Deixa a luz entrar

Imagem retirada de http://ivanihbianco.blogspot.com/2011/03/
um-mundo-colorido-uma-alma-colorida.html

Sai dessa concha escura

Em que te fechas sozinha

Ultrapassa e pisa a linha

Solta-te, parte à aventura

.

Abre cortinas e estores

Deixa a luz entrar na tua vida

Veste uma roupa colorida

O sorriso mais lindo que tiveres

.

Respira fundo e sai para a rua

Tens tantas capacidades

Esquece as adversidades

Sonha e ousa querer até a lua

.

A propósito do post anterior lembrei-me deste texto escrito em março de 2006 e fui buscá-lo «à gaveta». Dedicado a uma aluna que na altura estava com uma depressão.

 

.

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Optimismo e confiança

Cores

Retirado do site http://bemtratar.com/artigos/cromoterapia-terapia-colorida

Só tu…

A vida dá voltas e voltas…
Se parece que a alegria foi e não volta…
revolta-te!
Mas não deixes que se note:
Veste o teu melhor sorriso…
Às vezes é preciso disfarçar:
arrumar a dor num canto do poema
E soltar um canto
rebuscado no fundo da alma.

Muda de atitude…
Muda de óculos…
essas lentes não te deixam ver bem.
Com lentes feitas de optimismo e confiança
verás a vida menos desfocada
Cores radiantes, luminosas,
as coisas boas que acontecem
na tua vida, à tua volta.
Terás a alegria de volta.

Não tenho escrito nada que caiba neste blogue… Hoje respondi a um post no blogue de uma amiga das escritas e achei que a mensagem podia servir mais amigos daqueles que têm a tendência a ver o copo meio vazio, quando ele está meio cheio.

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Música e dança das Escolíadas

Este vídeo apresenta a prova de música e dança da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, na gala das Escolíadas 2011.

Podem ver em acção o João Almeida, justamente consagrado como melhor dançarino da presente edição das Escolíadas, acompanhado na dança pela Catarina Silva e pela Beatriz Caçoilo. A Margaret e a Professora Anabela Rocha cantaram e também encantaram.

Eu, além de acompanhar o trabalho destes elementos talentosos, fui o autor da letra, escrita em função do tema geral escolhido para a nossa participação.

 

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   Prémio Literário Hernâni Cidade   

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Mar

Foi um reencontro inspirador.

Na tua energia transbordante,
mas serena,
na delicadeza com que me envolves,

de repente,
tudo me parece possível.

Contagias-me com a tua força.
Fazes-me olhar mais longe…
muito para lá do que se vê.

Tudo fica mais belo,
mais alegre.

Mostras-me um sorriso aberto.
Nos teus olhos de um azul profundo
sou um peixe pequenino

e nesse azul imenso
eu deixo-me ir…
feliz.

Tentei incentivar alunos e colegas a participar no concurso, subordinado ao tema “Histórias do mar”, organizado pela Biblioteca da Escola onde trabalho. Parabéns a todos os participantes e em especial aos que viram os seus trabalhos distinguidos.

Obviamente quando se organiza um concurso deste tipo é gratificante receber muitos trabalhos concorrentes. Gostei de ajudar.

Pela minha parte, além da ilustração apresentada no post anterior,  participei com um conto, um poema.

Estes desafios, especialmente quando há um tema interessante, motivam-me a escrever, algo que me andava a fazer falta.

Foi-me atribuído o primeiro prémio nas modalidades de texto narrativo e de ilustração e uma menção honrosa na de poesia. O conto, pelo menos por agora, não o incluirei no blogue.

Deixo-vos com o poema. Não é propriamente um texto escrito para crianças, mas considero que não destoa de outros poemas já aqui apresentados. Claro que terá diferentes níveis de leitura de acordo com o tipo de leitor.

Espero que gostes…

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   Uma aventura no mar   

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O mar em cada concha

A Biblioteca da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, onde lecciono, organizou um concurso subordinado ao tema “Histórias do mar”, que incluia uma categoria de ilustração.

Participei com este desenho a lápis de cor, formato A3. O meu objectivo foi que o desenho contasse uma história: O mar em cada concha.

Alguns pormenores:

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Cecília e Sissi      MV

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Super sardinha

Era uma noite tenebrosa, de tempestade, e algures no Pacífico, uma jovem sardinha, a Miquelina, brincava na crista das ondas.

Ribombava a trovoada na atmosfera, um espectáculo de clarões e luzes que ela admirava. Gostava de aventura e de se divertir, embora os seus pais a avisassem para ter cuidado com os vários perigos do mar, como predadores, poluição e pescadores, mas a sardinha não prestava muita atenção, porque achava que era demasiado nova para se preocupar muito com isso

http://artigo126.blogspot.com/2010/05/vida-da-sardinha.html 

A sardinha conseguia vislumbrar a ténue luz da Lua, meio coberta pelas nuvens, e no meio da obscuridade, ela viu uma sombra volumosa no horizonte, que se agigantava na sua direcção.

Não coube em si de curiosidade e nadando agilmente, aproximou-se dela. Ficou muito admirada com o que viu. Parecia-se mais ou menos com uma baleia, mas tinha algo diferente de todas as que vira até então. Para começar, tinha um comportamento estranho: nadava à superfície e praticamente não se mexia, mas para o tamanho que tinha, rasgava as ondas com uma facilidade notável. Pensou no que havia de fazer. Queria muito saber o que era aquilo, por isso, com algum receio, decidiu tocar-lhe. Sentiu uma superfície dura, lisa, desgastada e com alguns arranhões. Afastou-se alguns metros com receio de ter sido notada, mas a criatura parecia ignorá-la. Continuava a pensar no que havia de fazer, quando ouviu alguém a chamá-la:

– Miquelina! Miquelina

Voltou-se e reconheceu Jonas, um velho peixe-palhaço do seu recife.

– Que é? – perguntou ela, aborrecida.

– Afasta-te dessa coisa!

Ela virou-se de novo para aquela coisa gigantesca, e perguntou, cheia de esperanças:

– Sabes o que …

– Andei à tua procura durante muito tempo! – interrompeu ele. – Não devias andar aqui a estas horas! Os teus pais estão preocupados. Vem para casa, que se faz muito tarde e aqueles palermas dos irmãos Atum andam por aí a verificar se está toda a gente em casa. Se eles reparam que faltas, fazem mal à tua família!

– Está bem! Está bem! Mas ao menos diz o que é!

– É uma criatura diabólica. Já vi muitas delas na minha vida: aparecem com frequência por estes mares e só trazem morte e destruição! Cala-te e anda, antes que nos ma…

Uma onda violenta embateu no barco, e com a forte sacudidela, caíram vários barris de lixo tóxico transportados pelo gigante, perto dos dois.

A Sardinha esbugalhou os olhos quando viu aqueles objectos a boiar à superfície. Deles saia um líquido verde brilhante que os envolveu rapidamente

Jonas, espantado, exclamou:

– Foge!

Nadaram para o fundo o mais rápido possível. Demasiado atordoada para dizer alguma coisa, a pequena limitou-se a seguir Jonas, mas começava a sentir-se mal e acabou por desmaiar.

Quando acordou de manhã, estava em casa. Chamou pelos pais, que vieram ter com ela.

– Que é que se passou? – perguntou.

– O Jonas contou-nos. O que aconteceu é que te andas a meter em aventuras, e agora isto… Ao menos estás bem?

– Bem, acho que sim. Sinto-me muito melhor.

De repente, ouviram um grito e a sardinha foi ver quem era. Eram os dois irmãos Atum, mafiosos que estavam a trabalhar para o Silvério, o maior criminoso da área (e ao mesmo tempo o mais pequeno, porque era um camarão). Gostavam de controlar a vida dos outros peixes, e se eles não estivessem no recife na hora do recolher obrigatório, poderiam comê-los!

– Vai-te esconder! – ordenou o pai.

Ela foi-se esconder atrás de umas algas, enquanto os brutamontes falavam com os pais. A certa altura, ela viu que a coisa ia dar para o torto, e para proteger os pais, encheu‑se de coragem, e lançou-se ao Atum mais próximo. Surpreendentemente, quando se deu o embate, o Atum foi atirado para trás com uma força tremenda, contra um rochedo.

Um velho polvo que ia a passar perto, apanhou um grande susto e exclamou:

– Uuuuuuups! Borrei-me!

– Badalhoco! Sujaste-me todo com tinta! – exclamou o Atum, que desmaiou logo de seguida. O outro ficou tão espantado com a força desmedida da sardinha, que se acobardou e fugiu.

Ela ficou assombrada com o seu próprio poder. Foi falar com Jonas, que estava em casa a descansar, e contou-lhe o que tinha acontecido. No fim, perguntou-lhe:

– Também conseguiste super-poderes?

– Não, só consegui cancro!

No dia seguinte, ao almoço, voltou a ouvir-se barulho na vizinhança. A sardinha pensou se seriam os Atuns outra vez. Desta vez não tinha medo, por isso foi inspeccionar o que se passava. Quando saiu de casa, viu Silvério e o seu poderoso aliado, Joaquim, o grande tubarão branco.

– Então és tu que agrides os meus peixes? Não passas de um bicho insignificante! – troçou o pequeno mafioso.

– Olha quem fala, minorca! – retorquiu Miquelina.

O camarão, furioso, gritou:

– Ai é? Já vais ver! Joaquim, destrói esta criatura insolente!

O tubarão atacou a sardinha, tentando mordê-la, mas ela esquivou-se facilmente. A sardinha não perdeu tempo e investiu sobre o adversário com toda a força. O tubarão resistiu e tentou devorar a pequena, mas ela lançou-se mais uma vez e mandou-o contra o chão, derrotando o monstro.

Cansada, olhou para Silvério, que estava boquiaberto, e disse-lhe bem alto:

– Queres alguma coisa? Parto-te todo, palhaço!

– Que é? – perguntou Jonas, que tinha acabado de sair de casa.

– Desculpa, não estava a falar para ti!

