino, ao vê-la assim, sorriu

e cortou-lhe o cordel.

Miguel Torga

 
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Manuel António Pina

Émeápê

.

Perdemos um grande amigo,

O poeta, o inventão,

Se é que se pode perder

Alguém de tal dimensão.

.

Era maior do que a morte,

Era um anante, um gigão.

Ficou-nos longe da vista,

Mas dentro do coração.

.

Ainda não é o fim

Nem o princípio do mundo

Apenas um pouco tarde

Para algo tão profundo.

.

No cavalinho de pau,

(O do menino Jesus)

Vai agora a cavalgar

Mais célere do que a luz

.

Mas fica sempre connosco,

Não temos razão de queixa,

Pois continua a viver

Entre os livros que nos deixa.

.

Escrevi este poema em Outubro de 2012, na altura  da morte de Manuel António Pina. Reencontrei-o agora e achei que fazia falta no meu blogue.

Era um fiel leitor das suas crónicas.
Tinha tido o gosto de estar com ele num jantar literário na Biblioteca Municipal de Ílhavo e confirmei o que já sabia dele. Um homem simples, de enorme cultura e que usava as palavras com independência e enorme mestria.

No poema há referência a vários dos seus livros. O título foi inspirado em O Têpluquê.

Adicionado mais tarde (comentário que escrevi no facebook):

Li este poema numa tertúlia que decorreu na Gigões & Anantes no dia 20 de Outubro de 2012, dia seguinte ao da morte do Manuel António Pina. Curiosamente a Tertúlia Et Quoi – Escrita Criativa na Universidade de Aveiro tinha sido marcada, algum tempo antes, para aquele local que recebeu o nome duma obra do próprio Manuel António Pina. Provavelmente este poema não teria nascido se não fossem estas coincidências.

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      MV  

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Mãe

Dedicado a todas as mulheres que merecem o nome enorme de “Mãe”

Mãe

Já corre com os ponteiros

Ainda é madrugada

Em labuta diligente

É a única acordada

Naquela casa dormindo

Com tanto para fazer

Antes de ir para o emprego

O tempo tem que render

Acorda filhos… marido

Com o sono ainda tonto

Deixa os pequenos entregues

E chega antes do ponto

Dá um pulinho a casa

Quando é hora de almoçar

Come sozinha à pressa

antes do filho chegar

Deixou-lhe tudo já pronto

Preparou-lhe a refeição

E vai olhando o relógio

Não quer ouvir do patrão

Chega a casa cansada

Traz pela mão a miúda

Tem que lembrar os trabalhos

E ver se ela estuda

O recado da escola

Deixou-a preocupada

Diz que a filha precisa

De ser mais acompanhada

E o mais novo faz birra

Como a pedir atenção

Acaba fazendo uns riscos

No caderno do irmão

Tem mesmo que intervir

Para o ambiente serenar

Acaba com a discussão

E vai fazendo o jantar

Entre gestos maquinais

Vai espreitando a novela

Queria ser como a atriz

Sonha com a vida dela

Tratou do banho dos filhos

E o jantar está servido

Já está tudo mais calmo

Quando chega o marido

Finalmente conseguiu

Enfiar todos na cama

O pequeno pede a história

E que lhe vista o pijama

Senta-se um breve momento

Embevecida a olhar

Eles dormem e há paz

Vale a pena apreciar

Pensou na louça e fez

O encanto desaparecer

Está na hora de dormir

E o que ainda tem para fazer.

João Alberto Roque

Esta é uma história em verso (não propriamente um poema) que escrevi há mais de uma dúzia de anos (estava na “gaveta” desde o dia 5 de Janeiro de 2001). Hoje lembrei-me de a colocar no blogue… podia tê-lo guardado mais uns meses e publicá-lo em Maio, a propósito do “Dia da Mãe”, mas acho que concordarão comigo se afirmar que todos os dias são Dia da Mãe.

