A almofada desaparecida

A Cecília, ultimamente, andava com um hábito estranho: saía da cama pela manhã e trazia consigo a almofada.

Ia tomar o pequeno-almoço e levava atrás… a almofada.

Ia para a sala brincar e … isso mesmo, não ia sozinha.

A almofada era a sua companhia inseparável.

Estão a ver o problema? Não?

É claro que, nestas andanças, por vezes esquecia-se da almofada.

Geralmente ficava num lugar bem à vista de todos e a mãe acabava por levá-la para o quarto da Cecília ou mandava-a a ela ocupar-se dessa tarefa o que, claro, não era boa ideia porque lembrava a Cecília do quanto gostava de andar agarrada à almofada e a coisa recomeçava.

Nessa noite quando foi para a cama reparou que faltava a sua querida almofada. Começou por pedir ao pai que fosse buscá-la. O pai, cheio de paciência, lá foi procurar a dita almofada, mas nada… nem sinais dela. Procurou em todos os locais em que a Cecília costumava andar e não a encontrou.

Foi dizer à menina e ela ficou muito triste. O pai lá lhe explicou mais uma vez que o lugar da almofada é na cama e que devia lá ter estado todo o dia à espera. Como a menina teima em andar a passear a almofada pode acontecer uma coisa assim. Depois disse à Cecília, que não se conformava com a falta da almofada, que a fosse ela procurar.

É preciso que se diga que a Cecília, quando chega a hora de ir para a cama, inventa mil desculpas para ficar mais um bocadinho acordada e nesse dia não tinha sido excepção. Já não era nada cedo. Como ainda estava de férias e no dia seguinte não tinha hora marcada para se levantar, o pai não estava muito preocupado, mas sabia que depois de um dia tão animado a garota devia estar cansada.

A Cecília lá correu toda a casa à procura:

a sua almofada não estava em cima da cama dos pais,

nem debaixo da mesa da cozinha,

nem dentro da arca dos brinquedos,

nem estava atrás do seu cavalo de madeira,

nem perto da televisão…

Como não encontrou a sua querida almofada, lá se convenceu que tinha mesmo que ir dormir sem ela.

Pediu outra almofada ao pai e, quando ele lha levou, fez um ar de grande satisfação. Lá se deitou mas, ao contrário do que o pai previra, não havia jeito de adormecer. É que aquela almofada era muito diferente da outra… muito mais alta e ela gostava tanto da sua.

Mas o cansaço acabou por se impor e a menina adormeceu para uma longa noite de sono reparador.

A primeira coisa que a Cecília fez quando acordou foi voltar a procurar a sua almofadinha querida. Foi difícil, mas lá a encontrou. Na brincadeira, tinha caído para trás do sofá. Era um sítio escondido, inacessível, e isso explicava que na noite anterior não a tivesse visto.

Abraçou-a e deixou-se ficar assim durante um bocado.

Quando a mãe a chamou para tomar o pequeno-almoço, a Cecília foi ao seu quarto e poisou a sua almofada, muito direitinha, sobre a cama. É que se gostava de andar com a almofada durante o dia, ela fazia-lhe mesmo muita falta era à noite. Disse-lhe «até logo» e dirigiu‑se à cozinha.

A mãe perguntou-lhe se tinha achado a almofada.

– Achei. – disse a Cecília. – Estava na sala, atrás do sofá.

– Ainda bem. – disse a mãe, que perguntou a seguir:

– Então onde é que ela está agora?

– Está na minha cama… para não se perder.

– Olha, lá é que ela está bem. Parece que aprendeste uma lição…

E a mãe sorriu, com um ar enigmático.

Poderás também gostar de ler estas Infantilidades:

MV Cecília e Sissi

ou ir para o início.

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