O camarão cobarde aproveitou para fugir, enquanto ninguém estava a olhar, e nunca mais foi visto nos arredores. Fizeram uma festa em honra da heroína e toda gente ficou a saber a história de Miquelina, a Super-sardinha.

David Roque

Como foi referido no “post” anterior, o David ganhou o primeiro prémio no X Concurso Literário Jovem, uma iniciativa da Câmara Municipal de Ílhavo.  Depois de a sua “Super História” – onde brinca com os heróis dos desenhos animados/banda desenhada – ter conseguido o terceiro prémio em 2010, agora voltou a concorrer com outra história onde uma apresenta uma insuspeita super-heroína: Miquelina, a “Super Sardinha”.

Parabéns, (Super-)David.

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Uma aventura no mar   Prémio Literário Hernâni Cidade

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Uma aventura no mar

Era uma vez uma pescada, uma tartaruga, um caranguejo e uma estrela-do-mar, que viviam entre algas e rochedos.

Numa manhã de maré-baixa, um peixe que nadava calmamente nas águas profundas do mar acordou a pescada.
- Bom dia, pescada. – disse a tartaruga, à amiga que tinha acabado de acordar.
- Olá, como estás? – inquiriu a pescada.
- Eu estou bem, estive a arrumar a minha casa.
A pescada foi procurar a sua amiga estrela-do-mar. Decidiu então ir a sua casa. Quando lá chegou, bateu à porta e a amiga abriu.
- O que estás a fazer? – perguntou a pescada.
- Estou a enfeitar-me para ficar bonita. – disse ela.
- Oh, estrela-do-mar, tu estás sempre com a mania de querer brilhar.
Entretanto, chegou o caranguejo, excitado.

http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/44283-caranguejo-da-praia.htm

- Vocês nem acreditam no que me aconteceu: eu estava na praia de areia fina banhada pelo mar, quando um rapaz me apanhou e me meteu num balde. Ele queria levar-me, mas eu belisquei-o e saí do balde.

O caranguejo foi para casa, descansar de tantas aventuras que naquela manhã tinha vivido.

A pescada estava a brincar com a estrela-do-mar, quando ouviram alguém a chorar.

Foram ver o que se passava e viram então uma carpa de escamas vermelhas e brilhantes, que chorava tristemente.

Perguntaram à carpa por que razão estava a carpir assim, e ela respondeu:

- Eu choro porque a minha amiga foi pescada por um barco muito grande.

Como a estrela-do-mar e a pescada não tinham mais nada para fazer, quiseram ajudar.

Nadaram até um cais, subiram à superfície, e procuraram o tal barco, até que o avistaram. Era muito grande e branco. Tinha presa uma rede enorme, onde estava a amiga da carpa. Ela estava aflita e tentava libertar-se.

Foram as três tentar romper a rede, até que a pescada teve a ideia de ir chamar o caranguejo.

Nadou até casa do amigo e pediu-lhe ajuda. Ela aceitou e lá foram os dois.

Quando lá chegaram, o caranguejo cortou as redes com as suas tenazes e a carpa conseguiu sair.

As carpas agradeceram-lhes e o caranguejo voltou para casa. A pescada e a estrela-do-mar ficaram cheias de curiosidade e foram a nadar, cada vez até mais longe. Enquanto nadavam distraídas, quase eram pescadas pela rede do tal barco grande, se um peixe que estava a passar não as tivesse avisado.

- Ai, quase ias sendo pescada! – disse a estrela-do-mar.

- Mas, estrela-do-mar, eu já sou pescada. – disse ela confusa.

Assustadas, nadaram rapidamente até ao lugar onde moravam, entraram em casa e foram dormir.

No dia seguinte, o caranguejo acordou bem cedo e foi para a praia. Esta estava deserta e ele deixou-se ficar deitado a aproveitar o sol e o calor. Ficou por lá durante um bocado até que acabou por adormecer.

Entretanto, não muito longe dali, a estrela-do-mar que já tinha acordado estava a nadar no mar, já depois de se ter enfeitado. Nadava a grande velocidade e contornava rapidamente as rochas e rochitas que por lá havia.

A certa altura viu as suas duas amigas carpas que vinham avisá-las, a ela e à pescada, que o seu cardume tinha decidido ir embora.

A estrela-do-mar foi chamar a dorminhoca da pescada que ressonava levemente, deitada na cama.

Ela acordou e disse-lhe o que se passava. A pescada ficou muito triste.

A pescada quis ir despedir-se da Carpa, preparou-se e nadou até lá.

Quando a pescada lá chegou perguntou-lhe por que é que ela ia embora e a carpa disse que no sítio onde viviam havia muitos pescadores e elas não queriam ser pescadas.

A tartaruga estava a chegar de um passeio na praia e contou as novidades:

- Fui à praia para por ovos mas estava lá muita gente.

- E qual é problema? – perguntou a estrela-do-mar.

- Não quero que os meus ovos acabem numa omelete.

- E o que é que vais fazer? Não me digas que também te vais embora. – disse a pescada, preocupada

- Tenho que encontrar uma praia deserta.

- Falaram-me de uma aqui perto. Foi o caranguejo que depois de uma aventura arriscada resolver procurar um sítio mais calmo. – afirmou a estrela-do-mar.

- Por falar no caranguejo, aí está ele. – informou a tartaruga.

- Ouvi a vossa conversa… há uma praia pequenina entre arribas onde se pode dormir descansado sem ninguém vir incomodar. Eu depois digo-te onde é.

E assim os quatro amigos – a pescada, a tartaruga, o caranguejo e a estrela-do-mar – continuaram juntos e felizes entre algas e rochedos.

Cecília Roque

Como o pai anda com pouco tempo para escrever e alguma falta de inspiração, escreveram os filhos… e ambos ganharam (nos respectivos escalões – a Cecília no 1º Ciclo e o David no 3º ) o X Concurso Literário Jovem, organizado pela Câmara Municipal de Ílhavo.

Este texto é o da Cecília. A minha filha passou de personagem das minhas histórias… a autora das suas. 

Ganhou o primeiro prémio e espero que tome o gosto da escrita. Da leitura já tem… Eu que acompanho o seu percurso, sei que houve aqui influência dos “Contos da Mata dos Medos” do Álvaro de Magalhães, um livro que ela tinha lido há pouco. 

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Cecília e Sissi      

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São uns brincalhões

A equipa do WordPress enviou-me as estatísticas de 2010… concluindo que é um blogue fantástico.

5900 visitas em 2010 para um blogue deste tipo não me pode deixar triste. Mesmo assim tenho consciência que no segundo semestre pouco fiz para justificar o número de visitas às minhas “Infantilidades”.

Também não me espantou que os “posts” mais visitados em 2010 fossem alguns dos colocados em 2009.

Para 2011 não prometo muito…

O meu 11 saiu com um ar um bocado maroto, mas também já ninguém espera muito deste ano…

Ouviste? Vê lá se nos surpreendes pela positiva!

Feliz 2011

A todos os amigos e visitantes um feliz 2011.

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Prémio Literário Hernâni Cidade

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Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Este blog é fantástico!.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 5,900 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 14 747s cheios.

 

Em 2010, escreveu 15 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 36 artigos. Fez upload de 19 imagens, ocupando um total de 1mb. Isso equivale a cerca de 2 imagens por mês.

The busiest day of the year was 1 de Março with 88 views. The most popular post that day was A prenda do dia do pai.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram search.conduit.com, miminhosecarinhos.blogspot.com, facebook.com, historiasparapre.blogspot.com e historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por prendas para o dia do pai, bruxinha, dia do pai prendas, infantilidades e crianças alegres

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

A prenda do dia do pai Junho, 2009
6 comentários

2

Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto Outubro, 2009

3

Apenas brincando Junho, 2009
2 comentários

4

Caderno de Poesia Junho, 2009
3 comentários

5

Contos Fevereiro, 2010

Super-História

Era uma vez um jovem super-herói chamado Super-Homem, que era filho da Capuchinho-Vermelho.

Um dia a Capuchinho-Vermelho disse-lhe:

- Vai entregar este cesto cheio de comida à Avó que vive no outro lado do mundo, no Bosque dos Cem Acres.

http://coucounette.no.sapo.pt/cem_acres.htm

Ele era malcriado, pelo que retorquiu:

- Não quero, mãe! É uma super-seca com S maiúsculo!

A mãe ralhou:

- Ou vais ou eu dou-te um super-castigo!

- Às vezes dá vontade de atirar a minha mãe para o Sol – resmungou ele, já a caminho.

Estava a meio do voo, quando sentiu uma necessidade inadiável, por isso aterrou de emergência no sítio onde se encontrava.

Quando olhou à volta, avistou um gigantesco palácio, e, como também tinha fome, entrou.

Estava tudo muito silencioso. Subiu as primeiras escadas que encontrou e quando acabou de as subir, coisa que demorou muito tempo, viu um quarto onde estava deitada na cama uma rapariga a dormir. Já sem paciência, berrou:

- Está aí alguém?!

- Quem és tu? – perguntou-lhe a rapariga que tinha acordado.

- Sou o Super-homem! E tu quem és?

- Sou a Bela-Acordada.

Ouviram-se barulhos na escada e entrou no quarto um estranho que se apresentou:

- Sou o Príncipe da história e vim acordar a Bela-Adormecida do seu sono.

- É tarde de mais, por isso vai chatear outro! – disse o Super Homem que deu um murro na cara do Príncipe chato que o deixou a ver estrelinhas.

Quando se preparava para partir, a Bela Acordada pediu-lhe para a levar consigo. O Super-homem recusou, mas como ela insistiu, ele não teve outra opção senão aceitar.

Algumas horas depois, chegaram ao destino: o Bosque dos Cem Acres. Antes do Bosque havia uma praia onde se podiam ver caranguejos a passear no chão ou gaivotas à procura de almoço. Bem perto, o Nemo e a Pequena Sereia brincavam nas ondas.

De repente apareceu-lhes pela frente um estranho urso amarelo com camisola vermelha que lhes perguntou:

- Viram os meus amigos?