A ilustração, que encaixa tão bem no meu texto, foi encontrada aqui, no blogue Ilustrações, desenhos e outras coisas de Ana Oliveira.

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Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Um dos meus textos de que gosto particularmente é

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas

Uma história… a feijões ou um fundo de verdade num inverosímil conto de fadas Podem lê-la em:

http://www.liberarti.com/schede.cfm?id=1075&Uma_historia%85_a_feijoes_ou_um_fundo_de_verdade_num_inverosimil_conto_de_fadas

Os leitores mais habituados à minha escrita já não devem estranhar a extensão dos meus títulos.

Foi selecionada para publicação (em Português e também em Italiano) num concurso de um site italiano, com uma secção dedicada a Portugal e Brasil. O contrato é para e-book, mas havendo a hipótese de ser também em papel.

Por enquanto, ainda está disponível para leitura no site indicado acima. É um bónus aos fiéis visitantes.

 

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Just Playing – Anita Wadley (só a brincar / apenas brincando)

Quando eu estiver a construir, no cantinho dos blocos,

por favor não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo sobre equilíbrio e forma…

Quem sabe, um dia poderei ser arquiteto.

.

Quando estiver a vestir-me, a pôr a mesa, a tratar dos bebés,

não fiques com a ideia de que estou só a brincar,

porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser mãe ou pai.

.

Quando me vires debruçado na pintura ou frente ao cavalete,

ou moldando e dando forma ao barro,

não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo a expressar-me e a ser criativo.

Um dia poderei ser artista ou inventor.

.

Quando me vires a “ler” para uma audiência imaginária,

Não rias nem penses que estou só a brincar.

Porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser professor.

.

Quando me vires a catar os arbustos, à procura de insetos,

ou a encher os bolsos de coisas que encontro,

não consideres que estou só a brincar.

porque eu aprendo enquanto brinco.

Um dia poderei ser cientista.

.

Quando me vires absorvido por um puzzle ou outro jogo na escola,

não sintas que estou a perder tempo a brincar.

porque, enquanto brinco, aprendo a resolver problemas e a estar concentrado.

Um dia poderei ser um empreendedor.

.

Quando me vires a cozinhar ou provar comidas,

não penses que, como eu gosto, é só brincar.

porque, enquanto brinco, aprendo a seguir instruções e a perceber diferenças

Um dia poderei ser cozinheiro.

.

Quando me vires a aprender a saltar, pular, correr, a mexer-me…

não digas que estou só a brincar,

porque, enquanto brinco, aprendo como funciona o meu corpo

Um dia poderei ser médico, enfermeiro ou atleta.

.

Quando me perguntares o que fiz hoje na escola e eu responder: “Brinquei”,

por favor, não me interpretes mal.

É que eu aprendo enquanto brinco.

Aprendo a apreciar e a ter sucesso no trabalho.

Estou a preparar-me para o amanhã.
.

Hoje, sou criança e o meu trabalho é brincar.

 

Brincar

Este belo texto, escrito por Anita Wadley em 1974, e que continua atual (eu diria mesmo… cada vez mais atual) já estava no “infantilidades” há cerca de quatro anos e é um dos mais procurados. Senti a necessidade de fazer uma tradução a partir do original, menos literal e em melhor Português. Esta é a minha tradução. Caro leitor, se detetares algum erro, agradeço a correção.

Todos os comentários são bem vindos.

Podes encontrar o original, em inglês, no site da própria autora http://anitawadley.com/Site/Poem.html

A imagem encontrei-a em “cote-famille .com”

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Dia das Bruxas (Halloween)

Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto

A noite estava completamente escura, mas não chovia… A temperatura até andava quente para a época, mas o gato preto aninhava-se enroscado perto do lume. Dormitava. De vez em quando abria um olho a controlar os movimentos da dona.

A fraca luz, na cozinha de paredes escurecidas pelo fumo, não deixava ver grande coisa, mas os gestos – à custa de tantas repetições – já quase podiam ser feitos de olhos fechados.

