A mamã diz-me para estar sossegada, mas não consigo… é a primeira vez que vou voar. Quer-me sentada, junto dela. Isso faço eu, todos os dias. Ela está é nervosa, desde a chegada ao aeroporto, cheia de medo. Eu cá, não… Sou Pardal.
Nesta janela cabem tantos aviões… Em qual deles irei? Aquele branco e vermelho é tão lindo. São todos. Quando disser às minhas amigas que já andei de avião, vão ficar cheias de inveja. Gostava de levar comigo a Cláudia e a Patrícia, os meninos todos do terceiro ano.
Finalmente, conhecerei o meu avô Salustino Pardal e comerei as lagostas que ele pesca. Na carta que me escreveu, diz que são as melhores do mundo. Vou visitar a terra onde os meus pais nasceram e que é também, mas só um nadinha, o meu país: S. Tomé.
Mas eu sou, um pouco, como S. Tomé: só vendo é que acredito. Prometiam há tanto tempo… Será que é mesmo desta? Só quando estiver sentada no avião, quando apertar o cinto de segurança e o avião levantar voo é que acredito que vou mesmo voar.
Vai ser bué da fixe. Melhor do que andar na roda gigante da Feira de Março, que foi a coisa mais excitante que fiz… até hoje.
imagem retirada de http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/destino-mundo-lusofono.html
Este pequenino texto resultou de um exercício feito num trabalho de casa (no Curso Livre de Escrita Criativa), sobre o ponto de vista do narrador, neste caso na primeira pessoa: uma criança excitada com a perspectiva de voar pela primeira vez.
Tínhamos um número limitado de linhas… não nos podíamos esticar muito.
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olá João.
Boas escritas