- Não, por isso desaparece daqui! Nem sequer sabemos quem tu és! – respondeu o Super-Homem .

- Eu sou o Winnie the Pooh.

- Quero lá saber!

Começaram a andar em direcção à casa da Avó do Super-Homem sempre seguidos pelo Pooh, que não os largava.

- Tu não te vais embora? – perguntou a Bela Acordada .

- Vocês podem ser os meus novos amigos. – disse o Pooh .

Como ele não ia, eles decidiram simplesmente ignorá-lo.

A certa altura, ouviram um barulho nos arbustos e deles saiu um lobo. Para grande espanto deles, começou a falar:

- Olá eu sou o Lobo Mau e …

- Não tenho mais paciência ou tempo para bichos irritantes como tu, por isso vai‑te catar!

Dito isso, pegou no Lobo, deu-lhe três voltas e atirou-o para longe.

Pouco depois, chegaram à casa da Avó do Super-Homem. Então entraram e viram deitado em cima da cama o Lobo Mau, vestido de Avó. O Super-Homem perguntou-lhe:

- Achas que sou idiota? – e deu ao Lobo um chuto no rabiosque que o mandou directo para a Atlântida.

Ouviram-se uns barulhos no armário. Quando foram verificar, viram que dentro do armário estava a Avó, os amigos do Pooh, o Godzilla e o Noddy.

Depois, o Super-Homem e a Bela Acordada casaram e viveram felizes para sempre. Tiveram três filhos: o Pinóquio, a Branca de Neve e o Ruca.

 

David Roque

 
 
 
Com esta história, escrita quando ainda estava no 7º ano, o David conseguiu o terceiro lugar no concurso organizado pela Câmara Municipal de Ílhavo,  no ano lectivo 2009-10, para o seu escalão (3º Ciclo).
 
 
 
 
 
 
 
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Cecília e Sissi
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Mais um incentivo

Recebi ontem mais um incentivo a continuar a escrever: o Prémio Literário do Agrupamento de Escolas de Ílhavo.

Numa iniciativa já na sua nona edição, o Agrupamento de Escolas de Ílhavo, juntou no Dia Mundial da Música, a literatura e a música num agradável serão.

O tema proposto para os trabalhos era A vida.

A adesão ao prémio literário não foi a desejada pela organização, mesmo assim houve trabalhos muito interessantes, nos diferentes escalões, que foram lidos perante uma assistência atenta que enchia o auditório da Escola. A mim calhou-me ler Um mar em nós e De que somos feitos, trabalhos a que foi atribuído o primeiro prémio nas categorias de poesia e prosa, respectivamente.

Participei porque considero importante incentivar estas iniciativas e é uma oportunidade para dar a conhecer a minha escrita. Senti-me acarinhado e foi interessante encontrar pessoas conhecidas, que ficaram surpreendidas ao descobrirem esta minha faceta.

Deixo-vos com o meu poema e uma bela imagem retirada de http://menarazzi.blogspot.com/2008/09/dia-mundial-do-mar.html:

Um mar em nós

Um mar em nós

A vida começou, simples, no mar

E, por passos pequenos e banais,

Dele acabou por se libertar

Partindo a conquistar outros locais

Mas cada novo ser pôde guardar

Memória desses tempos ancestrais

Hoje, que a nossa aula é sobre o mar,

É preciso, é forçoso que saibais

Dois terços de nós são o próprio mar.

Sim, é a mesma água, os mesmos sais.

Temos em cada célula o mar,

cada lágrima é mar que, assim, chorais.

Um apelo impossível de ignorar,

Além do horizonte há sempre mais,

Mais mar e novas terras por achar,

Mas nunca, nunca mais vos iludais.

Só em vós podereis vir a encontrar

A ilha do tesouro que buscais.



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Prémio Literário Hernâni Cidade

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Prémio Literário Hernâni Cidade

O Prémio Literário Hernâni Cidade é uma iniciativa anual da Câmara Municipal de Redondo, através da sua Biblioteca.

Na edição de 2010 a modalidade foi poesia e os trabalhos (um conjunto de três sonetos) tinham que ser subordinados ao tema: Venho brincar aqui no Português, a língua – uma frase do conhecido escritor moçambicano Mia Couto, retirada da sua crónica Perguntas à língua portuguesa. Essa crónica foi o ponto de partida para escrever o poema Mia Couto. Outro poema começa com o tema proposto: Venho brincar aqui no Português, a língua… O terceiro tem como título Unidiversidade uma palavra inventada, ao estilo do autor moçambicano.

A cerimónia de entrega dos prémios será no dia 23 do Outubro. Neste caso a organização não me fez sofrer como nos dois prémios anteriores (Trofa e Madeira) e já sei que ganhei o primeiro prémio.

Venho brincar aqui no Português

Venho brincar aqui no Português,
a língua dos meus pais e minha, agora,
herança a que acedi e assim me fez
irmanado a milhões, pelo mundo fora.

Espaço de orgulho e altivez,
onde se ouve uma voz livre e sonora.
Lugar de diversão, sem timidez,
não vive já dos feitos de outrora.

E os poetas que brincam com os sons,
alegres companheiros no recreio,
partilham todos deste devaneio:

de tornar, cada qual com os seus dons,
nossa língua um local acolhedor;
nossa pátria mais rica… e maior.

Mia Couto

Sim, amigo, obrigado pelas lições.
Matámos a galinha por um ovo…
é preciso avivar, erguer de novo,
brincar, criar, fazer brincriações.

Ajudaste a sonhar colorações
no planeta dormente onde me movo,
recriaste a língua com o povo,
recreaste a língua em diversões.

Recuperaste até antigos brilhos
(e os ovos de ouro brilham mais
se reflectem o brilho dos demais),

trouxeste alegria a nossos filhos,
cor aos planetas já entorpecidos …
Seja a língua carícia em teus ouvidos!

Unidiversidade

Nascemos em países tão distantes
mas nossas falas, na diversidade,
brincam juntas em tal intimidade
nesse encontro, são línguas de amantes.

Belo festim de sons com cambiantes,
poetas burilando a claridade.
Tantas faces não quebram a unidade,
mas reflectem a luz, são diamantes.

Perceber-te não é grande façanha:
posso achar a pronúncia estranha,
pode o vocabulário divergir…

- Adorei, foi gostoso o cafuné
- Se pensas que eu não sei o que isso é…
Percebi, não precisas traduzir.

Poema adicionado mais tarde:

Redondamente grato

Vim, feito às no volante, da Gafanha
Dessas terras do mar, terras da ria
Impregnadas do cheiro a poesia
Trazer algo da minha arte e manha

E acho que cometi uma façanha:
Dum oceano que é lusofonia
Eu trago um ritmo doce a maresia
(É o balanço do mar que a gente ganha)

Às terras aprazíveis do Redondo.
Às gentes que me calam cá no fundo
Manifesto-me grato, sobretudo…

Com o meu couro pouco cabeludo
Brilhando ao calor dos holofotes…
Grato por revelardes os meus dotes.

Este último poema li-o na cerimónia de entrega dos prémios. Resolvi brincar com as palavras e deixar bem claro de onde ia, já que a organização escreveu no site em que anunciou os premiados que eu era da Nazaré.  Sou da cidade da Gafanha da Nazaré – terra do mar, terra da ria – bem perto de Aveiro.

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Matilde Rosa Araújo

Hoje estou de luto. Faleceu Matilde Rosa Araújo, uma escritora que muito admirava e uma figura de referência da literatura para crianças

Se a literatura para crianças em Portugal é o que é, deve-lho em grande parte, como precursora e autora de uma rara sensibilidade.

Conheci-a pessoalmente na Trofa, quando recebi o Prémio Matilde Rosa Araújo. Era uma pessoa duma simpatia cativante.

Presidia ao júri que escolheu “Pirilampo e os deveres da escola” e deu-me a grande honra de escrever uma dedicatória que enriquece muito o meu livro.

Deixo-vos com as palavras de António Torrado (que integrava também o Júri), e que reflectem bem o que também eu sinto:

“A Matilde foi a fada madrinha para a literatura infantil”; “era a medida padrão para a literatura infanto-juvenil”.

Podes ler o texto, de onde foram retiradas estas frase,  no DN: http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1611701&seccao=Livros

Para conhecer a sua biografia podes seguir esta hiperligação: http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1611700&seccao=Livros

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Cecília e Sissi

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Só vendo, como S. Tomé

A mamã diz-me para estar sossegada, mas não consigo… é a primeira vez que vou voar. Quer-me sentada, junto dela. Isso faço eu, todos os dias. Ela está é nervosa, desde a chegada ao aeroporto, cheia de medo. Eu cá, não… Sou Pardal.

Nesta janela cabem tantos aviões… Em qual deles irei? Aquele branco e vermelho é tão lindo. São todos. Quando disser às minhas amigas que já andei de avião, vão ficar cheias de inveja. Gostava de levar comigo a Cláudia e a Patrícia, os meninos todos do terceiro ano.

Finalmente, conhecerei o meu avô Salustino Pardal e comerei as lagostas que ele pesca. Na carta que me escreveu, diz que são as melhores do mundo. Vou visitar a terra onde os meus pais nasceram e que é também, mas só um nadinha, o meu país: S. Tomé.

Mas eu sou, um pouco, como S. Tomé: só vendo é que acredito. Prometiam há tanto tempo… Será que é mesmo desta? Só quando estiver sentada no avião, quando apertar o cinto de segurança e o avião levantar voo é que acredito que vou mesmo voar.

Vai ser bué da fixe. Melhor do que andar na roda gigante da Feira de Março, que foi a coisa mais excitante que fiz… até hoje.

imagem retirada de http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/destino-mundo-lusofono.html


Este pequenino texto resultou de um exercício feito num trabalho de casa (no Curso Livre de Escrita Criativa), sobre o ponto de vista do narrador, neste caso na primeira pessoa: uma criança excitada com a perspectiva de voar pela primeira vez.

Tínhamos um número limitado de linhas… não nos podíamos esticar muito.