A velhinha, completamente vestida de negro, entoava a sua cantilena, enquanto mexia o conteúdo da panela enegrecida pelo fumo da lenha.

Estás a imaginar a cena, não estás? O que tu não imaginarias – nem ela, provavelmente – é que, nas redondezas, uma figura baixota, atarracada, mas com um chapéu enorme que parecia fazê-la mais alta e roupas negras que praticamente a tornavam invisível no negro da noite se encaminhava para sua casa e estava, aliás, já ali bem perto.

O chapéu em cone, de abas largas e de cor também negra; as roupas que vestia e sobretudo aquela cara, em que não faltava um nariz disforme, onde saltava à vista uma verruga – Sim! Tinha uma enorme verruga no nariz – a vassoura que trazia numa das mãos e arrastava pelo chão… não havia engano possível… quem se aproximava, a coberto da noite, era uma figura verdadeiramente sinistra.

Dentro de casa, calmamente, a velhinha lançava na panela uma pequena quantidade de algo que tirara de um dos frascos alinhados no aparador perto de si – uma medida sabiamente afinada pela experiência de muitos anos.

A sobrepor-se aos fracos sons que resultavam dos gestos tantas vezes repetidos e à sua voz ainda melodiosa, ouviram-se cinco fortes pancadas na porta.

O gato abriu os olhos, levantou-se, eriçou os pelos, arqueou a coluna e saltou na direção donde viera aquele barulho que o incomodara no seu sono. A velhinha, sobressaltada, calou-se e parou de mexer a panela negra de onde saíam abundantes vapores e, penosamente, dirigiu-se à porta.

As mãos da simpática velhinha tremiam… e não era de frio.

Como já te contei, a temperatura até estava agradável…

O quê! Pensavas que era uma bruxa? Embora pudesse parecer, não! Não era uma bruxa! Era mesmo apenas uma velhinha que, com mão trémula, abriu a porta devagar…

Olhou a bruxa nos olhos – olhos que mal se viam na carantonha horrível…

Esta sim, era uma bruxa! Aquela cara feiosa, com a enorme verruga no nariz – também ele bastante avantajado e adunco – e um ar malévolo era, sem ponta de dúvida, a de alguém que queria assustar, que queria que ninguém tivesse dúvidas de que estava na presença de uma bruxa má.

A velhinha, com uma voz onde o susto parecia genuíno, perguntou:

– Porque é que tens uma cara tão feia?

– É para te pregar um susto! Um susto tão, tão grande…

E a bruxa esticava os braços, num gesto sugestivo, a ameaçar a velhinha de horrores enormes.

– Só escapas se me deres já… aquilo que já sabias que eu hoje… cá viria procurar!

E a bruxa entrou pela casa com o ar decidido de quem sabe bem o que quer. Já dentro da casa a sinistra figura pôs a mão à cara horrenda e, determinada, puxou pelo nariz.

Com a outra mão, pegou em algo que os dedos trémulos da velhinha seguravam… e levou à boca. Depois, com a beiça lambuzada do chupa-chupa, deu um beijo doce à avó.

A vassoura, a máscara e o chapéu do disfarce do dia das bruxas lá ficaram, atirados para um canto.

Entretanto a bruxinha notou:

– Cheira bem! Estavas a cozinhar?

– Estou a fazer sopa. Está quase pronta. Queres um pratinho?

– Claro! Isso pergunta-se? A sopa da avó é a melhor do mundo. O resto do chupa fica para depois…

E a menina deu a mão à avó e, seguidas pelo pachorrento gato preto, dirigiram-se à cozinha.

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Esta pequena história já a publiquei em 2009, mas resolvi republicá-la agora que se aproxima mais um dia das bruxas. Inspirada na bruxinha cá de casa, que gosta de se disfarçar de bruxa e (com as amigas e a mãe duma delas) correr as casas da vizinhança/família com a conhecida frase  doce ou travessura.

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