Nesta página vou incluindo os poemas que não foram escritos para crianças, com a ordem que me parecer mais lógica, independentemente de quando os coloquei no blogue.
Um pequeno e despretensioso livro de poesia que irá crescendo aos poucos.
Para não introduzir ruído desnecessário, não incluo os textos que acompanham os poemas nem a origem das imagens. Clicando no título poderás ver o post original com esses dados.
Boas Leituras… e comenta!
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Testamento Poético em linguagem prosaica
Estando em estado de lucidez e de perfeito juízo
Ainda na posse de todas as minhas faculdades
E porque a ninguém pretendo causar prejuízo
Neste documento declaro as minhas vontades
.
A poesia será partilhada como um todo indiviso
Será sempre uma garantia e espaço de liberdades
Se alguém a quiser vender, o preço é um sorriso
Aceitem-na, para combater tiranias e falsidades
.
Porque na poesia o amor é cada vez mais preciso
Perderá a sua parte quem a usar para maldades
E será excluído deste testamento tão conciso
Quem usar esta herança para criar desigualdades
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Barco de papel
Deste-me um barco de papel
Mas muito mal aparelhado
Não tem bússola nem tem leme
Tem só um mapa desenhado
Que me diz que siga o rumo
Que nasce no meu coração
Tenho medo de me perder
(Eu sei pouco de navegação)
E estamos no mesmo barco
- Senão porque sorriria? -
Ainda bem seguro no cais
Com amarras de poesia
Fizeste de mim capitão
Deste sonho desta esquadra
Mas é tempo de partida
Desta linha, nesta quadra
Não vês como és cruel?
Vês-me prestes a naufragar
E dás-me um barco de papel
A mim… que não sei nadar.
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Declaração de amor… à vida
És única! Na verdade
sempre o soube,
desde o começo.
Por tua bondade
quanto me coube…
e eu… agradeço.
Como Homem
poderia, insatisfeito,
esperar por mais,
mas trataste-me bem,
tudo quase perfeito…
foram tantos os sinais!
Coração em sobressalto,
é de joelhos no chão,
mas de cabeça erguida
que grito bem alto
esta declaração
de amor… à vida.
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Deixa a luz entrar
Sai dessa concha escura
Em que te fechas sozinha
Ultrapassa e pisa a linha
Solta-te, parte à aventura
.
Abre cortinas e estores
Deixa a luz entrar na tua vida
Veste uma roupa colorida
O sorriso mais lindo que tiveres
.
Respira fundo e sai para a rua
Tens tantas capacidades
Esquece as adversidades
Sonha e ousa querer até a lua
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Mar
Foi um reencontro inspirador.
Na tua energia transbordante,
mas serena,
na delicadeza com que me envolves,
de repente,
tudo me parece possível.
Contagias-me com a tua força.
Fazes-me olhar mais longe…
muito para lá do que se vê.
Tudo fica mais belo,
mais alegre.
Mostras-me um sorriso aberto.
Nos teus olhos de um azul profundo
sou um peixe pequenino
e nesse azul imenso
eu deixo-me ir…
feliz.
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A vida dá voltas e voltas…
Se parece que a alegria foi e não volta…
revolta-te!
Mas não deixes que se note:
Veste o teu melhor sorriso…
Às vezes é preciso disfarçar:
arrumar a dor num canto do poema
E soltar um canto
rebuscado no fundo da alma.
.
Muda de atitude…
Muda de óculos…
essas lentes não te deixam ver bem.
Com lentes feitas de optimismo e confiança
verás a vida menos desfocada
Cores radiantes, luminosas,
as coisas boas que acontecem
na tua vida, à tua volta.
Terás a alegria de volta.
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Venho brincar aqui no Português
Venho brincar aqui no Português,
a língua dos meus pais e minha, agora,
herança a que acedi e assim me fez
irmanado a milhões, pelo mundo fora.
Espaço de orgulho e altivez,
onde se ouve uma voz livre e sonora.
Lugar de diversão, sem timidez,
não vive já dos feitos de outrora.
E os poetas que brincam com os sons,
alegres companheiros no recreio,
partilham todos deste devaneio:
de tornar, cada qual com os seus dons,
nossa língua um local acolhedor;
nossa pátria mais rica… e maior.
Mia Couto
Sim, amigo, obrigado pelas lições.
Matámos a galinha por um ovo…
é preciso avivar, erguer de novo,
brincar, criar, fazer brincriações.
Ajudaste a sonhar colorações
no planeta dormente onde me movo,
recriaste a língua com o povo,
recreaste a língua em diversões.
Recuperaste até antigos brilhos
(e os ovos de ouro brilham mais
se reflectem o brilho dos demais),
trouxeste alegria a nossos filhos,
cor aos planetas já entorpecidos …
Seja a língua carícia em teus ouvidos!