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Declaração de amor… à vida

És única! Na verdade
sempre o soube,
desde o começo.
Por tua bondade
quanto me coube…
e eu… agradeço.

Como Homem
poderia, insatisfeito,
esperar por mais,
mas trataste-me bem,
tudo quase perfeito…
foram tantos os sinais!

Coração em sobressalto,
é de joelhos no chão,
mas de cabeça erguida
que grito bem alto
esta declaração
de amor… à vida.


Mais um poema escrito em 2006.

O título original era só “Declaração de amor”, mas assim ajuda a perceber numa primeira leitura.

Imagem do blogue: http://carpiedienmilitantes.blogspot.com

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6º Encontro Lusófono de Literatura Infanto-juvenil

Tenho andado afastado do blogue e falhei mesmo uma meta que tinha imposto a mim mesmo: colocar pelo menos uma novidade em cada mês e já passaram quase dois. A falha não se ficou a dever à falta de assuntos, mas de disponibilidade.

Na semana a seguir à Páscoa, mais concretamente no dia seis de Abril – Dia Internacional do Livro Infantil – estive em Rio Tinto, a convite da educadora e escritora Ângela Monforte. A conversa com as crianças do Jardim-de-Infância teve como ponto de partida uma história que escrevi para aquelas idades.

Já em Maio, de um a oito, fui um dos escritores convidados a participar no 6º Encontro Lusófono de Literatura Infanto-juvenil, organizado pelo Município da Trofa. É sempre um enorme prazer voltar àquele que é o meu “local de nascimento literário” e onde me sinto sempre bem acolhido.

Na notícia do portal da Câmara Municipal da Trofa sobre o evento, a foto escolhida mostra um momento da minha conversa com um grupo de crianças. Eu sentei-me ao nível delas, num local diferente do preparado para o efeito, mas havia lá melhor lugar do que a sala da biblioteca onde estão os livros para a sua idade? Contei-lhes um dos meus contos e a receptividade foi fantástica, em ambos os grupos. Não foi um acaso: todos conheciam “Pirilampo e os deveres da escola” e eu li-lhes uma continuação, em permanente diálogo com elas.

Foi o momento mais conseguido da minha experiência de contar histórias a crianças. Estavam motivadas, bem preparadas e a história dizia-lhes muito. Por várias vezes, o que eu tinha para ler foi antecipado pelas suas próprias histórias com gatos (falaram também de cães e outros animais domésticos).

No final autografei alguns livros que as crianças, como a menina em primeiro plano, levaram para o efeito.

http://www.mun-trofa.pt/Site/FrontOffice/default.aspx?module=Headlines/HeadlinesDetail&ID=111

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Cecília e Sissi

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A Primavera

Um trabalho de casa que a professora mandou à minha pequenita deu nisto. Pediu-me ajuda. Aliás, disse-me que os pais tinham de ajudar. Seria mesmo?

Deixo-vos então com um poema escrito a quatro mãos e duas cabeças (que pensam melhor do que uma)… Ou seis mãos e três cabeças (melhor ainda) já que a professora também deu importante colaboração ao sugerir quatro temas – água, árvore, poesia e Primavera. E foi em torno dessas quatro palavras – com direito a entrada directa – que fizemos o poema. A Cecília escolheu como título:

…….

A Primavera

Na Primavera inventei

Uma flor de poesia

Da árvore que reguei

Com água da fantasia

.

Árvore que floresceu

Depois de longa espera

Quando o sol apareceu

Num sonho de Primavera.

.

Cecília Roque e João Alberto Roque

…….

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Os exageros da mamã

Frequento, desde há três semanas, um curso de escrita criativa na Universidade de Aveiro. Assumi como objectivo pessoal repetir cada um dos exercícios propostos numa perspectiva de escrita para a infância. O primeiro trabalho de casa que eu fiz, apesar de não ter participado na aula em que foi leccionado o tema (fui chamado apenas à quarta aula), tratava-se de descrever um objecto partindo de outros sentidos que não a visão. Acho que não é difícil descobrir qual o objecto que eu usei.

Deixo-te com esse texto… até porque não há tempo para mais.

Os exageros da mamã

Encontrei aquele objecto… encantou-me: uma forma que encaixa na mão, suave, liso, uma rodinha em cima, mas… não roda quando passo o polegar.

Não magoa. É inofensivo. A mamã é mesmo exagerada.

Ela proibiu-me, mas … como funcionará?

Rodei com mais força. Agora sim.

À terceira percebi: com o dedo em cima daquela peça ao lado da roda, a chama não apaga.

É agradável: aquece o dedo mas não queima…

E um papel… será que arde?

Ui, tão depressa! Tive de largá-lo.

Uf, que sorte! E se não apagasse?

Afinal, a mamã tinha razão.

Não vai gostar de saber que desobedeci. Tenho que limpar tudo: as flores, a água da jarra – tudo, menos o buraco no tapete – arejar a sala, para a livrar deste cheiro e… contar-lhe como aconteceu.

Irá ralhar muito?

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MV

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Conclusões do conto

Alguns dos finais que os alunos do oitavo ano da ESGN escreveram … depois de lhes ter contado a primeira do conto “Fonseca tem mão no caso

Nem todos podem ser aqui colocados, também pela falta de espaço, mas sobretudo porque alguns alunos têm finais um bocado complicados para um site visitado por crianças. Os alunos andam a ver muita televisão…

Muitos dos textos revelam imensa imaginação e quase todos se aplicaram. Valeu a pena a experiência e terei gosto em repeti-la noutras oportunidades.

Deixo-te com alguns dos textos, dos muitos de que gostei . Outros irão sendo adicionados, logo que tenha tempo

O meu final é o último  da página.

Vai para o separador “Fonseca” ou segue a hiperligação  ”Fonseca tem mão no caso

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Cecília e Sissi

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Desafio para a Semana da Leitura

Mais uma vez fui convidado para  falar, na Semana da Leitura, com os alunos do oitavo ano da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, onde sou professor.

Desta vez, decidi lançar-lhes um desafio: pegar numa história minha e escrever um final para a mesma.

Também os visitantes do blogue podem responder ao desafio, escrevendo um final como comentário ou enviando-o para o meu endereço de correio electrónico - jafroque@gmail.com .

Depois eu próprio colocarei o meu final.

Para começar lê a primeira parte, seguindo a hiperligação abaixo:

Fonseca tem mão no caso

Estarei também na Escola José Macedo Fragateiro em Ovar.

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O Carnaval acabou

Imagem retirada do site www.nuaideia.com

O Carnaval acabou.

Queria tirar a máscara

E voltar a dar a cara…

Voltar a ser quem sou.


Entre o verdadeiro eu

E aquele que pareço

(entre o genuíno e o adereço)

A distinção esvaneceu.


Entre as ficções que criei

E a que é minha história

Não há fronteira notória.

Por vezes já nem eu sei.


Nesta linha indefinida

Entre máscara amovível

Ou plástica irreversível,

Anda, assim, a minha vida.

Mais um poema que escrevi há muito…

Apesar de muito simples poderá ter diferentes leituras para diferentes leitores.

Espero que gostes.

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Uma agradável surpresa

Uma das coisas boas de ser professor – eu diria mesmo a melhor – passa por conhecer alunos com excepcional valor. Felizmente tenho conhecido vários, ao longo destes anos.


Ainda esta semana tive o grato prazer de ler um texto – 45 páginas muito bem escritas – de um aluno, agora com 17 anos, que já andava há dois anos a escrevê-lo. Revela uma cultura e uma maturidade que são pouco habituais num aluno da sua idade.

Vê-se que, além da inspiração e do trabalho de construção de um enredo bem elaborado e com capacidade de surpreender, houve ali muito trabalho de burilação do texto: tantas páginas sem um erro, sem uma estrutura frásica menos cuidada.

Se insistir e se a vida lhe der as oportunidades que merece, temos um futuro bom escritor.

Força Victor! Obrigado por me dares a felicidade de ser surpreendido de forma tão agradável.


Também sei que não são coisas que aconteçam a todos os professores… Tem que se “estar lá” quando é preciso.

Talvez para um professor de Português isso seja quase uma obrigação… para mim, que sou de Biologia e Geologia, é apenas uma enorme satisfação.

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Cecília e Sissi

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Barco de papel

Imagem cortada do site http://www.designup.pro.br/imgs/index/tag:papel/order:favs

Deste-me um barco de papel
Mas muito mal aparelhado
Não tem bússola nem tem leme
Tem só um mapa desenhado

Que me diz que siga o rumo
Que nasce no meu coração
Tenho medo de me perder
(Eu sei pouco de navegação)

E estamos no mesmo barco
- Senão porque sorriria? -
Ainda bem seguro no cais
Com amarras de poesia

Fizeste de mim capitão
Deste sonho desta esquadra
Mas é tempo de partida
Desta linha, nesta quadra

Não vês como és cruel?
Vês-me prestes a naufragar
E dás-me um barco de papel
A mim… que não sei nadar.


Este é um poema que escrevi em Dezembro de 2006 e que tinha ficado guardado até hoje, na gaveta do meu computador.

Lembro-me agora que o li, entre vários outros, à minha turma do 12º F da altura – uma daquelas aulas de sexta-feira ao fim da tarde em que a capacidade de dos alunos de estarem envolvidos nos conteúdos do programa se acabava mais depressa que o normal…

Houve uma aluna que gostou e me pediu para copiá-lo… Hoje encontrei-o, por acaso, no facebook. Provavelmente já não se lembrava da sua origem e por isso não refere o autor, mas eu… lembrei-a, colocando a versão completa.

Como já veio a público… publico-o aqui também. Espero que gostem tanto como a Daniela – por sinal também eu gosto muito de vários textos dela que fui lendo – e alguns visitantes que o leram no seu facebook.

Obrigado também… à pessoa extraordinária que me deu o tal barco de papel.

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Uma sucessão de acasos?

