A prenda do dia do pai

caderno3

Caderno de Poesia

Quando a minha filha, na altura a frequentar o Jardim-de-infância, me deu um caderno quadriculado como prenda do dia do pai, gostei imenso da capa – uma pintura feita por ela – mas fiquei sem saber o que fazer com o dito caderno. Acabou por servir de inspiração a um conjunto de poemas: o meu “Caderno de Poesia”.

Quadric2

Em papel quadriculado

Deste-me um caderno encapado
para deitar contas à vida
em papel quadriculado.

Uma prenda imerecida
para um pai de actos vulgares…

Não fiz contas, fiz de conta,
mas se tu me perguntares
tenho a resposta pronta:

com números, ímpares e pares,
faço contas de memória
ou invento outra história
à espera de acreditares

(mal abri o caderno, filha…
a capa é uma maravilha!)

A capa do caderno

A capa do caderno

Desenhaste, com amor,
na capa deste caderno
um coração, uma flor…
Puseste fim ao Inverno

num gesto doce e terno
da tua mão. Com cada cor
brotando, dum amor eterno,
por sobre a cera incolor,

pintaste com aguarela
azul, verde, amarela…
por dentro o meu coração.

Não contive a emoção:
ficou a prenda tão bela!
Que fiz eu para merecê-la?

caderno3

As contas são complicadas

Prenda, assim, que tu me desses,
para as coisas serem perfeitas,
só faltava que tivesses
trazido as contas já feitas:

de somar e subtrair
multiplicar, dividir,

que, filha, na minha idade
as contas são complicadas
e para falar verdade
acabam mal calculadas:

nas parcelas da adição
há trabalho em demasia;
faço mal a divisão
dos minutos do meu dia;

nem sempre sobra um sorriso
para te dar atenção…
ensina-me, que eu preciso,
uma multiplicação.

Ajuda-me a subtrair
as preocupações da vida
e a não deixar só os restos
à minha filha querida!

Quadric1

Quadrículas

As linhas quadriculadas
prendem-me a imaginação
nas quadrículas fechadas
como grades de prisão.

Eu prefiro folhas lisas
sem qualquer tipo de linhas
onde escrevo como brisas
soprando por entre vinhas.

Se têm linhas pautadas
só são boas para escrever
são como degraus de escadas
levam-me sempre a descer…

O caderno que me deste,
só por ser uma prenda tua,
é mais como um teste
ou um passeio na rua.

Um desafio que aceito:
em vez de contas, poesia!
Um desafio perfeito…
Qualquer caderno servia.

E eis-me a viajar
contigo de mão na mão
e sempre a saltitar
pelos quadrados do chão.

Quadric3

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ou ir para o início.

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6 Respostas

  1. Olá colega,

    Gostei muito de receber a sua visita e comentário no Pré Histórias.

    Vejo que partilhamos o gosto pela criação de histórias destinadas a crianças, embora me pareça que tem muito mais “traquejo” e mérito nisso do que eu…

    Na verdade, apenas comecei a criar as minhas histórias por sentir a falta de livros sobre determinados assuntos adequados ao contexto/idade da educação de infância.

    Isso, associado ao gosto pelas novas tecnologias, levou à criação do Pré Histórias.
    É uma forma de as divulgar e fazê-las chegar a outras crianças/educadores, já que as editoras parecem não ser muito acessíveis a propostas de novas publicações…

    Obrigada por criar aqui um link para o Pré Histórias, vou retribuir criando lá outro para cá.
    Já agora, se quiser conhecer outro espaço virtual a que me dedico, visite http://jardimdecruzeiro.blogspot.com, o portfolio de grupo da minha sala de actividades.

    Cumprimentos e até breve,
    M. Jesus Sousa

    • A minha prima Alda, que nos manda dos Açores os seus “miminhos e carinhos” (http://miminhosecarinhos.blogspot.com) tem os seus dois e o meu “Pirilampo” (http://jafroque.wordpress.com) nos “Blogs porreiros, pá!!!”. A curiosidade levou-me a conhecer os seus blogues e gostei de ambos. Acho muito interessante a partilha que vocês conseguem através da Net, de recursos e ideias.
      Eu estou noutra situação. Sou professor do Ensino Secundário (Biologia e Geologia) e comecei, recentemente, a escrever para crianças e, admito-o, com relativo sucesso.
      As minhas histórias são maioritariamente para crianças mais velhas, mas as experiências de contar histórias minhas a crianças do Jardim-de-infância têm sido muito agradáveis.

      • Este mundo já era pequeno e a internet veio torná-lo minúsculo. Quando me incitaste participar no concurso literário da Trofa, e tendo-me rendido eu à falta de tempo, foi precisamente para a Juca, do pré-histórias e do Jardim de Cruzeiro, para quem passei o testemunho, devido à sua apetência natural para a literatura infantil, tendo-lhe falado de ti.
        Qual não é o meu espanto, já vos encontro aqui em alegre cavaqueira, prova de que, todos partilhamos os mesmos gostos.
        Beijinhos ao dois.

      • Claro que não foi por acaso, até porque foi a partir do teu blogue, onde visitei os teus “Blogs porreiros, pá!!!” que encontrei alguns dos blogs para os quais fiz os links no meu.
        Um beijinho às duas (tu e a Alice)

  2. Então o colega é o tal primo da Alda que estava relacionado com o concurso literário da Trofa… o mundo é mesmo pequeno!

    Acabei por não concorrer, por falta de disponibilidade de tempo na altura, mas tive muita pena… ainda para mais porque tive na sala, durante todo o ano, uma estagiária finalista da Trofa… outra coincidência!

    Quem sabe no próximo ano… tenho uma história guardada, que ainda não divulguei, ilustrada por alguém com muita criatividade, que me parece que pode reunir as condições até, quem sabe, de ser publicada… mas ainda não tive a sorte de encontrar uma editora!

    Cumprimentos ao colega e e muitos miminhos e carinhos à Alda, que deve estar mesmo quase a ser mamã.

    • É bom que estas pequenas redes se vão estabelecendo dentro da rede maior. A Alda Lúcia já me tinha falado da Juca.
      Nota: Ela agora é só “Alda” mas para mim será sempre a minha prima Alda Lúcia… Eu gosto tanto da sonoridade dos dois nomes juntos! Além disso, só na pequena rua S. Gabriel onde eu e ela morávamos na Gafanha da Nazaré, até eu mudar de casa e ela ir para os Açores, havia três Aldas. Chegou a haver quatro quando eu me casei (com outra Alda). Enfim… mais coincidências.

      Quanto ao concurso da Trofa é muito interessante e tem sempre um Júri com muito nível. Desejo-lhe boa-sorte!
      Para mim foi muito importante aquele prémio e a publicação do livro que, de outra forma, provavelmente, nunca teria acontecido.

      Se tiver interesse em lê-las, eu posso mandar-lhe para o e-mail as histórias com que ganhei os dois concursos e também a história que escrevi a quando a minha filha mais nova andava no Jardim de Infância. Tenho sempre muito gosto em ter algum feedback de leitores exigentes.

      Um Beijo…

      João Alberto Roque

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