Unidiversidade
Nascemos em países tão distantes
mas nossas falas, na diversidade,
brincam juntas em tal intimidade
nesse encontro, são línguas de amantes.
Belo festim de sons com cambiantes,
poetas burilando a claridade.
Tantas faces não quebram a unidade,
mas reflectem a luz, são diamantes.
Perceber-te não é grande façanha:
posso achar a pronúncia estranha,
pode o vocabulário divergir…
- Adorei, foi gostoso o cafuné
- Se pensas que eu não sei o que isso é…
Percebi, não precisas traduzir.
Redondamente grato
Vim, feito às no volante, da Gafanha
Dessas terras do mar, terras da ria
Impregnadas do cheiro a poesia
Trazer algo da minha arte e manha
E acho que cometi uma façanha:
Dum oceano que é lusofonia
Eu trago um ritmo doce a maresia
(É o balanço do mar que a gente ganha)
Às terras aprazíveis do Redondo.
Às gentes que me calam cá no fundo
Manifesto-me grato, sobretudo…
Com o meu couro pouco cabeludo
Brilhando ao calor dos holofotes…
Grato por revelardes os meus dotes.
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Um mar em nós
A vida começou, simples, no mar
E, por passos pequenos e banais,
Dele acabou por se libertar
Partindo a conquistar outros locais
Mas cada novo ser pôde guardar
Memória desses tempos ancestrais
.
Hoje, que a nossa aula é sobre o mar,
É preciso, é forçoso que saibais
Dois terços de nós são o próprio mar.
Sim, é a mesma água, os mesmos sais.
Temos em cada célula o mar,
cada lágrima é mar que, assim, chorais.
.
Um apelo impossível de ignorar,
Além do horizonte há sempre mais,
Mais mar e novas terras por achar,
Mas nunca, nunca mais vos iludais.
Só em vós podereis vir a encontrar
A ilha do tesouro que buscais.
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O Carnaval acabou
O Carnaval acabou.
Queria tirar a máscara
E voltar a dar a cara…
Voltar a ser quem sou.
.
Entre o verdadeiro eu
E aquele que pareço
(entre o genuíno e o adereço)
A distinção esvaneceu.
.
Entre as ficções que criei
E a que é minha história
Não há fronteira notória.
Por vezes já nem eu sei.
.
Nesta linha indefinida
Entre máscara amovível
Ou plástica irreversível,
Anda, assim, a minha vida.
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Pelo Natal
Recordo com saudade aqueles Natais
que celebravam o nascimento de um petiz.
Um momento tão marcante e tão feliz
passado numa cabana pobre de animais.
.
Eram pobres as prenditas que me dava
o menino Jesus, nos Natais da meninice:
um doce e algo útil. Mesmo que não pedisse
ele sabia sempre do que eu mais precisava…
.
E que podia eu esperar receber mais
de um menino muito mais pobre do que eu,
de um menino que eu sabia que nasceu
tão pobre numa cabana de animais?
.
Era um tempo muito belo mas modesto:
as roupas partilhadas com os manos,
os brinquedos, simples, duravam anos…
A imaginação e o engenho faziam o resto.
.
Hoje é diferente e faz-me certa confusão
que o Natal, que era outrora de um menino,
seja hoje de um velho abastado e fino
que publicita as suas prendas na televisão.
.
O Pai-Natal impôs-se no nosso imaginário…
Um menino pobre numa cabana de animais,
não encaixa bem nos propósitos comerciais,
como explicaria qualquer bom publicitário.
.
Recordo com saudade aqueles Natais…
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Prenda para o Pai
Procurei por uma prenda
por algo belo, perfeito.
Olha, Pai, estou sem ideias…
Não achei nada de jeito!
Nada era digno de ti,
de tanto amor que me deste…
dos trabalhos que passaste…
das noites que não dormiste.
Que prenda te posso dar?
Tem de ter um tal valor
que nenhum dinheiro compra…
Aceita o meu amor!
Um abraço, um carinho
e uma pequena lembrança…
É que eu, ao pé de ti,
serei sempre uma criança!


Olá João:
Após uma incursão na blogosfera, encontrei o seu blog que achei muito interessante. Pois, além das histórias para crianças, tem outros textos de diferentes tipologias que me agradaram particularmente. Não fiquei surpreendida, uma vez que já conhecia os seus dotes poéticos, pois coube-me atribuir-lhe o prémio Dr. Hernâni Cidade. Continue a escrever dessa forma simples, mas agradável. Mais uma vez, parabéns.
Elisabete
Obrigado pela simpatia das suas palavras.
O que eu coloco no blogue é uma parte muito pequenina do que vou escrevendo.
Concretizar o sonho de publicar mais livros é que está difícil… também não tenho feito muito por isso.