Andava a algum tempo a evitar colocar algo de novo no blogue mas hoje (afinal, o relógio diz que já foi ontem…) tive uma conversa com a responsável de uma biblioteca escolar, onde entrei por mero acaso, que, sem o saber, me motivou a ligar ao editor do “Pirilampo e dos deveres da escola”.
Não faz sentido o livro estar esgotado… Gostei da conversa. Espero que venha a ter frutos.

Estas duas conversas já tiveram pelo menos um efeito em mim… tirar-me de um certo desânimo em que andava, relativamente à escrita.

Uma sucessão de acasos?

Outra conversa interessante que hoje aconteceu foi com uma amiga que já não via há imenso tempo, considerando que até vivemos relativamente perto um do outro… não sei bem se conversei com a arquitecta se com a artista plástica, mas espero ter dado um pequeno empurrão à escritora… espero que arquitecte uma boa história que possa, depois, ser bem ilustrada pela pintora de créditos já firmados.

Para acabar o dia, uma surpresa na Internet, mas dessa… falo no próximo post…

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Boas Festas

Aos visitantes do “Infantilidades”, de todas as idades, desejamos uma entrada em grande num ano que se espera melhor para todos.

Que o espírito solidário da quadra Natalícia se estenda a todos e torne o nosso mundo um pouco melhor.

Um poema de Natal

Como se aproxima o Natal, pensei em colocar algo relacionado com esta data festiva.

Nunca escrevi nenhuma história de Natal mas lembrei-me deste poema que escrevi há alguns anos.

Espero que entendam a mensagem: o Natal celebra o nascimento de Jesus Cristo. A personagem central do Natal é então o menino Jesus. Actualmente, nem sempre é fácil percebê-lo.


Pelo Natal


Recordo com saudade aqueles Natais

que celebravam o nascimento de um petiz.

Um momento tão marcante e tão feliz

passado numa cabana pobre de animais.


Eram pobres as prenditas que me dava

o menino Jesus, nos Natais da meninice:

um doce e algo útil. Mesmo que não pedisse

ele sabia sempre do que eu mais precisava…


E que podia eu esperar receber mais

de um menino muito mais pobre do que eu,

de um menino que eu sabia que nasceu

tão pobre numa cabana de animais?


Era um tempo muito belo mas modesto:

as roupas partilhadas com os manos,

os brinquedos, simples, duravam anos…

A imaginação e o engenho faziam o resto.


Hoje é diferente e faz-me certa confusão

que o Natal, que era outrora de um menino,

seja hoje de um velho abastado e fino

que publicita as suas prendas na televisão.


O Pai-Natal impôs-se no nosso imaginário…

Um menino pobre numa cabana de animais,

não encaixa bem nos propósitos comerciais,

como explicaria qualquer bom publicitário.


Recordo com saudade aqueles Natais…

As imagens deste post foram retiradas de  www.postais.net

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MV Cecília e Sissi

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A canção da bicharada

Na sequência do texto anterior, também este foi feito para a ópera infantil baseada no meu livro “Pirilampo e os deveres da escola” e como expliquei no post anterior, perdeu-se na rede…

Apenas mantive parte do título da proposta inicial e que acabou por ser a apresentada em público.

Espero que gostes.

Imagem retirada de  http://www.baixakijogos.com.br/wii/animal-crossing-city-folk/previa/3347.html


Vem cantar à desgarrada

A canção da bicharada

Um, dois, três

É agora a tua vez:


A vaca dá leite branco

Ó que grande disparate…

Sabe bem que eu prefiro

Com sabor a chocolate.


O coelho é desconfiado

E que bem que ele ouve…

Adora trincar cenouras

E umas folhinhas de couve.


O gato faz companhia,

brincadeiras divertidas.

Sobe a muros e telhados

Pensa que tem sete vidas…


Vem cantar à desgarrada

A canção da bicharada

Um, dois, três

É agora a tua vez:

O galo no seu poleiro

Canta alto e bom som

Acordando a bicharada

Sem nunca fugir do tom.

A galinha poedeira

Põe o ovo no seu ninho

Para depois o chocar

E nascer um pintainho.

Da raposa não se gosta

Na escola e nos galinheiros

Mas apenas na floresta

Entre urzes e pinheiros.

Vem cantar à desgarrada

A canção da bicharada

Um, dois, três

É agora a tua vez:


O leão, na selva, é rei

Dá rugidos de tremer

E quem o vê mais por perto

Foge logo, a correr.


O elefante é trombudo

com a mania de meter

A sua tromba em tudo

E nunca mais esquecer.

A girafa é só pescoço!

Tem altura e nada mais

Mas olha sempre de cima

Para os outros animais.

Vem cantar à desgarrada

A canção da bicharada

Um, dois, três

É agora a tua vez


A borboleta esvoaça

Entre as ervas e as flores

Está a mostrar, vaidosa,

As asas de lindas cores.


A formiga trabalhava

Não gostava de cantar

Aprendeu com a cigarra

Passa a vida a assobiar.


O mosquito toda a noite

Vem zumbir-me ao ouvido

E não me deixa dormir…

É um bichinho atrevido.


Vem cantar à desgarrada

A canção da bicharada

Um, dois, três

É agora a tua vez


O canário está alegre

Na sua farda amarela

Canta sempre e encanta

Com a sua voz tão bela


A coruja pia triste

Mas nunca perde o pio

Sem bela voz não desiste

De cantar ao desafio


Devia saber o mocho

Que a noite é para dormir

E o dia, enquanto há sol,

É para brincar, para rir…

imagem retirada de http://webrowse.webuzz.im/wp/archives/pt/0vuzD0e0/

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Cecília e Sissi MV

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Canção de embalar

O gatinho

Dorme, meu menino! Dorme! Dorme bem

Sonha com o gatinho. Miau, miau, miau, miau.

Ele é tão fofinho e amigo também.

E mia, meiguinho: miau, miau, miau, miau.

Tem um bom soninho! Dorme! Dorme bem

Se a luz do sol finda não é para assustar-te…

Há mil pirilampos que, à noite, acendem

A sua luz tão linda, só para iluminar-te.

Dorme, meu menino! Dorme! Dorme bem

Sozinho não ficas, eu estarei contigo.

Se queres sonhos lindos, tens de dormir bem

E depois já brincas com o teu novo amigo.


Fiz este texto e outros como sugestão de alteração aos textos usados na ópera infantil que teve como ponto de partida o meu livro “Pirilampo e os deveres da escola”, levada à cena pelo Coro dos Pequenos Cantores da Trofa. Na troca de mensagens de correio electrónico as minhas sugestões perderam-se e não chegaram ao destinatário pelo que não foram utilizados nesse trabalho e apenas agora são dados a conhecer. Um texto para uma canção de embalar que nunca chegou a casar com a respectiva música.

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Cecília e Sissi

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Um poema de Hélder Ramos

O Hélder Ramos comentou o “caderno de poesia” com este belo poema.

Não resisti a colocá-lo em lugar de maior destaque.

Obrigado amigo, em meu nome e de todos os visitantes destas “Infantilidades”.

.

AS CRIANÇAS

Sabem mais do que é infindo
E não se perde na noite do sono

Saltam vivas como nuvens que correm
No céu dos sonhos que crescem
Alegres e livres enfim

Nos dias que não trazem medos

E agarram os sóis a duas mãos
Que guardam como segredos

Imagem colhida em http://vitrinedabene.blogspot.com


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Testamento Poético em linguagem prosaica

.

Estando em estado de lucidez e de perfeito juízo

Ainda na posse de todas as minhas faculdades

E porque a ninguém pretendo causar prejuízo

Neste documento declaro as minhas vontades

A poesia será partilhada como um todo indiviso

Será sempre uma garantia e espaço de liberdades

Se alguém a quiser vender, o preço é um sorriso

Aceitem-na, para combater tiranias e falsidades

Porque na poesia o amor é cada vez mais preciso

Perderá a sua parte quem a usar para maldades

E será excluído deste testamento tão conciso

Quem usar esta herança para criar desigualdades

Capa da colectânea… edição da Câmara Municipal de Ovar

Concorri com este poema, escrito em 2006, ao concurso «Dar voz à poesia» desse ano. Foi seleccionado para publicação e recebi o livro há poucos meses.

Foi a única edição a que concorri, incentivado pelo meu amigo Hélder Ramos, autor com obra poética publicada (livro «Ao pé das palavras» que tive o prazer de prefaciar) e que nesta IV colectânea tem quatro belos poemas.

Apesar deste meu poema não ter sido escrito para crianças, não me pareceu despropositado colocá-lo neste blogue.

Espero que tu, amigo leitor, aceites o meu legado e possas tu também «Dar voz à poesia».

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TOP 10 Infantilidades – número 1

Há algum tempo resolvi colocar na barra da direita o

TOP 10 Infantilidades.

Claro que notei que alguns visitantes do “Infantilidades” visitaram os blogs ou sites que eu sugeri mas menos do que a qualidade das histórias justificaria. Assim passo a apresentar cada um deles começando pelo primeiro da lista (renovada).

Top-1http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/

Quem visitar este blogue não se esqueça de que, como na generalidade dos blogues do WordPress, há separadores no topo que deverão ser consultados. Sugiro, especialmente para as crianças, o  que contém a lista das histórias

http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/caixinha-das-historias/

e, para os adultos, também os textos de reflexão.

http://historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com/textos-de-reflexao/

Aproveitem as minhas sugestões… verão que não dão o tempo por perdido.

E voltem sempre…

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MV CP Cecília e Sissi

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Um susto de história com uma bruxa feia e um gato preto

A noite estava completamente escura mas não chovia… A temperatura até estava quente para a época, mas o gato preto estava enroscado perto do lume. Dormitava. De vez em quando abria um olho a controlar os movimentos da dona.

A fraca luz, na cozinha de paredes escurecidas pelo fumo, não deixava ver grande coisa, mas os gestos – à custa de tantas repetições – já quase podiam ser feitos de olhos fechados.

A velhinha, completamente vestida de negro, entoava a sua cantilena, enquanto mexia o conteúdo da panela enegrecida pelo fumo da lenha.

Estás a imaginar a cena, não estás? O que tu não imaginarias – nem ela, provavelmente – é que, nas redondezas, uma figura baixota, atarracada, mas com um chapéu enorme que parecia fazê-la mais alta e roupas negras que praticamente a tornavam invisível no negro da noite se encaminhava para sua casa e estava, aliás, já ali bem perto.

O chapéu em cone, de abas largas e de cor também negra; as roupas que vestia e sobretudo aquela cara, em que não faltava um nariz disforme, onde saltava à vista uma verruga – Sim! Tinha uma enorme verruga no nariz – a vassoura que trazia numa das mãos e arrastava pelo chão… não havia engano possível… quem se aproximava, a coberto da noite, era uma figura verdadeiramente sinistra.

Dentro de casa, calmamente, a velhinha lançava na panela uma pequena quantidade de algo que tirara de um dos frascos alinhados no aparador perto de si – uma medida sabiamente afinada pela experiência de muitos anos.

A sobrepor-se aos fracos sons que resultavam dos gestos tantas vezes repetidos e à sua voz ainda melodiosa, ouviram-se cinco fortes pancadas na porta.

O gato abriu os olhos, levantou-se, eriçou os pelos, arqueou a coluna e saltou na direcção donde viera aquele barulho que o incomodara no seu sono. A velhinha, sobressaltada, calou-se e parou de mexer a panela negra de onde saíam abundantes vapores e, penosamente, dirigiu-se à porta.

As mãos da simpática velhinha tremiam… e não era de frio.

Como já te contei, a temperatura até estava agradável…

O quê! Pensavas que era uma bruxa? Embora pudesse parecer, não! Não era uma bruxa! Era mesmo apenas uma velhinha que, com mão trémula, abriu a porta devagar…

Olhou a bruxa nos olhos – olhos que mal se viam na carantonha horrível…

Esta sim, era uma bruxa! Aquela cara feiosa, com a enorme verruga no nariz – também ele bastante avantajado e adunco – e um ar malévolo era, sem ponta de dúvida, a de alguém que queria assustar, que queria que ninguém tivesse dúvidas de que estava na presença de uma bruxa má.

A velhinha, com uma voz onde o susto parecia genuíno, perguntou:

- Porque é que tens uma cara tão feia?

- É para te pregar um susto! Um susto tão, tão grande…

E a bruxa esticava os braços, num gesto sugestivo, a ameaçar a velhinha de horrores enormes.

- Só escapas se me deres já… aquilo que já sabias que eu hoje… cá viria procurar!

E a bruxa entrou pela casa com o ar decidido de quem sabe bem o que quer. Já dentro da casa a sinistra figura pôs a mão à cara horrenda e, determinada, puxou pelo nariz.

Com a outra mão, pegou em algo que os dedos trémulos da velhinha seguravam… e levou à boca. Depois, com a beiça lambuzada do chupa-chupa, deu um beijo doce à avó.

A vassoura, a máscara e o chapéu do disfarce do dia das bruxas lá ficaram, atirados para um canto.

Entretanto a bruxinha notou:

- Cheira bem! Estavas a cozinhar?

- Estou a fazer sopa. Está quase pronta. Queres um pratinho?

- Claro! Isso pergunta-se? A sopa da avó é a melhor do mundo. O resto do chupa fica para depois…

E a menina deu a mão à avó e, seguidas pelo pachorrento gato preto, dirigiram-se à cozinha.

 

 

imagem encontrada em http://filhotesdeborboletas.blogspot.com/

 

 

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Uma história mal contada

Amigo visitante, sinto que estou em dívida para contigo, depois de tanto tempo sem te dar a merecida atenção, a ti que não me regateias a tua. Por isso, trago-te uma história um pouco longa e em verso. Diverti-me a escrevê-la. Espero que a sua leitura te dê o mesmo gozo!

Por questões técnicas é-me, de momento, impossível colocar a versão ilustrada da história, mas fica a promessa de que aqui será disponibilizada.

Fiquem então com…

Uma história mal contada

Há histórias que fazem parte do nosso imaginário colectivo
e que moldaram a nossa percepção da realidade.
A fábula da Lebre e da Tartaruga é uma dessas histórias.

E se La Fontaine foi induzido em erro
ou foi cúmplice de uma tramóia bem montada?

Os autores do presente texto, usando de ironia e humor,
vêm apresentar o resultado de uma aturada investigação,
onde demonstram que houve fraude e que, afinal,
a fábula da Lebre e da Tartaruga foi…

Uma história mal contada.

Os autores:
André Lebre e Ana Tartaruga


Dedico esta história – a verdadeira –

A todas as crianças que gostam de ler

E aos adultos com sentido de humor refinado.

La Fontaine, desculpa lá a brincadeira:

Adulterei a tua fábula, que é bonita a valer

E não tens culpa, porque foste enganado…


Agradeço às minhas fontes de inspiração:

Às socialites e a quem vai atrás do foguetório,

E, claro, aos jornalistas, juízes e advogados,

Aos políticos pouco sérios (felizmente excepção)

E aos homens do desporto que têm no repertório

Muitos modos diferentes de falsear resultados…


O caso que vos vou descrever

Passou-se há muitos e muitos anos

No estranho mundo dos animais…

Caso que nunca poderia acontecer

No mundo tão certo dos humanos

Onde ninguém engana os demais.


Tudo começou numa entrevista:

A Tartaruga, mediática e famosa,

Contava, ao pormenor, a sua vida.

Além da foto, na capa da revista,

Havia uma frase curta e poderosa

«Desafio a Lebre para uma corrida».


A Tartaruga, que tinha fama de ser lenta,

Queria mudar esse aspecto negativo:

Nada melhor do que desafiar a Lebre

O animal mais rápido da floresta

Mas um bicho assustadiço e esquivo

Que raramente saía do seu casebre.


A Lebre viu ali uma boa oportunidade

Por isso, como se sabe, aceitou o desafio

E declarou ao Papagaio jornalista:

«Ninguém me vence em velocidade».

Aprazaram a corrida, que seria junto ao rio,

Um local aprazível para servir de pista.


No dia previsto e à hora combinada,

Manhã cedo, já a Lebre aquecia

Os músculos das pernas e das costas.

Para ver a celebridade, a bicharada

Juntara-se onde a Tartaruga chegaria

E cada um fazia as suas apostas.


Como a sua especialidade é dar nas vistas

A Tartaruga nunca da pompa prescinde:

Pegou em dois copos que ela mesma encheu

- Há que evitar situações imprevistas -,

Deu um copo à Lebre e propôs um brinde:

«E que ganhe a melhor, ou seja… eu».


Após uma curta sessão de autógrafos,

O canto do galo deu o sinal de partida

- Sabem que os tiros assustam os animais.

Acompanhadas por jornalistas e fotógrafos,

Largaram. Claro que a Lebre saiu rápida

E a outra lenta – os seus estilos habituais.


A bicharada ansiosa esperava as velocistas

- Àquele ritmo, a Lebre já devia ter chegado -

De olhos na meta, estranhavam a demora.

Deveras admirados estavam os jornalistas

E conjecturavam o que se teria passado,

Que a partida fora há mais de uma hora.


Para a história ficou a fotografia

- Uma cena estranha e caricata

Divulgada em revistas e jornais:

À sombra duma árvore, a Lebre dormia

E a Tartaruga passava rumo à meta

(E fotografias não mentem, são reais).


A multidão já aplaudia a bicha célebre.

Sob a algazarra, a outra despertou

E, ainda tonta, correu como uma seta.

Mas chegou demasiado tarde, a Lebre

- A bicharada toda em coro a assobiou -

Que a Tartaruga já tinha passado a meta.


A façanha, a lenda, a bela história

Da Tartaruga correu mundo e encantou.

E ela – com um sorriso de orelha a orelha

Pois ficara muito bem na fotografia -

Sim, só ela sabia que a Lebre falhou

Sob o efeito da poção da amiga Abelha.

Ilustração original de Rute Freire e Alexandre Freire

Fraude perfeita? Não! Algo correu mal.

Um Ratito viu tudo e – finório – percebeu:

A Abelha a vender a poção para dormir;

A Tartaruga a deitá-la no copo da rival.

Esta bebeu e, durante a prova, adormeceu

E a outra, vagarosa, passou por ela a sorrir.


O Ratito, pensativo, até roía as unhas:

Para repor a justiça teria que acusar

Uma personagem com grande influência,

Sem quaisquer provas nem testemunhas.

Para divulgar o que vira, teria que usar

Toda a sua perspicácia e prudência.


Escrever uma carta anónima foi a solução…

Dirigida ao empenhado jornalista

A relatar o que vira, de forma precisa.

Este achou que, se não era só imaginação,

Havia ali assunto a não perder de vista

E começou a preparar a sua pesquisa.


O jornalista confrontou, com tais questões,

A Tartaruga que o olhava de soslaio.

A ilustre visada, ofendida, negou o facto.

Achando-se intocável, imune a suspeições,

Cometeu o erro de humilhar o Papagaio,

Chamando-lhe incompetente, fala-barato.


A notícia não tardou a vir a público

- a bicharada sedenta de emoções -

E descobriu-se uma vida escandalosa.

Desde que o credível Papagaio abriu o bico

Sucederam-se, em catadupa, as revelações.

Para começar houve uma ajuda preciosa:


Séria e tendo que manter a reputação

De especialista em doces e venenos,

A doutora Abelha, envolvida por abuso,

Revelou que a tartaruga pedira a poção

Porque andava a dormir bastante menos

E afirmara ser para seu próprio uso.


Tal como a Tartaruga corpulenta,

A mentira tem pernas curtas e baixo nível

E foi no tribunal que o caso foi disputado,

Mas, como a ré, a justiça é muito lenta

E tem uma carapaça quase intransponível

Se há alguém rico e poderoso implicado.


A Tartaruga sempre foi um animal

- não se esqueçam – muito influente

Dá-se com bestas capazes do pior

E, claro, o caso prescreveu no tribunal.

A Tartaruga continua, indiferente

Na sua carapaça, a achar-se a maior.


É esta a única e verdadeira história,

Contada com todo o rigor e boa-fé

Sem quaisquer enfeites nem fantasias.

Conseguir contá-la é já uma vitória…

Estranhamente, quão diferente é

A versão que chegou aos nossos dias.


O caso que hoje vos descrevi

Passou-se há muitos e muitos anos

No estranho mundo dos animais…

Caso semelhante nunca eu vi

No mundo tão certo dos humanos

Onde ninguém engana os demais.


A imprescindível Moral da História:

Cuidado! Que as aparências enganam.

Pensem por vós, sem ingenuidade,

E mesmo que pareça luta inglória,

- Mesmo quando muitos vos abandonam -

Escolham sempre o lado da verdade.

João Alberto Roque

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Prenda para o Pai (ou a Mãe)

Procurei por uma prenda
por algo belo, perfeito.
Olha, Pai, estou sem ideias…
Não achei nada de jeito!

Nada era digno de ti,
de tanto amor que me deste…
dos trabalhos que passaste…
das noites que não dormiste.

Que prenda te posso dar?
Tem de ter um tal valor
que nenhum dinheiro compra…
Aceita o meu amor!

Um abraço, um carinho
e uma pequena lembrança…
É que eu, ao pé de ti,
serei sempre uma criança!

Sem que eu percebesse porquê – afinal é porque o Dia do Pai no Brasil é no segundo Domingo de Agosto – grande parte das visitas recentes através de pesquisas na Net, procuravam por algo relacionado com o “dia do pai”. Resolvi, por isso, colocar este novo texto…

O valor material de uma prenda que qualquer um de nós der ao seu pai, ou à sua mãe, será sempre simbólico perante tanto que deles recebemos (sobretudo os bens  imateriais).


Pequenas lembranças para o pai e para a mãe, à venda no blog de uma amiga:
http://su-artesdecorativas.blogspot.com

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A almofada desaparecida

A Cecília, ultimamente, andava com um hábito estranho: saía da cama pela manhã e trazia consigo a almofada.

Ia tomar o pequeno-almoço e levava atrás… a almofada.

Ia para a sala brincar e … isso mesmo, não ia sozinha.

A almofada era a sua companhia inseparável.

Estão a ver o problema? Não?

É claro que, nestas andanças, por vezes esquecia-se da almofada.

Geralmente ficava num lugar bem à vista de todos e a mãe acabava por levá-la para o quarto da Cecília ou mandava-a a ela ocupar-se dessa tarefa o que, claro, não era boa ideia porque lembrava a Cecília do quanto gostava de andar agarrada à almofada e a coisa recomeçava.

Nessa noite quando foi para a cama reparou que faltava a sua querida almofada. Começou por pedir ao pai que fosse buscá-la. O pai, cheio de paciência, lá foi procurar a dita almofada, mas nada… nem sinais dela. Procurou em todos os locais em que a Cecília costumava andar e não a encontrou.

Foi dizer à menina e ela ficou muito triste. O pai lá lhe explicou mais uma vez que o lugar da almofada é na cama e que devia lá ter estado todo o dia à espera. Como a menina teima em andar a passear a almofada pode acontecer uma coisa assim. Depois disse à Cecília, que não se conformava com a falta da almofada, que a fosse ela procurar.

É preciso que se diga que a Cecília, quando chega a hora de ir para a cama, inventa mil desculpas para ficar mais um bocadinho acordada e nesse dia não tinha sido excepção. Já não era nada cedo. Como ainda estava de férias e no dia seguinte não tinha hora marcada para se levantar, o pai não estava muito preocupado, mas sabia que depois de um dia tão animado a garota devia estar cansada.

A Cecília lá correu toda a casa à procura:

a sua almofada não estava em cima da cama dos pais,

nem debaixo da mesa da cozinha,

nem dentro da arca dos brinquedos,

nem estava atrás do seu cavalo de madeira,

nem perto da televisão…

Como não encontrou a sua querida almofada, lá se convenceu que tinha mesmo que ir dormir sem ela.

Pediu outra almofada ao pai e, quando ele lha levou, fez um ar de grande satisfação. Lá se deitou mas, ao contrário do que o pai previra, não havia jeito de adormecer. É que aquela almofada era muito diferente da outra… muito mais alta e ela gostava tanto da sua.

Mas o cansaço acabou por se impor e a menina adormeceu para uma longa noite de sono reparador.

A primeira coisa que a Cecília fez quando acordou foi voltar a procurar a sua almofadinha querida. Foi difícil, mas lá a encontrou. Na brincadeira, tinha caído para trás do sofá. Era um sítio escondido, inacessível, e isso explicava que na noite anterior não a tivesse visto.

Abraçou-a e deixou-se ficar assim durante um bocado.

Quando a mãe a chamou para tomar o pequeno-almoço, a Cecília foi ao seu quarto e poisou a sua almofada, muito direitinha, sobre a cama. É que se gostava de andar com a almofada durante o dia, ela fazia-lhe mesmo muita falta era à noite. Disse-lhe «até logo» e dirigiu‑se à cozinha.

A mãe perguntou-lhe se tinha achado a almofada.

- Achei. – disse a Cecília. – Estava na sala, atrás do sofá.

- Ainda bem. – disse a mãe, que perguntou a seguir:

- Então onde é que ela está agora?

- Está na minha cama… para não se perder.

- Olha, lá é que ela está bem. Parece que aprendeste uma lição…

E a mãe sorriu, com um ar enigmático.

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A minha avó

Imagem retirada do blogue: http://positivopensamento.blogspot.com/ que provavelmente a retirou de outro lugar...

“O tempo passa a voar”,
ouvi alguém a dizer.
Deitei-me de papo ao ar,
sempre à espera de o ver.

Vi passar alguns pardais,
andorinhas e gaivotas
e lá longe, muito longe,
aviões nas suas rotas;

Abelhas e borboletas;
folhas que o vento levou;
o papagaio do vizinho
preso ao fio que lhe atou;

aquela nuvem no céu
que parece um animal…
Já vi passar tanta coisa,
mas do tempo nem sinal!

Perguntei à minha mãe
como é que o podia ver.
Disse que estava ocupada,
não tinha tempo a perder;

que invejava a minha vida:
tempo para dar e vender.
“Isso está bom é para ti,
não tens nada que fazer …”

Se não sei o que é o tempo
como é que o posso perder?
Se ninguém me ensinar
como é que eu hei-de aprender?

Vou perguntar à avó,
que ela deve saber!
Quem já viveu tantos anos
é que me há-de valer…

Contou-me tantas histórias
que me senti um sortudo:
é sempre tão bom ouvi-la…
A minha avó sabe tudo!~

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A orquestra


Oh que orquestra tão sinfónica

Cada qual é para o que é…

O Noé toca oboé

E a Mónica, harmónica.


Dona Fausta toca flauta

A Ivone, saxofone

A Simone, no trombone

E nem olha para a pauta


Nunca nada lhes sai mal

Faria toca bateria

A Sofia assobia

Que a orquestra é especial


João toca acordeão

Catarina, concertina

Marina toca ocarina

Com excelente actuação.

Bandarra toca guitarra

para animar os vizinhos

E eu cá toco ferrinhos…

Nós gostamos é de farra


O Silvino toca o sino

Bernardete, clarinete

Elisabete, trompete

Justino toca violino


E tudo soa tão belo

A Lola toca viola

Como aprendeu na escola

O Marcelo, violoncelo


O Albano no piano…

Mas para tudo andar “presto”,

O Ernesto é o maestro…

E há festa todo o ano!

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Apenas brincando

Quando eu estiver, no quarto, construindo um edifício de blocos,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Sobre equilíbrio e forma.

Quando eu estiver bem vestido, arrumando a mesa, cuidando do bebé,
Não tenha a ideia de que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser uma mãe ou um pai.

Quando você me vir até meus cotovelos na pintura,
Ou ajeitando uma moldura, ou moldando e dando forma à argila,
Por favor não me deixe ouvi-lo dizer que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou me expressando e sendo criativo.
Algum dia eu posso ser um artista ou um inventor.

Quando você me vir sentado em uma cadeira “lendo” para uma audiência imaginária,
Por favor não ria e não pense que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um professor.

Quando você me vir recolhendo insectos ou colocando coisas que encontro no bolso,
Não os jogue fora como se eu “estivesse apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Algum dia eu posso ser um cientista.

Quando você me vir montando um quebra-cabeças,
Por favor, não pense que estou desperdiçando tempo “brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Estou aprendendo a concentrar-me e resolver problemas.
Algum dia eu posso ser um empresário.

Quando você me vir cozinhar ou provar comidas,
Por favor não pense que estou aproveitando, que é “só para brincar”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo sobre os sentidos e as diferenças.
Algum dia eu posso ser um “chef”.

Quando você me vir aprendendo a saltar, pular, correr e mover meu corpo,
Por favor não diga que eu “estou apenas brincando”.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo como meu corpo trabalha.
Algum dia eu posso ser um médico, uma enfermeira ou um atleta.

Quando você me perguntar o que fiz na escola hoje,
E eu responder: “Eu brinquei”.
Por favor não me entenda mal.
Já que, entenda, eu estou aprendendo enquanto brinco.
Eu estou aprendendo apreciar e ser bem sucedido no trabalho.
Eu estou preparando-me para o amanhã.
Hoje, eu sou uma criança e meu trabalho é brincar.

Anita Wadley

http://justplayingpoem.com/

Anita Wadley, educadora norte-americana, é a autora deste belo poema, que se pode encontrar na Internet em muitos sítios dedicados a crianças.

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A prenda do dia do pai

caderno3

As contas são complicadas

Prenda, assim, que tu me desses,
para as coisas serem perfeitas,
só faltava que tivesses
trazido as contas já feitas:

de somar e subtrair
multiplicar, dividir,

que, filha, na minha idade
as contas são complicadas
e para falar verdade
acabam mal calculadas:

nas parcelas da adição
há trabalho em demasia;
faço mal a divisão
dos minutos do meu dia;

nem sempre sobra um sorriso
para te dar atenção…
ensina-me, que eu preciso,
uma multiplicação.

Ajuda-me a subtrair
as preocupações da vida
e a não deixar só os restos
à minha filha querida!

Lê todos os poemas deste caderno no separador Caderno de Poesia

Quadric2

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Parece que és bruxa

Se pegas na vassoura e aspiras
a voar pelos ares…
parece que és bruxa!
Parece que és bruxa!

Se o céu está escuro e tu adivinhas
que não vai chover…
parece que és bruxa!
Parece que és bruxa!

Se a dor de um amigo também tu a sentes
e não és indiferente…
parece que és bruxa!
Parece que és bruxa!

Se me olhas nos olhos e estás mesmo a ver
o que me vai na alma…
parece que és bruxa!
Parece que és bruxa!

Parece que és bruxa
mas és só… criança

e queres ter direito a sonhar;
a brincar um pouco mais no jardim;
a contagiar os outros com a tua alegria
E a nunca pôr limites à esperança…

parece que és bruxa
mas és só… criança.

Imagem retirada de http://jie.itaipu.gov.br

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Uma partida traquina

Minha irmã mais nova
pôs pasta dos dentes
nos dentes dos pentes
e na minha escova…

Ai, como fiquei
todo pegajoso!
Ela riu, no gozo…
Fingi que gostei.

Para que não troce,
que faço à marota?
Ponho-lhe compota
para ficar mais doce,

ou dou-lhe um beijo
- àquela traquina -
a ver se ela atina
como é meu desejo?
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Cecília e Sissi

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O quarto da Cecília está cheio de peluches por todo o lado: dois ursos, um gato branco, um tigre, um leopardo, dois pandas brancos e pretos, uma vaca, uma galinha colorida, um coelho castanho, um grande rato cinzento, uma boneca pequena de roupa e cabelos de lã vermelha, e outros mais.


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A menina gosta muito dos seus peluches e brinca muito com eles. Os tios e avós costumam dar-lhos quando ela faz anos ou pelo Natal. No dia em que soprou as quatro velas no seu bolo de aniversário, recebeu dois peluches novos – um leão e outro panda com um filhote.

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Aqueles peluches, que eram novidade lá em casa, foram ocupar os lugares do quarto de que todos os peluches gostavam mais: junto da caminha da menina. Os que antes ocupavam aquele lugar foram empurrados para mais longe. É preciso dizer que, longe da caminha da menina, os peluches ficavam com um ar mais triste. Todas as noites a Cecília escolhia um peluche para levar para o quentinho da sua cama e adormecia agarrada a ele. Nas primeiras noites calhou aos novos essa sorte mas depressa deixaram de ser novidade.

Quando a menina não estava no quarto havia grande agitação entre os peluches, todos procurando um lugar que atraísse a sua atenção quando voltasse.

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Muitas vezes, depois de vir do Jardim-de-infância, ia brincar com eles. Era uma alegria para os peluches. Mas havia uma boneca que parecia não partilhar de toda aquela alegria. Ficava no canto mais escondido do quarto, sozinha e triste, com um olho de vidro já sem brilho (o outro já faltava), os cabelos compridos de um lado e curtos do outro. O seu vestido tinha perdido a cor. Já há muitos meses que não era escolhida para dormir com a menina e nem sequer para partilhar as brincadeiras com os outros. Estava mesmo triste, no meio da agitação que havia no quarto.


De repente, fez-se muito silêncio. A menina acabava de chegar a casa e dirigia-se ao seu quarto. Trazia um avião de papel na mão e foi mostrá-lo aos peluches que estavam perto da sua camita. Depois explicou-lhes que aquilo voava. Achou que os peluches não acreditavam no que ela lhes dizia e atirou-o.

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Não voou muito bem e foi aterrar na cama, mesmo perto dela. Nenhum peluche se riu mas a menina percebeu que estavam cheios de vontade. Foi buscá-lo e atirou-o de novo.

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Desta vez o avião voou mesmo e foi aterrar no canto mais longe e ficou no colo da boneca. A Cecília correu a buscar o avião e, quando o agarrou, reparou na Sissi, a sua boneca grande, com aquele ar triste, de boneca abandonada. Pegou nela ao colo e esqueceu o avião.

Passado um pouco de tempo, sentou-a numa pequena cadeira de plástico e foi à cozinha buscar umas bolachas. Sentou-se na outra cadeira, ofereceu uma bolacha à Sissi e foi mordiscando as outras. Foi também buscar duas chávenas e um bule do seu conjunto de brincar e serviu um chá, recomendando à boneca para ela beber com cuidado e não se queimar.

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Depois do chá e das bolachas, estava a calçar as suas pantufas dos ursos, para ficar mais confortável, quando se lembrou de qualquer coisa. Levantou-se e pôs a boneca ao seu lado. Sorriu e disse: – Olha, anda ver.

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Com a boneca ao colo, correu até à sala onde havia uma fotografia das duas. A Sissi era, naquela fotografia, uma boneca muito linda, com um vestido cheio de cor, belos cabelos compridos, uns olhos brilhantes e, sobretudo, era mais alta do que a Cecília, que a abraçava com ar muito feliz.

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Brincaram juntas o resto da tarde.

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À hora do jantar, quando a mãe chamou, foram as duas. A mãe reparou nelas e disse:

- Nunca mais cosi o olho à boneca mas pode ser hoje.

Mal acabou de jantar e enquanto a Cecília continuava a comer – é preciso que se diga que a Cecília demora sempre muito tempo a comer – a mãe foi buscar o estojo de costura e lá encontrou o olho, que coseu no sítio de onde se soltara. A boneca ficava agora com melhor aspecto. A mãe virou-a para a Cecília e perguntou à filha:

- Ainda te lembras quando cortaste o cabelo à Sissi? Cortaste também o teu. Tive que te cortar todo o cabelo muito curto. Até te ficava bem… as avós é que ficaram muito tristes.

- Corta também à Sissi. – pediu a Cecília.

- Já que estou com a tesoura na mão, pode ser.

Depois do corte do cabelo, para ficar todo igual, e de mais alguns pequenos retoques, a boneca ficou engraçada.

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- Agora vamos lavar os dentes que são horas de ir para a caminha. – disse a mãe, e acrescentou: – Já estou a ver quem vai ser hoje a tua companhia.

Dentes lavados, a Cecília vestiu o pijama. Achou que a boneca também devia tirar aquela roupa para dormir e pediu à mãe uma roupa para a Sissi. A mãe foi buscar uma linda camisa interior com flores bordadas, que já não servia à menina mas que à boneca ficava um espanto.

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E a Cecília adormeceu, feliz, abraçada à Sissi que estava de novo com um ar alegre que tinha perdido há muito tempo.

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(Esta história escrevi-a quando a minha filha tinha 4 anos e ilustrei-a com uns desenhos dos seus peluches para dar a forma de livro ilustrado. Claro que a menina gostou. )

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As mentiras do vento


A Cecília gosta muito de ouvir histórias. A toda a hora está a pedir ao pai ou à mãe que lhas contem.

Não se importa de ouvir as mesmas histórias vezes sem conta mas os pais é que protestam quando têm que ler a mesma outra e outra vez.

Naquele dia havia uma feira do livro na praça. O pai viu ali uma boa oportunidade de encontrar novas histórias e não ter que contar sempre as mesmas.

No fim da tarde, quando o calor já era mais suportável, foram passear até à feira do livro. Depois de uma tarde sufocante, levantara-se um pouco de vento.

Foi uma visita demorada… havia tanta coisa interessante para ver… tantos livros cheios de imagens bonitas ou de histórias que a Cecília tinha pena de ainda não saber ler mas que imaginava interessantes.

O pai comprou alguns livros dos muitos que folheou. Na banca ao lado havia livros abertos, a estimular a curiosidade das pessoas que passavam. A menina reparou que as páginas iam virando, como se alguém invisível estivesse a ler. Noutra banca, mais livros estavam a ser folheados. Que engraçado!

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À noite, depois do pai lhe contar uma história nova, a Cecília estava com dificuldades em adormecer. O calor era tanto que o pai deixara a janela aberta. As cortinas, que dançavam uma dança alegre, convidavam-na a juntar-se a elas. Levantou‑se da cama e foi até à janela.

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Olhou a paisagem: muitas luzes distantes brilhavam no escuro. A Cecília teve dificuldade em perceber quais daquelas luzes eram estrelas e quais tinham outras origens. O vento, que entrava pela janela, brincava com o cabelo da menina. Baixinho, ao ouvido, contou‑lhe histórias de terras distantes que conhecera, de longas viagens que fizera, de ilhas tropicais por onde se demorara, de terras sequiosas a que levara nuvens com a chuva desejada, de outras gentes que visitara, de animais estranhos que afagara… Como a Cecília gostava daquelas histórias… ficou toda a noite a ouvir o que vento lhe sussurrava ao ouvido. Gostava delas mas… sabia que era tudo mentira. O vento conhecia tantas histórias porque tinha estado a folhear os livros que estavam nas bancas da feira e tinha lido todas aquelas histórias cheias de imaginação.

De manhã acordou, fresca que nem uma alface, e ficou sem conseguir distinguir aquilo que na realidade tinha acontecido do que fizera, apenas, parte dos seus sonhos.

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Abram e brinquem

Este é o primeiro passo

de uma viagem

que se espera longa.

Não imagino onde me levará

nem quem embarcará comigo

nesta aventura…

Abram e brinquem

http://outrapartedemim.blogs.sapo.pt/arquivo/livro.jpg

Ofereço-vos um presente

Que, espero, vos dará muito gozo…

É um presente diferente:

Não tem um embrulho vistoso

Nem um laço a condizer

Mas espero que o abram

Sempre que vos apetecer

E brinquem, sonhem, aprendam,

Foi feito com muito amor

E com a secreta esperança

De encontrar em cada leitor

Alguém em quem vive uma criança.

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